Base aliada do governo já não faz jus à denominação e pressiona Dilma Rousseff

Carlos Newton

A mensagem é mais do que clara. Logo na primeira votação secreta no Senado, depois da divulgação do manifesto em que parlamentares do PMDB exigem mais espaço no governo, por coincidência foi rejeitada a recondução de Bernardo Figueiredo à diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Após longa discussão na qual diversos senadores acusaram Figueiredo de estar sob suspeição por causa de irregularidades apontadas na agência pelo Tribunal de Contas da União, a votação terminou com 36 votos contra a recondução, 31 a favor e uma abstenção.

O principal opositor de Figueiredo foi o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que falou diversas vezes sobre os processos aos quais ele responde. Requião acusou o ex-diretor da ANTT de ocupar o cargo para defender interesses das empresas para as quais trabalhou antes.

“O Sr. Bernardo Figueiredo é um tecnocrata híbrido, defendendo o interesse do setor privado na associação nacional, assinando a concessão e modelando a privatização. Por muito menos este plenário já rejeitou indicações de administradores públicos”, disse o senador paranaense.

Apesar de Requião ter sido apoiado por diversos senadores de oposição, a principal justificativa dos governistas para a derrota é a insatisfação da base aliada do governo. Após a votação, o petista Lindbergh Farias (RJ) disse que a votação teve a ver “com tudo, menos com a ANTT”. “O governo foi derrotado pela base aliada”, disse o senador. Na opinião dele, os aliados mandaram “vários recados” para a presidenta Dilma Rousseff e os integrantes do governo.

Por se tratar de votação secreta, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), admitiu que a margem para dissidências na base de apoio ao governo era maior.

Ele também reconheceu que muitos senadores dos partidos que dão apoio à presidenta Dilma estão insatisfeitos com a maneira como vem sendo tratados pelo governo. Segundo ele, os aliados reclamam que não são recebidos pelos ministros e não têm suas demandas analisadas pelo governo.

Agora, o Planalto terá que indicar outro nome, que precisará passar por nova sabatina e aprovação na Comissão de Infraestrutura, antes de ter o nome analisado pelo plenário da Casa.

Traduzindo tudo isso: o fisiologismo continua imperando na capital, onde os três poderes apodrecidos vivem num mundo à parte, muito longe do Brasil real. É justamente por isso que Brasília é chamada de Ilha da Fantasia.

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