Barbiere vai revelar os nomes de deputados paulistas envolvidos em corrupção na Assembléia estadual.

Carlos Newton

O deputado Roque Barbiere (PTB-SP), que denunciou um suposto esquema de venda de emendas na Assembleia Legislativa, disse que entregará esta semana ao Ministério Público “indícios muito sérios” da participação de até nove deputados e ex-deputados envolvidos nas irregularidades.

Em entrevista ao repórter Rodrigo Vizeu, da Folha de S. Paulo, Barbiere adiantou que vai marcar uma reunião com o promotor Carlos Cardoso para dar os nomes. “Dá uns oito, nove nomes, tranquilo, que já têm indícios fortes”, afirmou o deputado, mas não quis revelar quais são os envolvidos nem suas bancadas, porque isso poderia atrapalhar a investigação que promove para juntar indícios e testemunhas.

“Quero combinar com o promotor se é conveniente eu divulgar os nomes, deixar que ele divulgue ou nenhum dos dois divulgar até ele terminar a investigação”, disse Barbiere, acrescentando que já tem uma testemunha, cuja identidade não revela, para levar à Promotoria. Ele também revelou que há um prefeito “disposto a depor”, mas que vai deixá-lo para o final, por temor de que a cidade dele “nunca mais receba verba”.

Como se sabe, Barbiere tem denunciado  corrupção na Assembleia Legislativa de São Paulo, por meio de emendas parlamentares, afirmando  que de 25% a 30% dos deputados “vendem” as indicações, que são superfaturadas por prefeituras, em conluio com empresários.

Segundo suas denúncias, a indicação de recursos para locais onde os deputados não têm base eleitoral é um dos indícios do comércio ilegal. E a   Folha de S. Paulo já descobriu que uma emenda parlamentar de R$ 2,2 milhões financiou a compra de equipamentos superfaturados em até 500% para um hospital da cidade de Registro, na região do Vale do Ribeira, a mais pobre do Estado de São Paulo.

A indicação dos recursos foi feita pela ex-deputada estadual Patrícia Lima (PR-SP). O governo do Estado liberou R$ 2,18 milhões para o Hospital São João no 25 de dezembro de 2010, de acordo com o Diário Oficial. Patrícia teve apenas três votos em Registro na eleição de 2010. Procurada pela Folha, a ex-deputada Patrícia Lima (PR-SP), que não se reelegeu, confirmou a autoria da emenda, mas disse desconhecer irregularidades na execução do convênio.

Se esse esquema de corrupção existe na maior Assembléia Legislativa do país, o que devemos esperar dos outros Estados?

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ASSEMBLÉIA NADA APURA

Há mais de15 dias, o Conselho de Ética da Assembleia abriu apuração da denúncia do deputado Roque Barbiere, mas até agora, nada. A última sessão, quinta-feira passada, foi apenas de impasse, com bate-bocas e derrubada de pedidos da oposição para convidar envolvidos a falar.

PT e PSOL acusaram a base aliada do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de estar fazendo uma “operação abafa” do caso. “Tem esvaziamento, sabotagem. Nós não investigamos nada até agora”, disse Carlos Giannazi (PSOL).

A maioria governista derrubou a tentativa de chamar o secretário Emanuel Fernandes (Planejamento), a quem Roque Barbiere disse ter alertado sobre o esquema. O governo nega. Até agora, foi enviado convite formal apenas para o secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB), que é deputado licenciado, ir prestar esclarecimentos ao Conselho.

 

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