Bolsonaro aparece de surpresa em sessão de despedida de Toffoli no STF e ouve críticas indiretas de ministros

Moraes lembrou o quanto o Supremo e os ministros foram ameaçados

Carolina Brígido
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes fez nesta quarta-feira, dia 9, uma homenagem ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, na última sessão dele no comando da Corte. Moraes enfatizou como feito relevante do colega a instalação do inquérito das fake news, que teve como alvo aliados e simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro.

No meio do discurso, Bolsonaro entrou no plenário do STF em uma visita não agendada previamente. Moraes interrompeu sua fala para anunciar a presença do presidente da República, que estava acompanhado do advogado-geral da União, José Levi, e do ministro da Defesa, Fernando Azevedo.

AMEAÇAS – “Vossa Excelência teve coragem de defender o tribunal, de defender o Judiciário, não só os membros do tribunal, mas a autonomia, tomando medidas que foram criticadas e depois elogiadas, como quase todas as grandes medidas e inovações. Soube fazer o correto mesmo que criticado fosse, do que deixar por comodidade. Não faltou coragem de manter histórica tradição na defesa dos direitos e garantias fundamentais, apesar das dificuldades econômicas e da pandemia”, disse Moraes, destacando também as ameaças ao Supremo.

“Sabemos o quanto esse Supremo foi ameaçado, o quanto os ministros foram ameaçados e os familiares foram ameaçados. Tínhamos instrumento, dentro da Constituição, que permitiu reação rápida, e só foi possível graças à coragem de Vossa Excelência. Não existe Poder Judiciário independente, autônomo, se seus juízes não tiverem garantia física e moral. E vossa excelência garantiu isso a todo o Judiciário”, afirmou.

LEGADO – Em seguida, Gilmar Mendes afirmou que o legado de Toffoli era o fortalecimento da democracia. Edson Fachin disse que Toffoli era “um democrata que respeita a autoridade, mas rejeita o arbítrio”. Somente depois dos três discursos, Toffoli convidou Bolsonaro a se sentar à direita dele, no plenário.

“Sempre que vou ao Congresso Nacional, eu me sento à mesa, assim como o próximo presidente sentará”, explicou Toffoli, depois de convidar Bolsonaro para seu lado. “O gesto de vossa excelência de vir aqui neste momento é um gesto em homenagem ao STF e à democracia”, concluiu.

ELOGIO A TOFFOLI – Depois dos discursos, foi dada a palavra a Bolsonaro, mesmo que não tenha previsão de discurso de presidente da República durante sessão do Supremo em homenagem a um dos ministros. Bolsonaro elogiou a interlocução com Toffoli: “Em muitos momentos, quando o chefe do Executivo procurou o STF, por muitas vezes em decisões monocráticas, Vossa Excelência muito bem nos atendeu, em outros momentos até nos surpreendeu com a capacidade de antecipar problemas e apresentar a solução antes mesmo que fosse procurado”.

Bolsonaro lembrou que ele chegou ao cargo pelo voto, enquanto os ministros do Supremo foram indicados por presidentes da República. “Cheguei aqui pelo voto e os senhores chegaram por indicação do presidente. Peço a Deus que, quando houver a oportunidade, de indicar alguém que possa cooperar com essa Casa, com suas responsabilidades. Porque aqui, muitas vezes, e não só no Executivo e no Legislativo, está em jogo a felicidade de um povo e o destino de uma nação”, disse o presidente.

11 thoughts on “Bolsonaro aparece de surpresa em sessão de despedida de Toffoli no STF e ouve críticas indiretas de ministros

  1. Reunião no puteiro!!
    Esses caras não tem a menor vergonha na cara a começar pelo Mandrião!!

    O trem fantasma está a toda velocidade e o Joker tá pilotando.

    Vamos nos fud… esborrachar com força!!!

    Cordialmente.

  2. Na realidade o boçal foi simplesmente como forma de “pressionar”.
    Incapaz de entender sequer a grandeza do cargo que ocupa, pois só entende mesmo dos crimes relacionados à ORCRIM miliciana.

  3. Não são não F Moreno. São de quadrilhas diferentes irmanadas em um pacto dos três poderes para garantir a impunidade de seus membros.
    Só isso. Assim que um lado pensar(?) que tem o poder total, vai tentar engolir o outro lado.

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