Black Bloc no Brasil: ‘Atacar bancos não é vandalismo, é performance!’

Willian Vieira e Piero Locatelli (Carta Capital)

Quebrar bancos não é violência, é performance. Esta é opinião de uma manifestante dos black blocs, tática que vem ganhando adeptos no Brasil. Participante dos protestos em São Paulo, que resultaram na quebra de bancos e concessionárias, Roberto (nome fictício), de 26 anos, falou com a CartaCapital por e-mail sobre as ações. Ele explicou sua insatisfação com partidos, e os motivos que o leva às ruas para depredar símbolos capitalistas. Leia a entrevista abaixo:

CartaCapital: O que o motiva a fazer parte de um black bloc? São insatisfações com o sistema político, com partidos, com o capitalismo e o tipo de democracia que vivemos? Ou são outras razões mais específicas?

Roberto: O Black Bloc foi uma estratégia nascida em seio anarquista. Portanto, o que nos motiva é uma insatisfação com o sistema político e econômico em que vivemos. Para mim, as duas coisas são indissociáveis e têm problemas com raízes muito mais profundas do que partido X ou partido Y.

CC: De quantos protestos já participou, fazendo black bloc? Qual o primeiro?
Roberto: Fazendo Black Bloc, já foram três protestos. O primeiro foi o ato pela democratização da mídia, do dia 11 de julho. Mas antes já tinha participado de outras ações diretas, sem necessariamente a identificação com o Black Bloc. Por exemplo, os dois últimos atos pela redução da tarifa do transporte público, com a ação de queimar bandeiras do Brasil.

CC: Por que decidiu ir aos protestos e fazer parte do Black Bloc?
Roberto: Decidi ir porque considero a ação direta uma estratégia tão importante quanto a não-direta. Nossa sociedade vive permeada por símbolos, e saber usa-los é essencial em qualquer demanda, seja ela política ou cultural. Participar de um Black Bloc é fazer uso desses símbolos para quebrar preconceitos e condicionamentos. Não só do alvo atacado, mas até da própria ideia de vandalismo. A sociedade tende a considerar a depredação como algo “errado” por natureza. Mas se nós sabemos e admitimos que os alvos atacados, em sua maioria agências bancárias até o momento, não foram realmente prejudicados – ou seja, os danos financeiros são irrisórios – qual é o real dano de uma estratégia Black Bloc? Por que deveria ser considerada errada a priori?
Não há violência no Black Bloc. Há performance.

CC: Não tem medo de ser preso ou de ser violentado pela polícia? Como lida com isso?
Roberto: Claro que tenho medo. Que ótimo que eu tenho medo. Existe o medo que paralisa e existe o medo que impulsiona. Lidamos com nosso medo nos organizando melhor, planejando nossas ações e debatendo cada estratégia.
Lidamos com nosso medo não sendo pegos.

CC: Você não se sente representado pelos movimentos sociais ou partidos? Por quê?
Roberto: Sinto-me “representado” por diversos coletivos ligados a movimentos sociais, como o MPL (Movimento Passe Livre), o DAR (Desentorpecendo A Razão), o CMI (Centro de Mídia Independente), a Marcha das Vadias etc. Existem outros que apoio fortemente, apesar de não poder dizer que me sinto representado porque isso seria hipocrisia: não é o meu perfil que eles querem (e devem) representar. Como exemplo, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Não me sinto representado por nenhum partido político. Veja que a conotação de “representação” aqui é outra. Não me sinto representado por partidos porque não sou a favor de uma democracia representativa, mas sim de uma democracia direta. A forma como os partidos políticos estão configurados atualmente serve apenas dentro da lógica da democracia representativa.

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9 thoughts on “Black Bloc no Brasil: ‘Atacar bancos não é vandalismo, é performance!’

  1. Sem ser parcial, pró- Black Block, mas me lembro agora que o lucro líquido de um banco privado (em 2012, se não me engano)foi de 13 bilhões (R$13.000.000.000). Quanto ganha um caixa de banco?? por volta dos R$1600,00 o sal. base.

  2. Quebrem os bancos! Por favor nao se esqueçam de quebrar o patrimônio dos políticos e de seus familiares. Gostei, sobretudo, do final do artigo. Tambem nao me sinto representado por nenhum partido. Alias, nao me sinto representado por nenhum dos mais de 500 congressistas. Chega de democracia representativa (indireta). Mesmo porque, a tecnologia já nos permite exercer o poder de forma direta. É possível.

  3. Mesmo que um caixa de banco ganhe 2500 R, duvido que no Rio ele consiga pagar um aluguel de um quarto e sala e pagar condomínio entre a Tijuca e o Meier, quanto mais começar o mês comprando sabonetes para não chegar fedorento no banco. Na zona sul do Rio um barraco de favela já custa quinhentos. Lá em cima do morro e sem direito à vista, porque aí então é mais caro pelo panorama.

  4. O NEGOCIO CERTO MESMO NAO SERIA ATACAR BANCOS, MAS SIM OS BANQUEIROS. QUEM SABE COM PRESSAO POPULAR E O SISTEMA COMECANDO A BEIRAR O SELVAGERISMO(NAO O CAPITALISTA PRATICADO POR ELES) MAS O DE ATAQUES PESSOAIS COM RISCO DE MORTE. TALVES ENTAO ESSES FILHOS DA PUTA TOPASSEM RENEGOCIAR ESSA DIVIDA PUBLICA RIDICULA, MAL EXPLICADA, ONDE A DIVIDA TEM ORIGEM DUVIDOSA, E OS VALORES TAMBEM. MAS E ESSA DIVIDA PUBLICA QUE TEM SECADO OS COFRES PUBLICOS, PARA PAGAR JUROS EXORBITANTES. DINHEIRO QUE PODERI SER INVESTIDO EM MELHORAR O PAIS, TORNA-LO MAIS HUMANO E DIGNO PARA TODOS OS BRASILEIROS, E NAO PARA UM MINORIA. NO MEIO TEMPOR, QUEBRA A PORRA TODA, TACA FOGO NESSA MERDA. E UMA PIADA SE FALAR EM ORDEM NUM PAIS DESSE. ESSA ORDEM SERVE A QUEM????? A SUA ORDEM E MEU CAOS DIARIO.

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