Bolsonaro debocha do diagnóstico de covid-19 entre ministros do STF: “Dormem de máscara mas pegaram o vírus”

Bolsonaro ratifica a sua insensibilidade diante de questões sérias

Ingrid Soares e Thays Martins
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro ironizou, na noite desta quinta-feira, dia 24, durante live transmitida pelas redes sociais o diagnóstico de covid-19 na alta cúpula do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras jurisdições que estiveram na posse do ministro Luiz Fux.

Ao lado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o chefe do Executivo questionou se o mesmo já havia sido infectado pelo vírus. Salles, então, respondeu que é um dos poucos ministros que não teve a doença. Bolsonaro comentou, em seguida: “Não vou rogar praga, não, mas você vai pegar, se é que já não pegou. Não vou falar nome aqui, mas a alta cúpula do poder em Brasília, alguns executivos do Judiciário, bastante, do Legislativo, também, máscara 24 horas por dia, dormir com máscara, cumprimenta assim [imita com o cotovelo e ri] pegaram o vírus agora. Não adianta. Isso aí é o que eu falava lá atrás. É tomar cuidado, quem tem comorbidade, esperando uma vacina um remédio comprovado cientificamente, mas não adianta, vai acabar pegando. Um dia vai ter que sair da toca e vai acabar pegando o vírus. Como enfrentar o vírus? Com vitamina D”, sugeriu.

POSSE – Na última terça-feira, dia 22, a ministra Carmén Lúcia testou positivo para covid-19. A magistrada teve febres, mas não apresentou sintomas graves e cumpre isolamento em sua casa em Minas Gerais. Carmén Lúcia foi a nona pessoa a ser diagnosticada com o novo coronavírus após ter comparecido à posse do ministro Fux. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi diagnosticado com o novo coronavírus no último dia 18.

No dia 17, o procurador-geral da República, Augusto Aras, foi confirmado com a doença. Além deles e de Fux, também infectado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os ministros Luis Felipe Salomão, Antônio Saldanha e Benedito Gonçalves do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e a presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maria Cristina Peduzzi, estão com com coronavírus.

QUEIMADAS – Bolsonaro também comentou sobre as queimadas no Pantanal e na Amazônia. O presidente disse que são os índios que colocam fogo nas áreas de preservação e culpou políticas passadas pelos altos índices atuais de incêndios. “São medidas equivocadas do passado que potencializaram os incêndios quando eles vieram. O índio que bota fogo no roçado, o pequeno produtor. Alguns acham que eu deveria mudar a cultura”, afirmou.

“O ataque é pelo jogo econômico. Países, não vou citar nomes, fazem uma campanha massiva, nos acusando de ser terroristas ambientais”, disse. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, completou a justificativa do presidente. “Além do calor, tem uma série de políticas que foram tomadas. A primeira é o fogo frio. Fora do período seco, coloca-se fogo de maneira controlada para queimar restos de folhas, material orgânica. Se não se faz isso, esse material vai se acumulando e quando pega fogo é de uma maneira difícil de controlar. Há uns dois anos isso não é feito”, afirmou.

“Essa semana saiu um artigo no The Guardian dizendo que, na Califórnia, tem incêndios muito maiores, o governo democrata portanto de esquerda, não deixa queimar de forma preventiva”, completou.

EXPLICAÇÕES – Mas Salles ainda tentou explicar o que o Bolsonaro quis dizer, explicando que alguns focos de incêndio são provocados pelos índios. “Há uma cultura de manejo do fogo. Corta, põe fogo e planta. O índio também faz isso. Isso quer dizer que qualquer queimada é índios, caboclo, claro que não. E não foi isso que o presidente quis dizer”, afirmou.

Ricardo Salles ainda disse que todos podem ajudar a cuidar da Amazônia. “Tem o Adote um Parque, que qualquer um desde ator de cinema internacional a outros engraçadinhos que ficam falando coisas da Amazônia, pode colocar a mão no bolso para ajudar a gente”, afirmou, fazendo uma referência, sem citar nome, do ator Leonardo DiCaprio, que  tem feito críticas a forma como o governo tem cuidado do meio-ambiente. O Adote um Parque é um programa lançado este ano pelo governo em que empresas e pessoas físicas podem ajudar a manter as 132 unidades de conservação na região amazônica.

O  presidente ainda falou sobre as reservas dos povos indígenas. De acordo com ele, o quantitativo de reservas é muito para a quantidade de índios no país. “Temos 14% de reservas indígenas, equivale a uma área do tamanho da  região Sudeste, para menos de 1% da população. Se aumentar, vai inviabilizar o agronegócio”, disse. “As grandes reservas indígenas são quase impossível fiscalizar, impera lá dentro desmames, ilícitos, isso ajuda a quem está roubando o nosso patrimônio”, completou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro, mais uma vez, assina com as suas ferraduras o atestado de insensibilidade e incapacidade para ser gestor. Não mede palavras, despeja as suas asneiras e gratuitamente ataca vítimas da pandemia, além de colocar na conta de “índios e caboclos” a culpa pelas queimadas. O “doutor cloroquina” entendido em assuntos aleatórios precisa não somente de uma mordaça, mas também de uma camisa de força e fortíssima medicação. (Marcelo Copelli)

17 thoughts on “Bolsonaro debocha do diagnóstico de covid-19 entre ministros do STF: “Dormem de máscara mas pegaram o vírus”

  1. Prezado Marcelo Copelli,

    Sinto dizer que Bolsonaro, portador de Transtorno de Personalidade Narcisista (Psicopatia) não tem indicação para fazer nenhuma medicação que o trate.

    Como comentei linhas abaixo, em outro artigo, a psicopatia é filogenética, isto é, a criança já nasce psicopata, assim como os homossexuais, o que vira piada, por exemplo falar em “cura gay”, porque a escolha sexual manifesta desde a tenra juventude, assim como a psicopatia é tão impossível de mudar com tratamento médico tanto quanto a cor dos olhos, o formato dos dentes, a cor do cabelo e da pele. O que é determinação genética não muda com tratamento médico. Assim sendo, não adianta camisa de força nem “fortíssima medicação” para tratamento psiquiátrico de Jair Bolsonaro ou dos psicopatas que ele fez ministros de Estado. Pode-se mudar a cor do cabelo, com tinta no cabeleireiro, o que tem de ser renovado sempre. Pode-se mudar a cor dos olhos se o indivíduo passar a usar lente de contato colorida, mas sem esses cuidados, a cor de cabelo ditada pela genética é imutável e não há medicação que cure a homossexualidade, a psicopatia, a preferência sexual ou a cor dos olhos, a cor dos cabelos (exceto quando o indivíduo desenvolve calvície total), daqueles que estão insatisfeitos com o que a natureza genética lhes deu.

  2. Como se pode reproduzir uma estupidez de que o vírus foi criado em laboratório sem provas.Então todos os vírus foram criados em laboratórios e jogados no mundo como o da gripe,dengue,zica entre outros.Quando não temos o que falar o silencio e bom companheiro.

  3. É um mulo travestido de Presidente da Ré – publica…
    E este mulão ainda sobe nas pesquisas, depois das visitas oportunistas ao nordeste e o tal auxílio emergencial de US$ 1.000,
    Uma “pandemência” assolando o País…
    Credo !

  4. Nessas alturas, pergunto e até meio constrangido:

    Bolsonaro ficou assim por que serviu o Exército ou já era desse jeito, então um mau militar, que esteve ali, ali, para ser expulso?

    Uma pessoa que foi eleita para ser presidente de uma república, mesmo a nossa, republiqueta, é obrigada a cuidar as palavras que lhe dá na telha antes de pronunciá-las!

    Bolsonaro não tá nem aí para o que diz; despreza a educação, o respeito, e sai vomitando asneiras a três por quatro.

    Então eu me lembro do sabonete Sarney, a sua fala mansa;
    Collor, impetuoso, mas sabia o que dizer;
    FHC, mais um lorde inglês que um sociólogo desta nação;
    Lula, e seu carisma, enrolação, mas tinha profundos conhecimentos para se comunicar com o povão;
    Dilma, a alegria da mídia, porém uma mulher educada, que jamais ofendeu quem quer que fosse através de palavras e gestos;
    Temer, professor, manejava razoavelmente o vernáculo;
    E Bolsonaro, que atropela o que diz, passa por cima da etiqueta, atabalhoado, inconsequente, agressivo, mal educado, useiro e vezeiro em sair falando besteiras …

    Credo, mas o carma do povo é muito sério, de muita gravidade, de modo que o sofrimento é infindável!
    O presidente, paspalho, nessas alturas, escarnece de quem morreu usando máscara, e quem foi a óbito sem usar máscara!

    O atual inquilino do Planalto quer ser conhecido na História do Brasil com o seguinte epíteto:

    “Bolsonaro, o asno falante, preencheu vários capítulos nos livros de História pela quantidade de asneiras que pronunciava”.

  5. Até os nossos irmãos portugas concordam com o Bolsonaro:

    “O impacto do COVID-19 e das medidas de contenção têm tal magnitude que é necessário discutirmos este assunto na “praça pública”, abertamente e sem quaisquer rodeios.

    A narrativa apocalíptica, a “covidização” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e do sector privado da saúde, aqui incluindo os consultórios médicos, o confinamento de pessoas saudáveis e assintomáticas, a generalização do uso de máscaras, o higienismo e o distanciamento social, são fruto do pânico e da ignorância e, é necessário que o proclamemos bem alto, não têm qualquer justificação médica.

    A narrativa apocalíptica, comecemos por aqui, devia ter sido imediatamente denunciada pelas Associações Médicas como falsa e alarmista, potencialmente maligna sob o ponto de vista social e indutora de comportamentos que, por si só, acarretariam consequências fatais. Estou a pensar nos idosos “abandonados” nos lares da terceira idade, por exemplo, pela ausência de funcionários compelidos a quarentenas questionáveis.

    A covidização do Sistema de Saúde, no seu conjunto, constituiu e continua a constituir uma tragédia infame. Milhares de pessoas viram os seus tratamentos adiados e muitas centenas faleceram por falta de assistência médica.”

    Mais, aqui:
    http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2020/09/carta-aberta-aos-medicos-portugueses.html

  6. Se eu denominar o autor dessa carta aos médicos em Portugal, começarei dizendo que, comentar textos de idiotas e imbecis, ignorantes e mal intencionados é perda de tempo.

    Os lusitanos registram 2.000 óbitos até agora.
    Pela posição geográfica privilegiada que desfrutam, pois só tem a Espanha como fronteira, depois é o Atlântico, Portugal não tem tráfico de pessoas vindas do mundo inteiro, logo, o país não teve maiores contaminações.

    Mesmo assim, 2 mil mortes para uma população de 10.300,000 pessoas, havendo 75 mil contaminados, nossos descobridores possuem quase 3% de óbitos!

    Deixar de considerar a Espanha com 31 mil mortos;
    França, com 31 mil mortos também;
    e a Itália com 36 mil óbitos, países perto de Portugal, relativamente, o missivista deveria ficar por sete dias e sete noites no Santuário de Fátima, agradecendo a Deus essas duas mil mortes!

    Vai ser panaca, assim na … no …

    Carlosp, toma juízo com esse tipo de reportagem idiota e imbecil.
    Te valoriza um pouco, vai.

  7. EUCAÇÃO É COLEÇÃO DE EQUÍVOCOS ANTIDEMOCRÁTICOS, COVARDIA E IGNORÂNCIA DA DIVERSIDADE

    Publicado em24 de setembro de 2020

    Em nota, núcleo do Cidadania diz ter recebido declarações de Milton Ribeiro com “nojo” e “pesar” pela morte do “respeito” e da “empatia”

    O núcleo de Diversidade do Cidadania se manifestou na tarde desta quinta-feira (24) em nota contra as declarações homofóbicas do ministro da Educação, Milton Ribeiro, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo. No texto assinado pelo coordenador Eliseu Neto, integrante da Bancada do Livro, as declarações do bolsonarista são recebidas com “nojo” e “pesar” pela morte “do respeito, da compaixão, do amor, da empatia”. “As respostas do ministro são uma coleção de equívocos antidemocráticos, de desinformação social da realidade, de covardia e de ignorância”, assinala.

    “Não cabe nota de repúdio, nojo ou indignação. Cabem ação, atitude e responsabilização judicial. Não podemos mais conviver com Stonewall toda semana, uma perseguição que já não é mais velada. O limite da opinião não pode contrariar o que a OMS, tardiamente, 30 anos atrás, já afirmou não ser doença, ou, por outro viés, assegurou ser normal, simplesmente uma das inúmeras condições e expressões de nossa espécie. A democracia nunca foi a ‘minoria se curvar à maioria’, como seu chefe sempre apregoa”, argumenta.

    Leia a nota:

    NOTA DE PESAR

    Convite à ação

    Esta manifestação poderia ser chamada de NOTA DE NOJO, porque “repúdio” utilizamos quando nos dirigimos àquelas opiniões que divergem de um determinado pensar coletivo. Este não é o caso. Aqui se trata da morte do respeito, da compaixão, do amor, da empatia. Refere-se à morte do ser humano como espécie, que deveria se unir em busca da autopreservação e da sua consequente evolução.

    Hoje o Min. da Educação Milton Ribeiro, em entrevista ao Estadão, tentou sepultar a dignidade da pessoa LGBTQIA+, não só se referindo a ela com o sufixo -ismo, para insistir na conotação de doença, como também atingindo a família destas pessoas, inferindo que o seio familiar do LGBTIA+ é “desajustado”.

    Atenhamos apenas à pauta LGBT, porque as respostas do ministro são uma coleção de equívocos antidemocráticos, de desinformação social da realidade, de covardia e de ignorância. São predicados que nenhum contribuinte gostaria de ver associados ao representante máximo da educação. Liderado por um presidente que já defendeu “um coro” ao “filho gayzinho” para mudar seu comportamento, Cabe repudiar o pastor presbiteriano que diz não ser “normal a opção de um adulto ser homossexual” e atribuir ao seu lar uma “família desajustada”.

    Não cabe nota de repúdio, nojo ou indignação. Cabem ação, atitude e responsabilização judicial. Não podemos mais conviver com Stonewall toda semana, uma perseguição que já não é mais velada. O limite da opinião não pode contrariar o que a OMS, tardiamente, 30 anos atrás, já afirmou não ser doença, ou, por outro viés, assegurou ser normal, simplesmente uma das inúmeras condições e expressões de nossa espécie. A democracia nunca foi a “minoria se curvar à maioria”, como seu chefe sempre apregoa.

    Pobre do povo cujo ministro afirma que “o pai, o homem, segundo a Bíblia, é o cabeça do lar, devendo impor a direção que a família vai tomar”; cujo vice-presidente diz que “casa sem pai e avô, mas com mãe e avó” é fábrica de desajustados”; e cujo presidente eleito sugere sofrimento físico para “consertar” comportamento gay.

    Só há um caminho para mudarmos este país. Seja LGBTQIA+ ou não, cidadão ou contribuinte, são essenciais ações AJUSTADAS contra toda e qualquer forma de preconceito, injúria racial ou racismo manifesto, tácito ou estrutural, da pessoa natural, das empresas, das organizações ou dos governos.

    Ajamos.

    Brasília, 24 de setembro de 2020

    Eliseu Neto
    Coordenador do Núcleo de Diversidade do Cidadania

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