Azedo omitiu demissões na ABI

Domingos Meirelles

O Relatório de atividades da Diretoria  da ABI não resiste a um exame de lâmina em qualquer laboratório de análises clínicas. A falsificação de algumas informações é tão grosseira que pode ser identificada a olho nu. Através de uma série de contorcionismos contábeis percebe-se, ao longo do texto, que o objetivo da exposição não foi produzir um quadro fiel dos problemas que flagelam a entidade, mas encobrir os  descalabros cometidos pela atual administração da Casa. Como se pode acreditar num relatório que não tem compromisso com a verdade?

O que mais choca não é a manipulação dos números, facilmente percebida  (voltaremos a eles em breve),  mas determinadas omissões deliberadamente excluídas do texto com a intenção de ocultar do corpo social episódios desconcertantes, incompatíveis com as melhores tradições da ABI.  Entre os procedimentos condenáveis, um se destaca pelo   aspecto infamante: a demissão  de funcionários antigos,  colocados na rua sem receber um centavo de  indenização.  Atitude ilegal e moralmente repulsiva por se tratar de servidores que doaram os melhores anos de sua vida à instituição.

No relatório aprovado pela Assembléia-Geral não há uma única linha sobre o passivo trabalhista da entidade.  A avalanche de ações trabalhistas  movida contra a instituição, na Justiça do Rio de Janeiro, envergonha a todos nós, além de provocar sangria  desnecessária nas  anêmicas reservas financeiras da Casa.

Como é possível uma entidade, com o passado da ABI, demitir servidores  sem indenizá-los como determina a lei? É inaceitável que uma agremiação constituída de jornalistas viole conquistas históricas da classe trabalhadora, como o direito de receber  aviso prévio, férias vencidas e horas extras,  além do livre  acesso aos recursos depositados  no FGTS.

DEGRADAÇÃO 

Quando essa prática perversa vira rotina, não são apenas os servidores os mais atingidos. Quem sofre a maior degradação é a própria ABI.

O presidente sub judice  demitiu  funcionários  de forma desapiedada, alguns com dez, vinte, trinta anos de serviço  como José Pereira Sales, conhecido como Zequinha, encarregado geral da manutenção do edifício sede,  um dos  servidores mais queridos da Casa. Zequinha como outros colegas foi também obrigado a reclamar seus direitos na Justiça do Trabalho.

Indiferente aos danos causados à imagem da ABI, o presidente sub judice  ainda  comparece às audiências de conciliação em companhia do advogado da entidade.  Diante do juiz, Azêdo chora misérias, diz que a  saúde  financeira da instituição  não é boa, apesar de afirmar o contrário no Relatório. Suplica que o valor da indenização seja parcelado em 10 ou 12 vezes como se estivesse negociando a compra de uma geladeira nas Casas Bahia.

BANIDOS

A lista de banidos abrange em sua maioria  empregados modestos como o ascensorista Jair de Abreu, o garagista Serginho, o servente Marcelinho, o eletricista Carlos da Silva Martins e o pedreiro Fernando Tobias. O marceneiro Manuel Lima Filho, um dos profissionais mais qualificados da Casa, teve o privilégio de ser demitido pelo telefone pela mulher do presidente, que manda mais que o marido na  ABI.   Todos os afastados, sem  exceção ,  foram obrigados à recorrer a Justiça do Trabalho em busca de direitos sonegados pela  atuais inquilinos da entidade.

As mulheres foram, talvez, as que mais sofreram com a oscilação de humor da professora Marilka Lannes, que administra a ABI como se fosse a extensão do próprio lar. Uma das primeiras a ser abatida pelos caprichos da primeira dama foi a chefe de Tesouraria Martirene  Paula de Oliveira, com 12 anos de ABI, muito querida pelo corpo social.

Vanessa, que ocupou o lugar de Martirene, não chegou a esquentar a cadeira. Ao perceber o chão movediço em que trabalhava, pediu  demissão e  foi embora.   Simone Romeu, que sucedeu Vanessa na Tesouraria, não conhecia o terreno que pisava. Manteve-se no cargo durante alguns anos, mas em outubro passado sofreu um colapso nervoso ao saber que estava demitida.

OUTRAS VÍTIMAS

A primeira-dama colocou na rua, de forma desapiedada e cruel,  a auxiliar de almoxarifado Marta Oliveira, com 16 anos de serviço. Na sua ficha funcional não havia qualquer anotação que lhe desabonasse a conduta.

Outra vítima foi a técnica de enfermagem Cristina Souza de Menezes, que durante 15 anos atendeu aos sócios no posto médico Paulo Roberto, no sexto andar do edifício-sede. Cristina foi demitida sob alegação de que a ABI pretendia fechar o posto de enfermagem e acabar com o serviço médico da Casa. Para o seu lugar foi designada a funcionária Sandra, que trabalha como copeira. Sandra desempenha duas tarefas ao mesmo tempo.

A jornalista Solange Noronha, editora do site da ABI, foi também afastada sem indenização e briga pelos seus direitos na justiça trabalhista, depois de um desentendimento banal com Marilka e, depois, com o marido, que tomou as dores da mulher.

Domingos Meirelles é ex-diretor financeiro da ABI

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One thought on “Azedo omitiu demissões na ABI

  1. Ué, cadê a imprensa livre para comentar esta grande “sujeira”? A ABI não pode ter seu nome manchado por desmandos caprichosos de quem quer que seja. Uma entidade que luta por democracia e liberdade precisa se livrar urgente desta má administração.

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