Baixo grau de politização da sociedade provoca alienação da juventude

Robert Silva

Dito de outra forma, nosso problema reside no baixo grau de politização da nossa sociedade. O drama se amplia quando olhamos para a  juventude e constatamos que a tendência é piorar. Nesse particular, importantíssimo o alerta emitido no recente artigo de Beto Iannicelli.

De fato, isso não se trata de uma contingência natural. A verdade é que essa doutrina alienígena chegou com o golpe de 64. O sistema educacional foi desmantelado e a comunicação social foi usurpada por um sofisticado monopólio empresarial, para atuar exclusivamente na propaganda do governo conservador. O núcleo central da operação tinha como objetivo idiotizar e brutalizar o povo brasileiro através de mensagem subliminar.

E hoje eles estão colhendo os frutos dessa política mesquinha e entreguista. A despolitização e a violência passaram a ser uma marca da nossa sociedade. A consequência disso é a corrupção institucionalizada. Pois uma sociedade moralmente doente não pode nem consegue reagir.

Não há, contudo, nada de inusitado. Essa situação tem sido mostrada de forma exaustiva nos meios de comunicação. O problema é que a abordagem não se destina ao debate em busca de soluções. Apenas, divulgar para consolidar. Afinal, o crime e a violência tem papel decisivo na economia.

Imagine o que seria da TV se os criminosos resolvessem fazer uma semana de greve ! Muita gente desempregada com a queda “brutal” da audiência. Imagine se a construção civil fosse depender apenas da boa vontade dos proprietários de imóveis para ceder o terreno de suas casas, nas áreas nobres das grandes cidades, para construção de edifícios. Isso sem considerar a possibilidade do uso de dinheiro ilegal nos empreendimentos.

A violência nesse caso é fundamental. Intimidada com os bandidos nas suas portas, a população compulsoriamente tende a abrigar-se nos apartamentos, tornando-se presa fácil dos empresários da construção.

O que precisa ser acrescentado a esse debate é a identificação dos responsáveis pelo trancafiamento da nação desde 64. Nesse aspecto, se há que destacar o papel da Igreja, patronesse do golpe militar e principal responsável pelas ações de controle social via doutrinação. É dela também a responsabilidade de preparar pupilos do regime conservador e travesti-los de líderes populares com o intuito de continuar a política da submissão.

E se a esse quadro observarmos que o Congresso é comandado pela principal figura da reação conservadora, fica fácil explicar porque chegamos a essa difícil situação. Mais difícil ainda é sair dela. Quando se vislumbra alguma fumaça de mudança, um tipo de golpe é implementado.

Foi assim quando Collor se comprometeu em investir 10 bilhões de dólares na educação básica. Veio o golpe parlamentar. Foi assim quando o Poder de Sarney foi ameaçado. Veio o golpe do judiciário com o “Ficha-limpa”. Precisamos trabalhar com afinco para nos livrar do jugo dos religiosos, forçando-os a atuar de forma humanizada, respeitando os brasileiros e a soberania nacional. E o principal instrumento de que dispomos é o partido político.

A reforma política precisa transformar esse “cartório familiare” em agremiação popular a que todo cidadão possa ter acesso para exercício político. Enfim, que o brasileiro seja um torcedor, que professe sua religião, mas que possa com orgulho, escolher um partido político para exercer sua cidadania, atuando na defesa da sociedade e do seu país.

PS – Ah, sim. Antes que esqueça, o consumo de drogas deve ser combatido administrativamente com está sendo feito com o cigarro. A venda de bebida na Copa é aceitável, o inaceitável é induzir os jovens ao consumo de álcool através da propaganda insidiosa e irresistível.

 

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