Barbosa abriu um flanco desnecessário no combate que trava

Pedro do Coutto

O ministro Joaquim Barbosa cuja atuação no processo do mensalão o tornou um dos principais personagens do país, e inclusive lhe rendeu repercussão internacional, com a palestra que fez no Instituto de Educação Superior de Brasília, abriu um flanco desnecessário no combate que evidentemente continua travando no Supremo em torno da apreciação dos embargos de infringência, recurso com o qual condenados no início do ano no maior processo político do país nos últimos tempos, empenham-se para que suas condenações sejam revistas. Ou, pelo menos, suas penas de prisão sejam atenuadas ou saiam do regime fechado para o semiaberto.
Recursos já foram apresentados e ele, Joaquim Barbosa, como relator os rejeitou. Mas os réus apelaram para apreciação do despacho pelo plenário. O presidente da Corte Suprema avançou muito em suas considerações que, se de um lado refletem junto à opinião pública, de outro expõe seu autor a críticas de parlamentares, às quais vão se unir inevitavelmente as manifestações dos advogados dos réus condenados. Joaquim Barbosa, sem o sentir, uniu seus adversários e se expôs a opiniões contrárias legítimas as quais vão se somar a outras investidas com o objetivo de enfraquecê-lo. Enfraquecendo-o em termos de credibilidade, sensibilidade política e oportunidade. A atmosfera predominante na semana não era oportuna para os ataques que desfechou, embora o episódio da votação da Medida Provisória dos Portos favorecesse à realidade das restrições feitas.
INEFICIÊNCIA
Entretanto sua posição de presidente do STF é por si limitativa para que afirmasse, como afirmou, que o Congresso se notabiliza por sua ineficiência e sua capacidade de deliberar. O Congresso Nacional é inteiramente dominado pelo Poder Executivo, acrescentou. Com a frase, Barbosa colocou o Parlamento numa escala de submissão praticamente absoluta. Temos um órgão de representação que não exerce em plenitude o poder que a Constituição lhe atribui.
A crítica ao Congresso foi principalmente o ponto mais intenso de sua palestra, muito mais forte do que as restrições endereçadas ao sistema partidário do país. De fato, os partidos não atuam, é fato, com base em programas definidos ou ideologias próprias. E tampouco seus líderes, como está acentuado na reportagem da Folha de São Paulo edição de terça-feira, têm interesse em princípios programáticos e ideológicos. Querem o poder pelo poder. A população raramente se identifica com seus representantes, ou – acrescente-se – com os que deveriam representá-la.
Uma questão que atravessa o tempo: se alguém comparar o texto dos programas de todas as legendas vai encontrar inúmeras semelhanças. E também que, não ações práticas, os gestos não confirmam as palavras. Perfeito. Mas, politicamente, não era o momento para que Joaquim Barbosa polarizasse tanto os problemas que enfocou. Sua ênfase abriu um flanco na luta que está empreendendo e ainda vai empreender.
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5 thoughts on “Barbosa abriu um flanco desnecessário no combate que trava

  1. O arguto e experiente Jorn. Pedro do Coutto está correto em afirmar que o Presidente da Suprema Corte, Min. Joaquim Barbosa, abriu um flanco desnecessário na luta que continua travando sobre os Embargos Infringentes da AP-470, quando em recente Palestra no Instituto de Educação Superior em Brasília, criticou duramente o Congresso/Partidos Políticos/Sistema Eleitoral. Mas, se analisarmos sob a ótica de um futuro Candidato a Presidência da República, e forte Candidato, então faz todo sentido a crítica do Min. Joaquim Barbosa. Abrs.

  2. Flávio José Bortolotto
    maio 24, 2013 até 2:50 pm · Reply
    O arguto e experiente Jorn. Pedro do Coutto está correto em afirmar que o Presidente da Suprema Corte, Min. Joaquim Barbosa, abriu um flanco desnecessário na luta que continua travando sobre os Embargos Infringentes da AP-470, quando em recente Palestra no Instituto de Educação Superior em Brasília, criticou duramente o Congresso/Partidos Políticos/Sistema Eleitoral. Mas, se analisarmos sob a ótica de um futuro Candidato a Presidência da República, e forte Candidato, então faz todo sentido a crítica do Min. Joaquim Barbosa. Abrs.
    Bortolotto,
    Seu comentário está como diz o Helio Fernandes:Perfeito!

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