Beco sem saída

Murilo Rocha

A reação do PSDB, mais especificamente do senador Aécio Neves, à ida da ex-senadora Marina Silva para o PSB – para, provavelmente, ser a vice do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na disputa presidencial do próximo ano – é aguardada com certa expectativa no mundo político. O tucano mineiro ainda não se pronunciou após sofrer um golpe duro de uma pessoa com quem até outro dia ele cogitava dividir palanque nos Estados e fazer uma aliança estratégica na briga pelo Planalto. Tudo ruiu no sábado com a fusão da “clandestina” Rede com o PSB.

Aécio e o PSDB ficaram ilhados em nível nacional, restritos mais uma vez a uma frágil aliança com o PPS e o DEM. De segunda força eleitoral e líder da oposição – inclusive ele se apresentou assim a empresários ontem, durante palestra em Nova York – , o tucano mineiro foi rebaixado involuntariamente à condição de terceira força; sua candidatura passa a correr por fora. A polarização PT-PSDB, instalada no país desde 1994, deu lugar à rivalidade agora criada entre PT e PSB. Tal rivalidade é apimentada pela presença de Marina Silva, considerada e tratada por parte dos petistas como uma sonhadora sem base política, uma desertora do Partido dos Trabalhadores.

Em razão desse cenário, começa a cogitar-se qual seria a saída para o senador tucano. Se mantiver a candidatura à Presidência, ele corre o risco de amargar uma derrota contundente, ficando fora do segundo turno e, inclusive, enfraquecendo seu nome dentro do PSDB como opção para 2018. A dedicação à candidatura à Presidência também pode ser agravada ainda pela perda do comando do Estado, o qual os tucanos administram desde 2002, mas já reconhecem não ter um candidato competitivo para 2014. Ou seja, além do fracasso presidencial, Aécio ainda pode perder o governo de Minas, sua base de manobra e vitrine política.

SEM ALTERNATIVAS

O problema é a falta de alternativas. Adiar o sonho da Presidência e se concentrar nas eleições em Minas também pode ser uma espécie de sepultamento político em razão da falta de visibilidade nacional. E se contentar com um papel secundário em uma chapa de oposição não parece ser um ponto considerado no ninho tucano.

Este é, sem dúvida, o momento mais delicado para o partido nos últimos 20 anos e, consequentemente, o momento mais complicado para as aspirações do tucano mineiro. O PSDB está em um beco sem saída e, dificilmente, conseguirá criar um fato político, como fez Eduardo Campos, para provocar uma reviravolta no quadro eleitoral desenhado até agora.

As “raposas” mineiras parecem ter se deixado seduzir pelos olhos azuis do governador de Pernambuco e não se deram conta das articulações do aliado. Eduardo Campos engoliu o PSDB e também engolirá a frágil e informal Rede.

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