Bernardo Boldrini: de Três Passos para perto de Deus e da elevação aos altares

Bernardo Boldrini, o menino que se faz iluminado

Jorge Béja

Por que existe o mal? Essa e outras perguntas, tais como quem sou? de onde venho e para onde vou? o que existirá depois desta vida? encontram-se nos escritos sagrados de Israel, nos Vedas, no Avestá, nos escritos de Confúcio, na pregação de Tirtankara, de Buda, nos poemas de Homero, nas tragédias de Eurípedes, de Sófocles, nos tratados filosóficos de Platão e Aristóteles. E da resposta — diz João Paulo II, na introdução “Conhece-te a ti mesmo” da Encíclica Fides et Ratio — depende efetivamente a orientação que se imprime à existência humana.

Domingo próximo, 6 de Setembro de 2015, é o dia do aniversário do pequeno Bernardo Uglione Boldrini. Nascido em 6.9.2002 e imolado em 4.4.2014, Bernardo completaria 13 anos!

ELE SÓ QUERIA AMOR

O que aconteceu o país inteiro sabe. Sabe e chora tristeza e ódio. Foi crudelíssimo. Mas a vida dos mártires é sempre dolorosa. Se já não vem ao mundo em meio à dor, o sofrimento da martirização irrompe no curso da vida. Sem clemência. Sem piedade. A todos apanha. Mesmo os de tenra idade, como foi o caso dos inocentes-mártires de Herodes. Bernardo também era uma criança. Tinha apenas 11 anos. Carinhosamente, desde o berço, passou a ser chamado de “Bê”. Faltou-lhe a mãe, e daí em diante restou abandonado. Fora de casa, teve os cuidados de parentes outros, de vizinhos, das famílias de seus amiguinhos… Mas  o que “Bê” queria mesmo era o amor do pai. E não teve. E é através de um blog, de nome inspirado, criado e conduzido por luz que também não é desse mundo, que nossos leitores da Tribuna da Internet poderão saber tudo sobre “Bê”.

(www.elesoqueriamor.blogspot.com.br)

UM BLOG ESPECIAL

É um blog informativo, com dedicação exclusiva a relatar o nascimento, vida e morte de “Bê”. E muito bem apresentado e primorosamente redigido. Divulga ao mundo quem foi Bernardo Uglione Boldrini e noticia e documenta, a cada dia, as etapas e o andamento de todo o processo criminal contra seus algozes. Vejo no seu criador e editor — que não sei quem é e com quem nunca falei — um evangelista do Século XXI.

Mas Bernardo não morreu. Bernardo vive. Não a vida temporária que a bestialidade humana com ela acabou. Ele vive a vida que não morre, porque emancipado do carinho e do amor que buscou, que não teve e que agora distribui a todos nós. “Bê” não cessa de nos amar, de pensar em nós e por nós. Todos nós. Basta nele direcionar o pensamento e pedir que ele vem e cuida de nós. É a dulcíssima imortalidade, necessariamente imaterial e incorpórea.

OPERANDO MILAGRES

E que toda a humanidade saiba que este nosso Bernardo, de Três Passos, a exemplo de Bernardo, da Borgonha do Século XII, já opera milagres com sua intercessão. Peçam, que serão atendidos.

Como é misterioso o Reino dos Espíritos. É metafísico. É transcendental. Situa-se fora e além do conhecimento e mesmo da percepção humanas de todas as gerações, passadas, presentes e futuras. Podemos apenas admirar sua imensidão inalcançável e sentir suas projeções em nós. Mas — perdão, professor Rivail — compreender o mistério ou tateá-lo, jamais.

A PEQUENA TRÊS PASSOS – RS

E não tema, caríssimo Irineu Coelho, que a pequena Três Passos, do nosso Rio Grande do Sul, com cerca de 25 mil habitantes, venha ter seu nome inscrito na História como a cidade que “teve o infortúnio de ser o local onde moravam alguns monstros que detestavam crianças”. A Três Passos de todos nós brasileiros, Irineu, começa a despontar como a cidade de “Um Menino Santo, de nome Bernardo”, como previsto por Antonio Cechin, o irmão marista e militante dos movimentos sociais e ambientais.

A nossa Três Passos, de Bernardo, é tão sacra quanto a também pequena Riva, de Domingos Sávio; quanto Assis, de Francisco; Narvonne, de Sebastião; Lima, de Rosa; Pádua, de Antonio; Ávila, de Teresa; Roma, de Tarcísio; Guaratinguetá, de Antonio de Sant’Ana Galvão; Salvador, de Maria Rita Pontes (Irmã Dulce); Rio de Janeiro; de Odetinha, Guido Schaffer e Araceli Crespo…

E que a constatação de Odilo Scherer, quando o Cardeal falou sobre o “caso Bernardo”, de que “as crianças e os idosos na sociedade ficam invisíveis e sem vez”, desapareça uma vez por todas de nosso país e de todos os povos. E em seu lugar pontifiquem o carinho e o amor. Sempre. Bernardo viajou de Três Passos para ficar perto de Deus e na elevação dos altares. Bernardo, rogai por nós.

 

10 thoughts on “Bernardo Boldrini: de Três Passos para perto de Deus e da elevação aos altares

  1. Artigo incisivo, pungente, que nos faz refletir sobre o sentimento maior da espécie humana, o amor, que, no entanto, está sendo vulgarizado e desaparecendo porque substituído por novos sentimentos e emoções triviais, prazeres e sensações momentâneas.
    Na condição de pai e avô, causa-me revolta e indignação a forma como as crianças estão sendo geralmente tratadas pelos seus familiares.
    Constata-se distanciamento, falta de carinho, abandono dos filhos pelos pais, a pouca devoção das mães, que buscam por companhias para compensar a solidão que se encontram depois de deixadas pelos seus esposos ou companheiros.
    Tais comportamentos refletem nos filhos, que se sentem rejeitados, que os levam a crer que seus pais não lhes amam, então a súplica por afeto, atenção e afago.
    Bernardo, o guri, gaúcho, é mártir de um tempo que se identifica com o egoísmo, com as pessoas se colocando à frente de suas crias, antecipando seus sentimentos às necessidades de seus pupilos, e deixando-os de lado em nome da satisfação pessoal, do objetivo alcançado, da conquista obtida.
    A criança sofre, padece deste desprezo que seus pais lhe demonstram diariamente.
    Os filhos de pais que os abandonaram carregam para o resto de suas vidas um espaço vazio dentro de si, que jamais será preenchido, mas abrem lacunas que serão tomadas pela dor, pela tristeza, por um fardo quase que insuportável de ser conduzido porque rejeitado pelo sangue e carne que lhe deu a vida, que o trouxe para este plano, hoje mais de expiação que alegria, mais de flagelo que satisfação.
    Tenho muita aflição pelas crianças vítimas de pais insensíveis, que colocam suas carreiras profissionais e relações pessoais acima de seus filhos, e que muitas vezes os culpam também pelos seus fracassos ou dificuldades de vencer as dificuldades.
    Causa-me verdadeiro flagelo eu assistir crianças maltratadas, sem os cuidados devidos, pois seus genitores não podem sustentá-las, então estão condenadas a uma existência destituída de necessidades básicas, quanto mais de conforto e de um lar aconchegante.
    Bernardo, o guri, gaúcho, que tem o mesmo nome do meu terceiro neto em ordem cronológica, de quem nasceu primeiro para o mais recente, teve um lar que não lhe faltavam comida, bebida, roupas, entretanto, não havia o fundamental à sobrevivência de uma criança, o amor, sentir-se amada, querida, vital à sua felicidade mesmo sem alimentos e vestimentas suficientes, que lhe compensaria o frio e a fome o carinho de seu pai, pois a mãe havia falecido, e restava-lhe tentar oferecer ao seu filho uma forma de atenção e afeto que o guri não precisasse implorar por atenção, por um pouco de afeição, por um pouco que fosse do amor que seu pai nutria pela madrasta.
    Bernardo, guri, gaúcho, foi morto porque suas súplicas não atingiram o coração de seu pai e de sua companheira, protegidos que estavam pelo egocentrismo, pelo escudo de prazeres exclusivos, fortalecidos pelos bens materiais que possuíam, então inexpugnáveis à compreensão, à solidariedade, a sujeitarem-se gostar daquela criança que lhes perturbava o idílio dos amantes, conduta condenável, portanto o castigo mortal, em consequência!
    O guri, gaúcho, de nome Bernardo, da localidade de Três Passos, RS, uma cidade pequena, sem as tentações e crimes das cidades maiores, das capitais de Estados brasileiros, curiosamente não conheceu a violência dessas megalópoles, pois veio a sofrer dentro de sua casa, na sua bucólica e pacata cidade do interior, formas de torturas as mais selvagens através de seu pai, da sua madrasta, e de outras pessoas que auxiliaram os criminosos, quanto ao descaso, ao desamor, ao desprezo, daqueles que deveriam amá-lo, ajudá-lo, ampará-lo e fazer-lhe feliz.
    Bernardo foi o mártir de um tempo que desconhecemos, de sentimentos humanos ainda indecifráveis pela crueldade, pela frieza, insensibilidade, maldade, que nos obrigam a refletir sobre nós mesmos, a respeito do que somos, daquilo que aceitamos e que deveria ser repudiado, e que nos obriga a abraçar nossos filho e netos e declarar o nosso amor para eles diariamente, com vontade, afeto, beijos e abraços, em, homenagem ao Bernardo, guri, gaúcho, nome de um dos meus netos, que morreu sem ouvir de seu pai que este o amava, que lhe queria bem, e que Deus o abençoara por tê-lo como filho.
    Bernardo foi imolado por um ser humano desconhecido?
    Bernardo, o mártir, nos apresentou a dimensão extrema do egoísmo de um homem e uma mulher?
    Ou Bernardo foi morto para que ressuscitássemos dentro de nós o amor, que está morto, e que nos impede de dizer às nossas esposas e filhos que os amamos, e que temos de ouvi-los, prestar-lhes atenção, e de nos dedicarmos às suas vidas porque somos responsáveis pelas suas felicidades e, em decorrência, de todos nós?
    Bernardo, guri, gaúcho, nome de um dos meus netos, não é santo porque foi morto violentamente pelos seu pai e sua amante, não.
    Bernardo é santo porque imolado para nos alertar que não devemos deixar que junto com ele permitamos que o amor seja também enterrado em local desconhecido, de modo que naquele sepulcro abandonado no meio da mata, enterremos a essência divina que nos foi concedida:
    A paternidade, o amor que nos dá a vida!
    Muito obrigado, meu caríssimo Dr.Béja, que irradia luz e esperança através de seus escritos irrepreensíveis, cultura e conhecimentos mediante artigos incomparáveis, orientação e informação conforme necessidade de nos fundamentarmos em leis, códigos e normas vigentes.
    Eis uma das formas de amor, esta consideração que o senhor tem pelo próximo, certamente com base na educação religiosa primorosa que obteve, que o move de maneira tão admirável com relação ao ser humano porque lhe devota tanta consideração e respeito!
    O meu forte e fraterno abraço, reiterando elevada estima e admiração pelo bondoso coração e alma caridosa, que divide com os demais a privilegiada inteligência e afeto inigualável pelos filhos de Deus!

    • Que inspirado, verdadeiro e maravilhoso comentário-artigo, mais um, deste também gaúcho, também avô de outro Bernardo, e que sabe ser pai, irmão, esposo, avô e que temos a graça de tê-lo como leitor, articulista e comentarista deste blog: Francisco Bendl.
      Obrigado,
      Jorge

  2. Humildemente peço perdão pelo seguinte:
    Onde escrevi, ” por um fardo quase que insuportável de ser conduzido porque rejeitado pelo sangue e carne que lhe deu a vida, que o trouxe para este plano,” …
    Por favor, lê-se:
    … por um fardo quase que insuportável de ser conduzido porque rejeitado pelo sangue e carne que lhe DERAM a vida, que o TROUXERAM para este plano.
    Obrigado pela compreensão.

  3. Jorge Béja, parabéns pelo inspirado artigo que me levou às lágrimas. Com certeza o Bernardo está à direita do Pai, também, orando e perdoando seus algozes, pois o Bem sempre sobrepujará o Mal.

    • Jorge e Geraldo Andrade, lá do Céu, perto de Deus e intercedendo por todos nós, Bernardo vive e cuida de todos, até mesmo de seus algozes.
      Em nome de Bernardo,
      Por Bernardo,
      Muito Obrigado.
      Jorge Béja

  4. Meu humilde parabéns, Jorge Béja. Bernardo tinha carinha de santo. Será que, por isso, sofreu tantos horrores nas mãos do pai e da madrasta monstros ?!

    • O rostinho de Bernardo expressa tristeza e dor. E desde quando foi imolado, 4 de Abril de 2014, ascendeu às alturas, para um reino que não é deste mundo, de onde o amor e o carinho que não recebeu ele agora distribuiu a todos que o invocam e a ele pedem sua intercessão. “Amei e fui amado. Dei muito e recebi muitas coisas”, disse o escritor e neurologista Oliver Sacks, bem perto do dia da sua morte. Disse e deixou escrito. E assim Sacks se despediu de nós. Já o nosso Bernardo de Tres Passos procurou o amor do pai e não encontrou. Deu tudo de si para alcançá-lo e recebeu o martírio e morte.
      Por Bernardo
      Com Bernardo
      agradeço.

  5. Prezado Dr. Béja

    Comovente, tocante, imaterial. As palavras, mesmo as das vozes mais harmônicas e eruditas que pontificam neste espaço, quedam-se silentes diante do martírio.
    Abraços fraternos.

  6. Um registro. O blog especial de que fala o artigo ( http://www.elesoqueriamor.blogspot.com.br) dedicado exclusivamente a noticiar o nascimento, vida e morte de Bernardo e as etapas do processo criminal contra seus algozes (não sei quem seja seu editor, com quem nunca falei), reproduz hoje, 7 de Setembro, um dia após o aniversário de 13 anos de Bernardo, a íntegra deste artigo, em português e vertido para mais de 100 idiomas, com a indicação do seu autor e da fonte, Tribuna da Internet. Me comove. Agradeço. Agradecemos todos, nosso editor Jornalista Carlos Newton, demais articulistas, leitores e eu.
    Do Rio de Janeiro para Três Passos (possivelmente a cidade de onde o blog de Bernardo é gerado),
    Jorge Béja

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