Bolsonaro boicota obras em São Paulo, abre cisão na direita e fica ainda mais isolado

Irritado com perguntas sobre investigação de Flávio, Bolsonaro ataca jornalistas - 20/12/2019 - UOL Economia

Bolsonaro manda cortar financiamento para São Paulo

Pedro do Coutto

Em artigo na Folha desta segunda-feira, Catarina Rochamonte focaliza com exatidão o fenômeno que causou a cisão aberta na direita, com os conservadores afastando-se dos extremistas. Dá como exemplo a carreata de domingo último, como aconteceu em várias capitais, inclusive Rio, São Paulo e Brasília.

A articulista refere-se também a um documento que reúne assinaturas de vários empresários como é o caso de João Amoedo, afastando-se de qualquer extremismo e se deslocando mais para o centro político nacional.

POSIÇÕES INACEITÁVEIS – Foi aberta assim uma nova fase do candidato que venceu nas urnas em 2018 mas que se afastou na realidade da lógica dos fatos e veio assumindo posições desconcertantes, para dizer o mínimo.                  

Sua atitude diante da vacina contra o coronavírus é completamente inaceitável, tanto absurda quanto singular, jamais vista no mundo. Por imitação, Bolsonaro seguiu por uma estrada também utilizada por Donald Trump, que organizou a invasão do Capitólio supondo que assim poderia impedir a posse de Joe Biden.

A direita, quando dominada pela extrema, produz fatos alucinados como ocorreu no Brasil em 1955, ocasião em que a UDN, liderada por Lacerda lançou-se num voo inconstitucional na tentativa vã de impedir a posse do presidente JK legitimamente eleito. O que acontece é que o extremismo, seja de direita ou de esquerda, no fundo volta-se para destruir a democracia. Em política, as ações fanáticas causam sempre enorme prejuízo ao Brasil.

BOICOTE A SÃO PAULO – Agora, Bolsonaro está sendo contestado até por grandes empresas que não conseguem realizar os projetos de obras públicas em decorrência do bloqueio estabelecido que obstrui grandes construções notadamente no estado de São Paulo.

No editorial de ontem, aliás como os grandes editoriais da imprensa, o jornal Estadão acentua que o Palácio do Planalto deu ordens aos bancos públicos para não liberar obras públicas em São Paulo. O editorial cita as do rio Tamanduateí e dos Ribeirões de Couros e de Meninos, ambas fundamentais para conter as enchentes que tem se verificado nessas áreas. É claro que a Federação das Indústrias e a Federação do Comércio têm razões para se opor ao bloqueio político. O artigo do Estadão ilumina bem o peso do impasse.

ABSTENÇÃO NO ENEM –  Reportagem na edição de O Globo também de segunda-feira, revela que a abstenção do ENEM alcançou percentual de 55%. Repete-se assim quase a mesma abstenção registrada no exame anterior. Alguma coisa está profundamente errada na educação brasileira.

O ministro Milton Ribeiro é simplesmente um ausente no processo de ensino. O vestibular é uma porta de entrada para o futuro, na medida em que os professores possam tornar-se os autores do amanhã, mas hoje a porta está fechada.

11 thoughts on “Bolsonaro boicota obras em São Paulo, abre cisão na direita e fica ainda mais isolado

  1. TEXTO PARCIAL DO PROF. DI FRANCO:

    A força do jornalismo, diz ele, “não está na militância ideológica ou partidária, mas no vigor persuasivo da verdade factual e na integridade de sua opinião”. Ou seja: a imprensa tem de ser livre para investigar e denunciar, mas precisa, antes de tudo, respeitar os fatos e a lógica para persuadir alguém de alguma coisa. Se não fizer isso, além de não estar praticando bom jornalismo, não vai convencer ninguém.

    “O jornalismo é o único negócio em que a satisfação do cliente (o consumidor da informação) parece interessar muito pouco”, escreve Di Franco. Na verdade, o que o público está vendo no momento é um jornalismo de convicções, de militância e de desejos, e não um jornalismo de fatos – o mais apropriado para satisfazer a necessidade de informações que o leitor espera de um órgão de imprensa.

    Ou seja, jornalismo militante não cola!

  2. Atitude absolutamente normal e esperada de J Bolsonaro.
    Desde o início do seu mandato vem colecionando adversários q até ha pouco eram amigos, eram apoiadores, eram correligionários, eram apoiadores, eram da laia dele. No entanto pela deformidade de caráter, ele gosta de brigar exatamente com aliados!
    O que esperar de quem planejava colocar bomba no próprio quartel?

  3. A estupidez e ignorância, ideologia e autoritarismo, levarão Bolsonaro a ser derrotado fragorosamente nas próximas eleições!

    Burro, não se dá conta que a sua atitude contra Dória está sendo feita, na verdade, CONTRA O ESTADO DE SÃO PAULO, contra o povo paulista e paulistano.

    Privar o cidadão por causa de políticas deletérias, corruptas, interesseiras, eleitorais, é o cúmulo da pessoa mentecapta, idiota, que não tem a mínima ideia do que faz, e das consequências dessas atitudes condenáveis.

    Enfim, Bolsonaro está colocando a corda no seu pescoço a cada dia que passa, e isso é muito bom para o povo e país!

  4. Pronto! Já acharam um culpado para as enchentes de São Paulo. O Bolsonaro.
    Por não dar dinheiro para as obras, São Paulo esta embaixo dágua.
    Será que foi também o Bolsonaro o culpado por Cabral ter se afastado das costa da África, e suas caravelas virem bater nas costas do Brasil? Tudo é possível.
    Agora essa historinha de que a falta de vento fez uma “esquadra” cruzar o
    Atlântico, é dose para mamute.
    O Brasil já nasceu sobre a égide de uma mentira.

  5. O extremismo, seja de direita ou de esquerda, converge para um ponto comum: à ditadura, o culto de personalidades populistas e sempre apoiados por instituições, principalmente pelas FA.

    Pode até ser que algumas ditaduras produzam resultados econômicos satisfatórios, mas à custa da perda das liberdades. Há muita gente que prefere o regime ditatorial, onde críticas não tem vez, as vozes contrárias que possam perturbar o regime são caladas. Pedem o fechamento do Congresso, do STF, etc..

    Não concordo com esse tipo de pensamento e procuro sempre repetir o que dizia Churchill: “A democracia é a pior forma de governo, à exceção de todos os outros já experimentados ao longo da história.”

    Certamente a nossa democracia precisa melhorar muito, mas é por ela que conseguiremos isso. Claro, a gente sempre espera que a melhora seja instantânea. Os caminhos longos que a democracia exige são desprezados e atalhos perigosos e aparentemente fáceis são propostos.

    A democracia na política, assim como o capitalismo na economia, por enquanto, embora imperfeitos, são os sistemas menos piores.

  6. Vou comentar a parte final. Da abstenção no Enem.

    O estudante de classe baixa do Enem tem pai, mãe que trabalham e tomam transporte lotado. Já convive com o risco. O problema deste é o acesso ao ensino prejudicado.
    Já o de classe mais alta, que tem pais muito provavelmente em condições melhores de proteção, muitos em home office, estes tiveram ensino de certa forma em melhores condições que aqueles.
    Cada estudante reclama de uma coisa. O da classe baixa com a desigualdade do estudo. O da classe alta, supostamente de levar o vírus para dentro de casa.
    Se o primeiro tivesse o mesmo acesso à educação que teve o segundo não deixaria passar a prova.
    A pandemia escancara a desigualdade do Ensino.
    Universidade pública gratuita tem que ser para quem estuda em escola pública. As vagas destinadas para estes precisam aumentar. E quem estudou no ensino particular tinha que contribuir ainda que valor simbólico.

  7. O Pinóquio parece conhecer bem o rebanho que ajudou a elegê-lo, mas me espantou esta divisão da direita, se é que ela existe de fato no Brasil. O que temos e sempre tivemos foram conservadores, confundidos grosseiramente como direitistas. E também muitos liberais, gente que defende a propriedade privada, que é a favor das privatizações, também tachados de direitistas. E os liberais também entram neste espectro, tudo que não se diz socialista me Pindorama é direita, daí esta cisão, porque direita de fato não existe no Brasil.

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