Bandos de ladrões (de casaca) assaltaram o Brasil de norte a sul

Charge do Junião (juniao.com.br)

Pedro do Coutto

Lendo a edição de quarta-feira de O Globo, passamos a ter, mais do que a impressão, a certeza de que, nos últimos anos bandos organizados de ladrões de casaca assaltaram nosso país de norte a sul, não escapando praticamente setor público algum. Esta perplexidade emerge especialmente das reportagens de Gabriela Valente, Paulo Celso Pereira, Chico Otávio e Juliana Castro, e de Isabel Braga, Letícia Fernandes e Maria Lima. Isso no primeiro caderno.

E no segundo caderno? Neste deparamos com o superproblema da proposta de recuperação judicial da OI, um rombo da ordem de 65 bilhões de reais afetando 2.980 cidades, pouco mais da metade dos 5 mil e 600 municípios brasileiros. A reportagem de Daniele Nogueira, Danilo Fariello, Glauce Cavalcanti, Júlia Cole, Ramona Ordonez e Renan Setti ilumina o panorama extremamente crítico da empresa com fortes reflexos no sistema nacional de telefonia fixa. O que está acontecendo com o Brasil?

TUDO DOMINADO – Bandos organizados, e também desorganizados, tomaram de assalto a economia pública do país. E explodiram a maior parte das pontes sobre as águas revoltas que separam a honestidade da desonestidade, causando prejuízos imensos, cuja recuperação vai demandar pelo menos duas décadas, com previu o ministro Henrique Meirelles em relação à retomada do desenvolvimento econômico e social.

A esfera social sofreu as consequências mais intensas, refletidas e represadas no profundamente negativo fenômeno do desemprego. Pois o dinheiro público, de fato, foi transferido dos legítimos interesses públicos para os bolsos dos ladrões, inclusive em contas instituídas de forma disfarçada em bancos no exterior e trustes operados por fundos financeiros.

CONCENTRAÇÃO DE RENDA – Um dos resultados desse verdadeiro assalto em série foi o de ter fomentado e ampliado ao máximo a concentração de renda. E não para sua redistribuição prevista entre os valores cristãos.

Ao invés de respeitar esse princípio humanístico, ocorreu uma voragem avassaladora, comprometendo líderes políticos, chantagistas, intermediários eternos ligados ao processo de poder, uma subtração direta e indireta dos recursos públicos. Por esse caminho, explica-se bem a falta de atendimento no campo da saúde pública, a falta de repasses financeiros legalmente previstos à educação, as lacunas de sempre na segurança pública.

Para se dimensionar bem a gravidade do sistema corrupto, basta dizer que, no primeiro plano, a vida humana depende da saúde, da segurança, do saneamento básico e da educação.

OUTROS VALORES – O conjunto essencial desses valores foi substituído pela fraude, pela extorsão, pela conivência do crime continuado. Tem-se a impressão, como passam as reportagens de O Globo de quarta-feira, que não se adquire nada nos serviços públicos sem que deixe de ser acrescentada a importância chamada “o por fora”.

Da mesma forma não se contrata obra alguma, seja de que dimensão for, sem que comissões que irrigam os canais da corrupção sejam pagas a alguns e, portanto, cobradas da sociedade brasileira como um todo.

FACES OCULTAS – Os ladrões, até a Operação Lava-Jato, tinham suas faces ocultas e seus nomes não apareciam nos jornais, revistas, emissoras de televisão. Agora, com suas identidades reveladas, passaram a ser reconhecidos pela opinião pública. Suspeitas de ontem transformaram-se nas certezas de hoje.

Um avanço, sem dúvida. Uma forma de estancar milhares de novos roubos. Mas os totais roubados dificilmente poderão ser reembolsados. Milhares de ladrões, infelizmente, saquearam 204 milhões de pessoas. Pois esta é a população brasileira que precisa recuperar, pelo menos a esperança.

13 thoughts on “Bandos de ladrões (de casaca) assaltaram o Brasil de norte a sul

  1. Nos últimos anos bando organizado de ladrões de casaca assaltaram o país de norte a sul.
    Os últimos anos, diga-se de passagem foram os anos petistas. Quando um Presidente da República é incompetente, omisso ou conivente, ou ainda as três coisas juntas, leva um país a desgraça. Como dizia o velho ditado: uma ovelha negra leva um rebanho a perder, com duas ovelhas negras a perda é muito maior e essas ovelhas têm nome: Lula e Dilma.

  2. Para variar os grandes são blindados…

    Deputados usam Lulinha para blindar bancos na CPI do CARF
    Leandro Mazzini
    23/06/2016 06:12
    Um velado acordo de deputados da base e oposição na CPI do CARF, na Câmara, está blindando de convocação os grandes industriais e banqueiros alvos da Polícia Federal na Operação Zelotes.
    Funciona assim: deputados da base do atual Governo apresentam requerimentos de convocação de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula e alvo da Zelotes, em todas as sessões da comissão, e o PT e aliados derrubam.
    Como são muitos pedidos, a fila não anda, e há seis sessões a pauta trava. A reunião termina antes da análise de outras convocações.
    Na sessão de terça-feira, a CPI novamente não avaliou as convocações de André Gerdau, Luiz Trabuco (Bradesco), Joseph Safra, entre outros citados pela PF na Zelotes.
    Completa o rol de enrolados protegidos os executivos de empresas alvo da investigação como TIM, Hipermarcas, Santander, Hyundai-CAOA, Ford e BR Foods.
    Os generais da tropa que blinda os enrolados banqueiros e empresários são Heráclito Fortes (PSB-PI), Arlindo Chinaglia (PT-SP), Aleluia (DEM-BA), Baldy (PTN-GO) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) . Em tempo, Sampaio está de licença médica e não vota há quatro sessões.
    O Blog no Twitter e no Facebook

  3. ” No Brasil quando o crime compensa, muda de nome ” ( Millôr ).

    22/06/2016
    BNDES cria força-tarefa para destravar financiamentos
    Correio do Estado
    A nova diretoria do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) criou uma força-tarefa para avaliar pedidos de empréstimos que estão pendentes no banco desde o governo passado.
    Segundo Marilene Ramos, diretora de Infraestrutura e Meio Ambiente do BNDES, o grupo de trabalho é interno do banco, mas conta com apoio das agências reguladoras e o Ministério da Fazenda. “Há alguns problemas de apresentação de garantias pelos tomadores. Isso sendo resolvido o projeto sairá. Obviamente tem sido difícil porque há muitos desses projetos que envolvem empresas que hoje estão na Lava Jato”, disse Marilene.
    Este seria o caso, por exemplo, do consórcio RioGaleão, responsável pelo do aeroporto do Galeão, no Rio, que tem entre seus sócios a Odebrecht Transport, um braço do grupo Odebrecht para o setor.
    O consórcio, que também é integrado pela Infraero e a cingapuriana Changi, negocia com o BNDES um financiamento de longo prazo para o projeto de ampliação e modernização do aeroporto, no valor de R$ 1,6 bilhão.
    Marilene evitou estimar quando as pendências podem ser resolvidas, mas disse que seriam projetos de interesse para o país. “Eles serão analisados com base nos parâmetros técnicos e, tendo a garantia necessária, vão seguir de forma ágil e desburocratizada, mas com segurança”, disse ela.
    Ao participar de um seminário sobre obras públicas da FGV (Fundação Getulio Vargas), no Rio, Marilene disse que o banco pode liberar os recursos para as obras da linha 4 do metrô fluminense assim que receber um aval do governo.
    Segundo ela, o governo federal não pode dar o aval do financiamento para um estado inadimplente. Por isso, seria preciso aguardar a renegociação da dívida dos governos estaduais com a União.
    Com pagamentos atrasados, o governo do Rio já afirmou que não tem recursos para acabar com as obras sem recursos emprestados pelo BNDES. O valor pedido é de R$ 989 bilhões, sendo metade para concluir o trecho olímpico.
    Na última sexta-feira, 17, o governador interino do Rio, Francisco Dornelles, decretou o estado de calamidade pública no Estado, alegando que a situação financeira impedia honrar compromissos assumidos para a Olimpíada.
    A medida abriria caminho para uma ajuda federal de R$ 2,9 bilhões ao Estado do Rio. A obra da linha 4 do metrô, compromisso para a Olimpíada, seria beneficiada, além do pagamento dos salários dos servidores do Estado.
    Segundo a diretora do BNDES, o departamento jurídico do banco estaria neste momento avaliando a extensão do decreto do governo do Rio sobre seus financiamentos, mas sem um parecer por enquanto. “Não temos posição ainda, mas a decisão depende mais da renegociação em Brasília”, afirmou Marilene. (Correio do Estado)

    • O valor pedido, trazido na matéria “R$989 bilhões” está errado.

      Esse valor absurdo daria para resolver os problemas de logística de todo o território nacional.

      O valor correto deve ser R$989 milhões.

  4. EM TERRAS DE SYR NEI….

    Contrato rentável demais
    Odebrecht ganha muito entregando pouco, no Maranhão
    Empreiteira ganhou contrato de meio bilhão após a Lava Jato
    Publicado: 23 de junho de 2016 às 00:01 – Atualizado às 23:58
    ——–

    Investigadores da Lava Jato estão de olho num rentável negócio da empreiteira que mais se beneficiou da roubalheira no governo federal: a Odebrecht Ambiental, subsidiária de saneamento, cuja especialidade parece ser a de entregar pouco por muitos milhões. A empresa cobra quase meio bilhão de reais para tratar e distribuir água em dois pobres municípios do Maranhão, mas só consegue atendê-los parcialmente. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
    A Odebrecht Ambiental leva R$ 450 milhões, mas contempla só 18,9% da população de Paço do Lumiar e 41% de São José de Ribamar.
    Após a deflagração da Lava Jato, há dois anos, a Odebrecht Ambiental foi uma empresas proibidas de fechar contratos com Petrobras.
    Têm duração de seis anos os dois contratos da Odebrecht Ambiental no Maranhão, fechados em janeiro de 2015, com a Lava Jato na rua.
    Após as revelações da Lava Jato, a Odebrecht colocou à venda sua subsidiária ambiental. Espera arrecadar R$ 5 bilhões .

  5. Enquanto isso nas Cabralinas Olim piadas….

    Rádios da Polícia Civil do RJ são cortados por falta de pagamento
    Redação/RedeTV!
    Mais um serviço no Rio de Janeiro foi afetado pela crise financeira que atinge o Estado. Segundo reportagem da rádio CBN, a Polícia Civil do RJ teve o serviço por rádios Nextel do Centro de Comunicações e Operações, o Cecopol, cancelado por falta de pagamento.
    Ainda de acordo com o veículo, sem comunicação, os policiais terão apenas o próprio celular particular para acionar a central em caso de emergência.

    A CBN teve acesso a uma conversa na qual um policial Civil tentar entrar em contato com o Cecopol e relata o corte nos serviços. Em um dos trechos, um policial reclama: “A gente tem que ligar do nosso bolso agora, pagando. Tá sem dinheiro para pagar a conta. Tá difícil aí de trabalhar”. A Cecopol responde: “Não paga nem o nosso salário, quanto mais a conta”.

    À rádio, a Polícia Civil confirmou o corte nas linhas, mas alegou que o isso foi feito por ”falta de uso”. A Cecopol afirmou que a comunicação com a central deve ser feita apenas através de telefones e rádios fixos nas unidades.

    Já o Sindicato dos Policiais Civis disse que a cancelamento da linhas prejudica o trabalho dos agentes e deixa o atendimento mais lento.

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