Bolsonaro contradiz lei que ele assinou e diz que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”

Bolsonaro rubrica novamente o atestado de despreparo para governar

Daniel Carvalho, Gustavo Uribe e Natália Cancian
Folha

No momento em que diversos países tentam encontrar uma forma de imunizar a população contra o novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governo brasileiro passaram a defender que ninguém poderá ser obrigado a tomar vacina. Na noite de segunda-feira, dia 31, Bolsonaro foi abordado por uma apoiadora no Palácio da Alvorada. “Ô, Bolsonaro, não deixa fazer esse negócio de vacina, não, viu? Isso é perigoso”, disse ela.

“Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”, respondeu o presidente, como mostra vídeo compartilhado por apoiadores. Nesta terça-feira, dia 1º, a Secretaria de Comunicação do governo federal institucionalizou a declaração com uma publicação no Twitter. Em uma imagem com Bolsonaro acenando para apoiadores do alto da rampa do Palácio do Planalto, a fala do presidente é reproduzida e há ainda a mensagem “o governo do Brasil preza pelas liberdades dos brasileiros”.

FORA DOS PLANOS – “O governo do Brasil investiu bilhões de reais para salvar vidas e preservar empregos. Estabeleceu parceria e investirá na produção de vacina. Recursos para estados e municípios, saúde, economia, Tudo será feito, mas impor obrigações definitivamente não está nos planos”, diz o tuíte.

O parágrafo primeiro do artigo 14 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), no entanto, diz que “é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”. Além disso, o artigo 3º da Lei 13.979, assinada pelo próprio presidente Bolsonaro em fevereiro, diz que “para enfrentamento da emergência de saúde pública (…), as autoridades poderão adotar, no âmbito de suas competências, a determinação de realização compulsória de vacinação ou outras medidas profiláticas”.

Nos últimos anos, a vacinação ajudou a reduzir a incidência de doenças e chegou a tornar o país livre do sarampo, por exemplo –a doença, no entanto, voltou a circular no país em 2018, em meio a queda nos índices de imunização.

MOVIMENTOS ANTIVACINA  – A declaração do presidente ocorre em um momento em que cresce o alerta sobre movimentos antivacina em alguns países. No Brasil, especialistas dizem que esse movimento é incipiente, mas apontam necessidade de controle e estratégias para enfrentar outros fatores que levam a queda nos índices de vacinação.

A fala também acontece em um momento em que o Ministério da Saúde investe em um acordo com a Fiocruz em busca de uma vacina contra a Covid-19 e discute estratégias e eventuais públicos prioritários para uma possível futura oferta. Sem um tratamento específico, e com baixa adesão ao distanciamento social, a imunização tem sido considerada uma das principais apostas para controle da doença.

IMUNIZAÇÃO – Dados de uma pesquisa Datafolha mostram que, em meio a testes e a uma corrida para a produção de vacinas contra o novo coronavírus, 9 em 10 brasileiros dizem que pretendem ser imunizados assim que o produto estiver disponível. Segundo a pesquisa, realizada entre os dias 11 e 12 de agosto, 9% dos entrevistados afirmaram que não tomariam uma vacina fabricada para deter a doença —89% disseram que tomariam e 3% não souberam opinar. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

A pesquisa foi realizada em todas as regiões do país e ouviu 2.065 brasileiros adultos por meio de entrevistas por telefone (feitas dessa forma para evitar contato pessoal entre pesquisadores e entrevistados). O Brasil já autorizou o teste de três vacinas contra a Covid-19: uma produzida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, uma da chinesa Sinovac e outra desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech. O estado do Paraná deve encaminhar em breve solicitação para testar também uma vacina produzida pela Rússia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Está para existir uma pessoa mais despreparada para governar um país do que Bolsonaro. Aliás, com o currículo que possui e a coleção de asneiras acumuladas ao longo de décadas, nem para administrador de cabaré ele conseguiria aprovação. É a contradição em pessoa, o retrato da incompetência, do andar na contramão e a representatividade da mais completa ignorância quando o assunto é a gestão pública. Faz questão de rubricar diariamente o quão inepto é. E ainda se orgulha disso. (Marcelo Copelli)

17 thoughts on “Bolsonaro contradiz lei que ele assinou e diz que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”

  1. WOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOW !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    FUÓÓÓÓÓÓÓOÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Atenção, Atenção, Gadinho borxonarista!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Soou o toque do berrante convocatório!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    O Rei do Gado anuncia: o capim está na mesa!!!!!!

    Sirvam-se à vontade, jumentinhos!!!!!!!!!!!!!

    O Imbrochável entra na cocheira soprando o dog whistle (ou melhor, cow whistle…kkkkkk xD) para se dirigir ao seu gadinho!!!!!!!!!!!!

    “Ainnnnnnnnnnnnnnnnn, que lindo!!!!!!!!!!!!!! O meu Capitãozinho Imbrochável qué preservá nossa liberdádi!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

    Na cloaca do planeta, em que já são 123 mil os mortos pela Covid, a pocilga bolsonarista joga mais uma porção de capim ao segmento mais xucro, obtuso e repugnante de sua manada de jumentos: aquela que menospreza mortes de seres humanos e consegue ver teorias conspiratórias até em vacinas. A pocilga bolsonarista, que enche a boca pra falar em “liberdade”, é a mesma que até bem pouco tempo incentivava Marchas do Orgulho Bovino em que vagabundos sectários pediam intervenção militar, AI-5 e fechamento do congresso e do STF……kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk xD

    Só mesmo numa cloaca como o Brasil um governo chega ao despautério de associar obrigação de tomar vacina (algo destinado a salvar vidas) com privação ou ameaça à liberdade…

    Mas pensando bem, qual a surpresa?

    Não foram os apoiadores da pocilga bolsonarista que demonstraram indiferença monstruosa com os mortos pela Covid, fizeram dancinha com caixões, fizeram vídeo com deboches do tipo “Corona é o ca%@lho!”, fizeram carreatas com buzinaços em frente a hospitais em que doentes eram tratados?

    Não foi um auto proclamado “cidadão de bem”, “conservador”, “Defensor dos valores cristãos e da família” que escreveu “Não sabia que coronavírus dava em porco” quando soube que uma adversária estava doente?

    É a esse segmento imundo e repugnante (que não passa de um conservadorismo de chiqueiro) que a pocilga bolsonarista precisa se dirigir de quando em quando a fim de mantê-los acesos ….E tome capim ideológico pra jegada!!!!

    “Ainnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn, eu num vô tomá vacina por que eles querem tirá minha liberdade!!!!!!!!!!!!!!!!!”

  2. Caro Marcelo perdoe-me mas a comparação que você fez entre o boçal e um hipotético administrador de cabaré é ofensiva a este. Fazer considerações a respeito do boçal é uma tremenda perda de tempo, ele não merece a nossa mínima consideração. Com dizia o meu pai quando dizíamos que alguém era burro, não ofenda animal útil. Então nem de burro o boçal merece ser chamado.

  3. Sr. Carlos Newton,

    Há pessoas que vem comentar na Tribuna da Internet que sinceramente não merecem ter o direito de escrever sequer uma linha.

    Tenho um enorme apreço pelo Sr. apesar de não conhecê-lo pessoalmente.
    Se estou sendo intransigente, peço de antemão, descuplas.

    Juro pro Sr. que às vezes é melhor ser cego do que ler certas coisas. Que Deus me perdoe por dizer isto (ser cego) , mas ele por ser justíssimo, me entenderá.

    Há pessoas que não tem remédio, que não tem vergonha de escrever certos comentários… de perder tempo em escrever maldades e baboseiras.

    Deixo um cordial abraço, saúde e paz.
    José Luis.

  4. ‘Meu direito acaba quando encontra o do outro’, diz Natália Pasternak sobre movimentos contrários à vacinação
    Em edição extra de ‘A Hora da Ciência’, cientista explica que saúde individual e saúde coletiva são domínios que nem sempre podem ser separados

    O Globo
    02/09/2020 – 15:09
    I
    Ninguém pode ser obrigado a tomar vacinas. Certamente! Assim como ninguém pode ser obrigado a fazer um tratamento de quimioterapia, ninguém pode ser obrigado a parar de fumar, ninguém pode ser obrigado a doar sangue. Direitos individuais devem ser respeitados. No entanto, é preocupante que ainda tenhamos de repetir que meu direito acaba quando encontra o direito do outro.

    A Hora da Ciência:Médicos e cientistas abordam diferentes aspectos da Covid-19

    Saúde individual e saúde coletiva são domínios que nem sempre podem ser separados. Recusar tratamento contra câncer prejudica somente o paciente. Fumar prejudica somente o indivíduo, mas em local fechado pode prejudicar outras pessoas. Por isso, temos leis que protegem o direito do outros contra o fumo passivo.

    Movimentos contrários à vacinação prejudicam toda a sociedade. Em 2018, uma família brasileira, assustada por alegações de que vacinas não são seguras e deixam sequelas, optou por não vacinar seus filhos. Eles tinham duas crianças, uma bebê de seis meses, e uma criança mais velha que já ia à escola. A mais velha pegou coqueluche, e após muito sofrimento, foi tratada e se recuperou. Mas contaminou a bebê, que precisou de internação e correu risco de vida.

    Além da própria irmã, essa criança pode ter contaminado outras crianças e bebês, de outras famílias que não eram contra vacinas, mas cujos filhos ainda não tinham idade para receber a imunização contra coqueluche. A atitude de uma família pôs em risco a vida dos filhos de outros.

    No caso de doenças infecciosas, a recusa em vacinar pode impedir que a população seja protegida pela tão falada imunidade de rebanho, que protege os vulneráveis, aqueles que, por motivos de saúde ou de idade, não podem receber a vacina.

    Quando o aparato de comunicação oficial da Presidência da República escolhe deliberadamente promover a frase “Ninguém pode ser obrigado a se vacinar”, está semeando confusão, em vez de informar. Faria melhor se usasse o alcance que têm para promover campanhas de conscientização sobre a importância, os benefícios e a segurança das vacinas. A solução para a pandemia é coletiva. Será com atuação conjunta, solidária, e de respeito ao próximo que venceremos a doença.

    Fazer populismo disfarçado de respeito às “liberdades individuais” traz o sério risco de prolongar a pandemia, e comprometer ainda mais a retomada das atividades econômicas que o próprio governo federal tanto preza. Além disso, gerar insegurança e desconfiança sobre vacinas pode prejudicar a vacinação como um todo, trazendo de volta doenças que já foram controladas, como pólio e sarampo.

    O Brasil tem uma bela história de adesão ampla e voluntária da população a campanhas de vacinação que preservam vidas e saúde. Se o atual governo não atrapalhar, ainda temos chance de seguir assim.

    • Não bastasse sua brilhante e equilibrada exposição, vale lembrar um princípio geral do direito, geralmente aceito, “o interesse público deverá prevalecer sobre o privado”

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