Banqueiros, empresários etc., que votaram em Bolsonaro, agora pedem respeito à Constituição

Bolsonaro não ouve ninguém e está cada vez mais isolado

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Ainda que seja muito bem-vindo o manifesto assinado por banqueiros, empresários, economistas e intelectuais defendendo a democracia e atacando os movimentos golpistas do presidente Jair Bolsonaro, é importante ressaltar que muitos do que colocaram os nomes nos documentos apertaram o número 17 nas urnas em 2018.

A justificativa foi a de que valia tudo para derrotar o PT. Portanto, todos sabiam o risco de retrocesso que o país estava correndo com a eleição de Bolsonaro, dado o histórico do presidente, que sempre flertou com regimes autoritários e nunca demonstrou a menor capacidade de comandar um país com as complexidades do Brasil.

PESOU O ANTIPETISMO – Havia boas opções nas quais os donos do dinheiro poderiam ter votado. Basta dar uma olhada na lista dos candidatos à Presidência. Mas pesou o antipetismo. O PT era o grande mal a ser vencido. A opção foi por um incompetente, que se acha acima do bem e do mal. Deu no que deu.

A pergunta que fica é: caso a polarização entre Bolsonaro e o PT se repita em 2022, essas mesmas pessoas que assinam o manifesto defendendo a democracia vão votar pela reeleição do presidente?

Não dá para se posicionar, agora, contra a ameaça de golpe e, depois, endossar nas urnas quem defende um regime autoritário. Seria muita hipocrisia.

DIZ O MANIFESTO – ”O princípio-chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos. A Justiça Eleitoral brasileira é uma das mais modernas e respeitadas do mundo. Confiamos nela e no atual sistema de votação eletrônico. A sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias. O Brasil terá eleições e seus resultados serão respeitados”, diz o manifesto.

Assinam o documento personalidades como os economistas Pedro Moreira Salles, Arminio Fraga, Pedro Malan e Roberto Setúbal; empresários como Luiza e Fred Trajano, Carlos Jereissati Filho e Guilherme Leal; e por líderes religiosos como cardeal dom Odilo Scherer e o rabino Michel Schlesinger, entre outros. Também participam figuras com trajetória na política como Cristovam Buarque, Roberto Freire e Eduardo Jorge.

9 thoughts on “Banqueiros, empresários etc., que votaram em Bolsonaro, agora pedem respeito à Constituição

  1. Bolsonaro foi eleito em cima do ódio e das Fake News.
    Todos que o apoiaram, antes de tudo devem reconhecer o erro.
    É fundamental fazer um exame de consciência para não repetir o erro.

  2. Espero que mais uma vez tenhamos de optar entre dois filhotes da ditadura milico-servil:

    Um representando a ala de Golbery/Geisel

    … e o outro representando Sylvio Frota/Ustra.

    Espero que outra opção menos danosa seja viabilizada.

  3. Felipe Quintas (via Facebook)

    Os liberais, ao privatizarem praticamente todas as empresas e serviços públicos, como já é realidade no Brasil, fazem com que o Estado se torne justamente “o mais frio dos monstros” que eles o acusavam de sê-lo: nada mais do que um cobrador implacável de impostos da classe média, cada vez mais aviltada, e um regulador absolutista de costumes e práticas cotidianas.

    O Estado, então, torna-se mínimo ou nulo para planejar e regular os setores vitais do país, entregando-os à ambição desenfreada de corporações especulativas privadas, mas torna-se máximo, e cada vez maior, para arbitrar aspectos comezinhos da vida segundo diretrizes estabelecidas por essas mesmas corporações, ao preço de impostos extorsivos para manter uma máquina jurídico-administrativa cada vez mais disfuncional. Passa, então, a impor “novas normalidades”, criando passaportes vacinais para entrar em estabelecimentos comerciais, definindo quais gestos e atitudes constituem “opressões” e o quanto valem em termos de indenização, instituindo reservas de mercado (cotas) para determinados lobbies identitários e por aí vai.

    Curiosamente, esse Estado, que deixa de ser nacional para se tornar instrumento de proteção jurídica e de engenharia social a serviço das corporações especulativas privadas, assemelha-se bastante ao que Montesquieu, analisando o Império Turco-Otomano, consagrou na tradição política ocidental como despotismo: a combinação do laissez-faire comercial e financeiro com o intervencionismo autocrático e discricionário sobre a vida das pessoas, instituindo o medo como princípio social e nivelando todos na condição da mais absoluta subjugação.

    Só que os sultões contemporâneos não são os chefes governamentais – que se tornam, no máximo, gerentes locais – mas a plutocracia financista congregada em instituições como FMI, Banco Mundial, Clube de Bilderberg, Fórum Econômico Mundial etc. Gente que, assim como os sultões, mandam muito, mas menos do que pensam, pois, em razão do gigantesco poder que concentram, suas ideias deixam de corresponder aos fatos, ocasionando sua derrota e a ascensão de oligarquias mais “pé no chão”, mais dispostas, pelo menos por algum momento, a negociar melhores termos com os países e as sociedades em troca de apoio e obediência.

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