Bloomberg: caso de invasão de privacidade na Internet

Pedro do Coutto

Excelente a reportagem de Nelson de Sá, Folha de São Paulo de 14, sobre a explosão na imprensa internacional do caso envolvendo a Agência Bloomberg, uma das principais do mundo, e vinculada a um sistema de comunicação que inclui um canal de televisão, emissora de rádio e publicações impressas. A Agência, que fornece dados financeiros em terminais exclusivos, sob assinatura, possui 315 mil assinantes em diversos países, inclusive no Brasil.
Agora está acusada de espionar clientes de seu próprio serviço, segundo o New York Times publicou, acentua Nelson de Sá. Os repórteres da agência eram inclusive treinados para usar um mecanismo interno que permite rastrear as consultas dos assinantes nos terminais. Centenas teriam agido assim, o que é incrível. Mais incrível ainda a decisão  de que nenhum será demitido, de acordo coma informação à imprensa da direção da Bloomberg.
O erro é indesculpável – afirmou o editor chefe da Bloomberg News, Maheww Winkler, lembrando ser ele o autor do guia ético para repórteres e editores. Acrescentou que as informações acessadas eram genéricas, não incluindo decisões de compra e venda que a prática vinha sendo mobilizada desde a década de 90. Ora, digo eu, se não envolvia operações de compra e venda e de informação privilegiadas, porque motivo a espionagem era feita? Não faz sentido. Algum motivo forte teria que haver. E como sempre acontece, voltado para o lucro financeiro. O prefeito de Nova Iorque, maior acionista do grupo, não quis comentar a liberação da notícia. Disse ter se afastado do grupo que inclusive leva seu nome quando foi eleito.
CONTROLE
Fatos como esse representam uma face da Internet que necessita ser controlada, mas que, ao mesmo tempo, é muito difícil de organizar. Com a Internet, qualquer pessoa munida de um computador se transforma de unicamente receptor a também emissor de informações. O espectador passa à categoria também de produtor. Até aí tudo bem. Porém a questão se complica quando o usuário da tela mágica se investe da condição de invasor. Não são poucos os casos, pelo contrário, as fraudes, clonagem de cartões, cópia de senhas, tudo convergindo para invasões ilegais. No caso da Agência Bloomberg, a busca de caminhos capazes de conduzir a grandes negócios. Afinal, o presidente do Banco Central dos EUA, Bem Bernanke, figura na relação de clientes. Ou pelo menos figurava. Empresários de porte, também.
O jornal inglês Financial Times divulgou a respeito do caso ter localizado mais de 10 mil mensagens confidenciais trocadas por seus assinantes de 2009 a 2010, e mantidas on line pela Bloomberg. Somente foram retiradas do ar após o Financial Times entrar em contato com a direção do grupo. Como se verifica, o sistema é amplamente vulnerável. Não só pelas ações dos hackers, mas também pelo trabalho das próprias empresas de comunicação. Estranho, sobretudo, que a direção do grupo tenha afirmado que ninguém seria demitido. O que equivale a dizer que, internamente, ninguém será responsabilizado. Individualmente.
Só este aspecto do episódio leva à certeza aparente que a invasão de  privacidade interessava à própria empresa. Caso contrário, o posicionamento seria outro. Vamos ver o que vai acontecer. Mas o exemplo é uma forte advertência do cuidado que todos devem ter ao acessar informações através das telas da Internet.
This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

2 thoughts on “Bloomberg: caso de invasão de privacidade na Internet

  1. A Agência Bloomberg, entre outras coisas, vende Análises Financeiras para Investidores. Possui uma Carteira Internacional de mais de 315.000 Clientes, assinantes de Terminais exclusivos. Ao mesmo tempo que fornece as Análises, dialoga com os Clientes e eventualmente solicita informações. É possível que peçam balancetes/balanços/opiniões, etc, até aí, tudo bem. Devem usar parte desses dados em suas Análises. O fato de usarem um Programa que permite rastrear as consultas dos Clientes nos Terminais, não me parece ilegal. O que pode ter gerado o problema levantado pelo New York Time, talvez seria deixar esses dados dos Clientes, onLine. Não erra muito, quem considerar que: tudo o que transita pela Internet, é Público. Assim como o grande Presidente Getúlio Vargas, já naquela época, “nunca falava ao Telefone”, nós nunca devemos usar a Internet, se queremos privacidade total. Abrs.

  2. Pingback: Bloomberg: caso de invasão de privacidade na internet! | Debates Culturais – Liberdade de Idéias e Opiniões

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *