Bill Clinton e o desemprego estrutural

Paul Krugman

Estou um pouco aborrecido com Bill Clinton: ele simplesmente se apoderou de uma frase que costumo usar, mas não para ser levado a sério. Veja, em palestras sobre economia, com frequência afirmo que tenho uma posição diferente de outros estudiosos, porque conheço algo que muitos jornalistas políticos não sabem, ou seja, aritmética. Nunca consegui afirmar isso sem ser acusado de ter roubado a frase do Big Dog.

Mas falando sério, foi um discurso surpreendente. Clinton não é apenas um talento político formidável, mas tem uma capacidade de tornar qualquer coisa muito técnica e complicada acessível e convincente. Claro que ele tem uma grande vantagem sobre supostos especialistas do outro lado (ainda balanço a cabeça com a implosão Ryan), ou seja, as conhecidas distorções liberais dos fatos.

Mas, você sabe que existe um porém – Clinton cometeu um erro no qual tem persistido há anos. Ele se aferra à noção de que temos um grande problema do desemprego estrutural:

“Naturalmente precisamos de um número muito maior de empregos. Mas já existem mais de três milhões de vagas abertas e não preenchidas nos EUA, especialmente porque as pessoas que se candidatam não têm as competências exigidas para o cargo”

Ele afirma isso há anos. Mas não é verdade – até mesmo os economistas republicanos concordam.

No contexto da convenção, isto não é importante. Mas espero que, se reeleito, Obama não caia na armadilha estrutural.

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