Bancos oficiais salvando bancos particulares… com o dinheiro dos contribuintes!

Luiz Cordioli

Foi assim na Grécia, Islândia, Espanha, Brasil, EUA, Portugal e tantos outros. Só por estes exemplos de um mesmo modelo, em todos estes países, já dá para intuirmos que a briga de verdade não é entre capitalismo e socialismo, ou o que mais queiram.

É entre “banqueirismo” e “pauperismo” tão somente. Ou entre “banditismo governamental” e “passivismo pagante” ou, se preferirem, “pacifismo pagante”. É entre um grupo que cria dinheiro do ar, apenas para acertar as contabilidades, e outro grupo que tem que criar o dinheiro real, via trabalho e produção, para quitar as falsas moedas colocadas em circulação. Quando este último grupo não consegue, chega-se à “crise”. E fica como culpado, porque não conseguiu…

Está correta, pois, a afirmação inicial, mas falta esclarecer, no detalhe, como se faz isto. No Brasil, pouco mais ou pouco menos, agimos assim: os bandidos do governo imprimem títulos da Dívida Pública, sem lastro e sem porquê, vendem-nos e mandam o dinheiro assim obtido para a Caixa, ou o BNDES. E estes, emprestam com longas carências e a juros de pai para filho (da p…), aos capitalistas privatizantes, ao Eikes da vida, até mesmo aos Bradescos da vida…

Esses beneficiados pagam 6% de juros pela TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), com longo prazo de carência, enquanto os títulos são remunerados a 8,5%, ou mais do que isto, pagos pela patuléia, sem saber nada de nada.
Vejam o “case” do roubo dos aeroportos, quero dizer, da privatização dos aeroportos, em números redondos: o governo, dono e vendedor, estimou em 5 bilhões o valor deles.

Os picaretas compradores “pagaram” 25 bilhões. Lucro excepcional, dirão, de 20 bilhões, certo? Errado! Porque há um detalhe submerso e não destacado: 80% dos R$ 25 bilhões serão financiados pelo BNDES (a saber, R$ 20 bilhões!), com longas carências e juros lá embaixo, cobertos por títulos do mesmo valor, que nós pagaremos “na marra”, via impostos, querendo ou não.

Quanto, então, os pseudo-compradores pagaram de verdade? R$ 25 bilhões? Neste “case”, pernóstico vocábulo, não se preocuparam com a explicitude de números banais: 80% de R$ 25 bilhões = R$ 20 bilhões, saldo R$ 5 bilhões. Quanto é o preço pago, real e efetivo, então? R$ 5 bilhões, ou seja, apenas o exato “elas por elas”.

Só que sobram, por fora, bem quietinhos e misturados em outros títulos, os R$ 25 bilhões originais, em títulos para serem pagos a 8,5%, no mínimo… Se quiserem, dá para aprimorar a pilantragem possível, dizendo que serão os próprios compradores dos aeroportos os que irão comprar tais títulos e ganhar esta diferença de 7% de juros… Em 10 anos de carência, por exemplo, estarão com 100% do valor (20 bilhões) em suas próprias mãos.

Dá para dizer que serão mãos pagadoras? Mas o fundamental é que nós, o povo, ainda estaremos com os R$ 25 bilhões em títulos para pagar, integralmente. Pois é garantido o seu pagamento pelo Art.166, parágrafo 3º, inciso II, letra b) da Constituição Federal.

Então, senhores, a discussão aqui não deveria ser entre capitalismo e socialismo, mas sim, entre bandidos que comandam (sem qualquer questionamento eficaz) e sociedade que paga (sem qualquer questionamento eficaz) também.

Ao invés de tratarmos do exato crime, ficamos procurando firulinhas para não atacar o centro real de nossos problemas, qual seja: a bandidagem no comando e nós sem qualquer instância democrática real de impedimento, ou coibição, dos desmandos.

Arremato com uma adaptação do que disse o assessor do Clinton: Não é capitalismo ou socialismo, o verdadeiro problema. É a bandidagem estúpida no comando, estúpido!

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