Beltrame: corrupção não é só da Polícia, inclui outros agentes públicos

Pedro do Coutto

Em palestra realizada sexta-feira 6, no auditório de Furnas, a convite do presidente da empresa, Flávio Decat, o secretário José Mariano Beltrame afirmou existirem dois obstáculos para a segurança pública no Rio de Janeiro, mas que estão sendo demolidos: a corrupção e a ocupação de territórios  pelo tráfico de drogas.

A corrupção – disse – não é só de uma parte da Polícia, mas envolve outros agentes públicos e se estende a políticos que buscam o voto em áreas dominadas. Mas a influência está sendo reduzida e as regiões antes subjugadas pelo crime estão sendo libertadas. Esta é a função das UPPS, este o papel dos policiais que são fatores de estabilidade social e não de combate estilo militar.

Muito aplaudido ao longo de sua exposição, inclusive por Flávio Decat, Beltrame lembrou que assumiu o cargo em janeiro de 2007 e não encontrou qualquer planejamento na área de segurança pública. Era tudo improvisado à procura de repercussão imediatista nos jornais e emissoras de rádio e televisão. Não havia uma diretriz a seguir.

“Hoje existe um plano sério, consequente, dividido em etapas. Que se desenvolve e desenrola através do tempo. Estou de passagem na Secretaria de Segurança, mas quero deixar mudanças para a atual e as gerações que vão se suceder. Não se pode agir com inércia ou conformismo”. disse Beltrame, que sustentou ver a questão da segurança sob um prisma que inclui ações coletivas.

O consumo do crack, por exemplo. A Polícia desbarata as cracolândias e detém os consumidores. Mas não é suficiente. Eles necessitam atendimento médico contra a dependência em que mergulharam Quem presta assistência? O SUS? Indagou. Todos os dias a Polícia recebe denúncias e apelos de moradores contra pontos de tráfico e uso de drogas. Vai lá, prende, e o que acontece? Dias depois, os mesmos praticantes estão nos mesmos locais. É indispensável uma ação conjunta, sobretudo porque os traficantes dominaram espaços nos quais o poder público estava ausente. Não está mais. A ausência era a brecha para o crime, do qual alguns políticos não estão alheios.

“Muitas vezes em ações concretas em comunidades, moradores perguntavam se, antes, eu tinha falado com este ou aquele deputado ou vereador. Antigamente, era preciso licença para se entrar em favelas. Hoje não existe mais isso. Não tenho a pretensão de diminuir a zero o comércio de entorpecentes ou a contravenção. Porém é extremamente necessário reduzir-se tanto uma coisa quanto outra. A contravenção, por exemplo, o jogo do bicho, quando causava a detenção de apontadores, estes entravam nas delegacias tratando os policiais como amigos e até irmãos, expressão que usavam para saudá-los. No dia seguinte, retornavam aos pontos. Os donos da contravenção moram até em luxuosos triplex na Av. Atlântica”, frisou, referindo-se indiretamente a Anísio Abraão David, presidente de honra da Beija Flor.

Mariano Beltrame destacou a importância de a sociedade colaborar com a Polícia, pois sem esta ponte, este elo, os esforços para a plena democratização da cidade não podem conseqguir êxito. Não se trata de os moradores enfrentarem os bandidos, mas sim criarem nas áreas onde moram uma atmosfera que iniba a ação criminosa. Pois uma das causas da dominação dos morros do Rio era o fato de ladrões praticarem roubos e encontrarem acolhimento nas favelas. Muitas vezes esses ladrões, incluindo menores, agiam por ordem do império do tráfico. Este império está sendo desmontado. O crime não vai acabar, mas será contido numa escala bem menor. Sem a proteção das comunidades, os criminosos vão se espalhar, é claro, e por isso estarão mais fracos.

O secretário de Segurança acrescentou que, ao assumir, a taxa de homicídios era de 40 por 100 mil habitantes. Em 2011, caiu para 28 dentro do mesmo parâmetro. Ainda está alta, mas hoje bem menor do que a do ano passado. “Vamos das sequência ao nosso trabalho com o apoio da opinião pública. Estamos no caminho certo. Não nos desviaremos”, acrescentou.

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