Blefes e carta na manga

Carla Kreefft

O pior parceiro de truco é aquele que blefa tão bem que costuma enganar até o próprio parceiro. A tática dele é extremamente arriscada. Dá muito certo, quando o blefe é acreditado pela dupla adversária. E, por outro lado, é a derrocada total, quando quem blefa é chamado a apresentar suas cartas. Pior ainda acontece quando o parceiro do blefador acredita e vai para a mesa fechado, apostando que seu aliado é capaz de segurar o jogo sozinho.
Esse período pré-eleitoral é muito parecido com um jogo de truco entre parceiros que não se conhecem muito. É o momento de cada um estudar a forma de jogar o outro. PT e PSDB já estão fazendo isso. Embora um não seja desconhecido do outro, há fatores novos nesse pleito que sugerem um jogo cauteloso, apesar da grande antecipação do debate eleitoral de 2014.

O fato de o PSDB ter, pela primeira vez, o senador Aécio Neves como candidato a presidente é um dos diferenciais. A candidatura dele, de certa forma, coloca Minas em uma situação de evidência. O que fica ainda mais acentuado, considerando-se que a candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff, também é mineira. Pela primeira vez, o PSDB poderá ter um candidato que não seja paulista.

O deslocamento do eixo de poder de São Paulo para Minas Gerais implica táticas, no mínimo, diferenciadas. Os dois partidos precisam ter palanques muito fortes no Estado. E, não há dúvida, que os dois candidatos ao governo de Minas terão fortes relações com os presidenciáveis. No caso petista, não há muita dúvida, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, deve ser o candidato ao governo de Minas. Ele é muito próximo de Dilma e não deverá sofrer, ao contrário do que ocorreu em outras eleições, nenhuma resistência interna do seu partido.

SITUAÇÃO NEBULOSA

 

Pelo lado do PSDB, a situação anda mais nebulosa. Além de nomes tucanos, como o do presidente da Assembleia de Minas, Dinis Pinheiro, o presidente do partido em Minas, Marcus Pestana, e deputado federal e secretário de Ciência e Tecnologia, Narcio Rodrigues, é possível que o vice-governador de Minas, Alberto Pinto Coelho, também concorra à condição de candidato ao Palácio Tiradentes.

Outro ponto importante relativo à Minas, não é recomendável que haja palanques duplos. Em outras palavras, partidos que são da base do PT em âmbito nacional e do PSDB em Minas terão que escolher o lado. É uma espécie de verticalização forçada.

Assim, o que resta aos partidos, por enquanto, é tentar fazer o adversário acreditar que ainda cartas que não foram colocadas na mesa. Mas é blefe, as alternativas já estão aí para os dois lados e não há nenhum ‘quatro de paus’ escondido na manga de ninguém,

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4 thoughts on “Blefes e carta na manga

  1. Manifestação de brasileiro deixa a desejar…
    BRASIL + CARAS PINTADAS É= A PIZZA
    Conheci aqui em Salvador um Cubano em Férias (Não, não foi Fidel que lhe deu férias), o mesmo através de um intercâmbio veio estudar economia na Unicamp.
    Tomando umas cervejinhas com esse gente boa ele me argumenta sobre a questão dos caras pintadas terem tirado o Collor do poder.
    Com uma piada desta quase me engasgo com a cerveja.
    Será que ele estava me gozando?
    Bom, tive que lhe dizer o seguinte: “Prezado, o povo deste país é apenas um detalhe, quem tirou Collor do poder foram os próprios que lá o colocaram. Aqui se colocou na cabeça de nós povão que os caras pintadas derrubaram um presidente…”
    Manifestação de Brasileiro nas ruas na maioria das vezes tem que: Ter Samba, carnaval, cantar o hino nacional, o líder ir ao Jô e depois se candidatar a deputado federal e a líder ser convidada para ir ao Jô e depois posar na Playboy e mais balelas e mais outros blás, blás, blás…
    O jornal do Brasil pesquisou sobre os Caras pintadas e descobriu que seus ídolos preferidos eram Xuxa, Ayrton Senna…
    só faltaram incluir Chapeuzinho Vermelho, o Lobo Mau, Cinderela… esse povo pensa? Um povo culto, politizado, que sabe pensar leva a sério e tem como ídolo a Xuxa?
    Segundo a ONU, o país da América do Sul onde o povo é mais politizado é o Chile.

    Puxei da Internet este texto sobre o Movimento popular na França em 1968:
    “O pretexto foi uma vulgar reforma do ensino, pensada pelos donos do poder. Mas as razões profundas eram tensões, tédios e insatisfações que se haviam acumulado na sociedade, particularmente entre os jovens; sem elas maio não teria sido possível e as ruas não se teriam enchido, nem o movimento ultrapassaria os muros das universidades, se espalhando como uma mancha de azeite pelas periferias operárias.”
    Lá funciona.

  2. Numa entrevista dada ao Mário Kertész o Sebastião Nery diz:
    – O Collor achava que o apoio popular que ele tinha, os outros não tinham. “Eles não têm coragem de fazer nada con¬tra mim”.
    Eu disse: “Collor, esse apoio popular, o doutor Roberto Marinho tira com uma novela. E não é que ele fez a novela? Foi aquela ‘Anos Rebeldes’, cheia de sacanagens contra Collor. Aí a Globo começou a organi¬zar a derrubada do Collor. Por-que o Collor falhou com o Roberto Marinho. Marinho tinha uma empresa que trabalhava com satélite e estava aliado aos alemães e canadenses para o primeiro satélite brasileiro. E evidente que o presidente da República não assinou”.
    E em outra ocasião o mesmo Sebastião Nery escreveu que uma das coisas onde o Collor falhou foi não ter recebido os donos das empresas de mídia do Brasil. Ele até cita que o Collor não aceitou receber em audiência o dono do grupo Abril.
    Não que eu ache que um presidente deva dar satisfações a Globo, revista Veja, Folha de S. Paulo…
    Mas como estamos no Brasil…

  3. Deu em que as Diretas Já? De que adiantou um milhão de pessoas em praças públicas pedindo por eleições diretas?
    Sabem o que aconteceu? Eu sei + ou menos, estudei pouco, mas este pouco serviu para desatrofiar boa parte dos meus neurônios e entender um pouco de como funciona a classe política deste país.
    O presidente da época era o Figueiredo.
    O Dante de Oliveira (Antes de morrer esse moço era filiado ao PSDB de FHC e que se aliou ao PFL) lançou para votação a emenda das “diretas já” pedindo eleição direta para presidente.
    Podem não acreditar, mas eu tinha certeza de que este projeto não passaria, pois já sabia há tempos como funcionava a política deste país.

    “Pois bem, tinha um tal Gastone Righi que me parece ser o principal membro do PTB.
    Ele com seu PTB diziam ser oposição ao governo. E foram, até o dia que este mesmo governo lhes deu em troca do apoio de sua bancada, cargos de presidente e diretorias em estatais.
    Pronto, funcionou o toma lá e me dê cá. Daí a emenda das diretas foi pras cucuias.”

    Este texto sobre o PTB eu escrevi e postei como comentário desde 2006/2007 em alguns blogs. Mas como minha memória não é de elefante, o tempo tá passando e às vezes nos dias de hoje até duvido do que li no passado. Sobre o que escrevi neste texto me lembrava, mas fico temeroso em escrever algo inverídico, daí fui ver a biografia do PTB e nela diz:
    “Apesar do atual PTB declarar-se em seu programa como nacionalista, defensor da autonomia sindical e dos direitos trabalhistas consagrados na CLT, sua praxe política tem sido de colaboração com o governo em exercício e de defesa de políticas neoliberais. Apoiou o governo Figueiredo no Congresso a partir de 1983, obtendo, em troca, cargos de direção em órgãos públicos. Viria a apoiar também todos os governos seguintes: os de José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. É, portanto, um partido de tendências adesistas, adepto do fisiologismo.”
    Tão vendo, eu tinha razão, o PTB sempre está à venda por trinta dinheiros.

  4. Ainda sobre as diretas Já.
    Algumas pessoas pensam que no Brasil só se encontram demagogos e picaretas dentro da política, antes fosse.
    Conheço (Claro, não pessoalmente) vários que não militam na política.
    Basta dizer que dentro de templos evangélicos têm picaretas imaginem em outras instituições.
    Vou citar um cara que não é picareta, mas deu uma de demagogo pra cima do povão. Nos seus bons anos de futebol ele aplicou a lei da demagogia pra cima dos bobos que acreditam em Papai Noel.
    Antes da data da votação das “Diretas Já” na Câmara Federal o jogador Sócrates estava sendo comprado por uma fortuna acho que pela Fiorentina da Itália.
    Pois bem, o jogador espalhou pela mídia que se a emenda das diretas passasse, digo, fosse aprovada o mesmo não sairia do Brasil para jogar no futebol estrangeiro.
    Ô Sócrates, você quis enganar a quem? Estás subestimando a inteligência das pessoas? Você acha que todo brasileiro acredita em historinhas da carochinha? Haja como seu xará da antiga Grécia, humildade meu caro.
    2 coisas:
    1º Sócrates abria mão de fazer sua independência financeira através de milhares de dólares em pro da sua pátria e seus amados súditos (que bonzinho, é a madre Teresa tupiniquim).
    2º Eu um cara de pouca cultura sabia que o governo Figueiredo ia articular sua base de apoio para compra de políticos (o que é normal na política do Brasil), imaginem o Sócrates não saber, um homem letrado, um dos poucos jogadores a ter curso superior.
    + DEMOGOGIA: Quando estavam fechando o contrato do Sócrates em algum lugar lá pela Av. Paulista o jogador estava presente e segundo a imprensa o mesmo se aborreceu e ameaçou se retirar do local alegando que ele não era mercadoria para ser negociado daquela maneira.
    Tadinho, vendo seu contrato ser fechado e sentindo milhares de dólares entrando em seus bolsos um dos “heróis” das diretas se aborrece.
    Só faltou dizer: Olha, eu não quero ser rico. Será que não disse?

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