Bolsonaro destruiu a verdade. E agora o mundo inteiro duvida dele

23.jun.2020 - Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia em Brasília - Mateus Boonomi / Estadão Conteúdo

Bolsonaro mentiu tanto que já perdeu a credibilidade

Jamil Chade
Notícias UOL

Nesta semana, uma executiva de uma empresa farmacêutica suíça estava em “home office” numa reunião pela Internet quando sua filha de sete anos ousou quebrar todas as regras da casa e entrou em seu escritório com uma notícia: Bolsonaro está com a covid-19. A empresária não deu bola e pensou que era mais uma tentativa de seus filhos de chamar a atenção da mãe que, por meses, apenas fala de coronavírus, tratamentos e diagnósticos.

Mas, para sua surpresa, um de seus colaboradores na reunião interrompeu a conversa e compartilhou a capa de um jornal francês com a mesma notícia de sua filha. A reação inicial de todos: será que é verdade?

NA SEDE DA ONU – No dia seguinte, a mesma cena se repetiria na sede da ONU que, depois de meses fechada, volta timidamente a organizar suas reuniões entre embaixadores.

Num canto de uma das salas, diplomatas debatiam o assunto do dia: a doença de Bolsonaro. Entre risadas de ironia, preocupação real com o estado de saúde e alertas sobre o “recado divino”, não demoraria para que a mesma pergunta surgisse: será verdade que ele está contaminado?

Do outro lado do prédio, entre funcionários do restaurante, correio e dos serviços de limpeza, um português mostrava aos colegas um video do presidente brasileiro tomando cloroquina e sorrindo. “Esse é aquele remédio suspenso?”, brincou um deles. Uma vez mais, a pergunta mais insiste surgiria pela expressão de uma faxineira dominicana: e se ele estiver mentindo?

OUTROS CONTAMINADOS – Quase ninguém duvidou quando Boris Johnson anunciou que estava doente, nem quando o príncipe Charles e várias outras lideranças declararam seu status de saúde.

Eleito com base em uma mistura de meias-verdades e mentiras completas, apoiado em parte por charlatães e com um discurso populista, Bolsonaro colhe o que plantou no mundo: a repulsa e a desconfiança permanente. Até quando é verdade.

Já no ano passado, o governo francês causou a indignação de parte do Palácio do Planalto ao dizer que Bolsonaro não tinha dito a verdade sobre seus compromissos ambientais.

REALIDADE PARALELA – Hoje, o vírus disseminou essa percepção. Bolsonaro não inventou a mentira na política. Longe disso. Mas parte da estratégia de líderes populistas é a criação de uma realidade paralela. Dizer e desdizer no mesmo dia. Demitir e renomear, anunciar e cancelar. Acusar jornais de desinformar e criar seus próprios canais de disseminação de fake news.

A sistêmica destruição da relação de confiança entre governo e governados mina a democracia e a capacidade do mundo em dar resposta a uma pandemia real, incontornável e que mata.

Nesta semana, a presidente temporária da UE e chanceler da Alemanha, Angela Merkel mandou um duro recado a líderes pelo mundo que, nos últimos meses, se recusaram a aceitar a gravidade da pandemia. Para ela, a covid-19 mostrou os “limites” do populismo e do nacionalismo.

DISSE MERKEL – Em um discurso na qual não citou nomes, a alemã deixou claro que era o momento de a UE chegar a um acordo sobre como relançar sua economia. “Estamos vendo no momento que a pandemia não pode ser combatida com mentiras e desinformação, e nem pode ser com ódio e agitação”, disse a chanceler que, para muitos, saiu fortalecida diante da resposta que deu à crise.

“O populismo que nega os fatos está mostrando seus limites”, afirmou a alemã, arrancando aplausos no Parlamento Europeu. Ela não citou nomes. Mas seu discurso, no meio diplomático, foi interpretado como um recado a Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Na comunidade internacional, os dois presidentes passaram a ser considerados como os principais expoentes de um comportamento negacionista em relação à gravidade do vírus. Os dois países são, hoje, os que acumulam os maiores números de mortes e de casos. Em ambos os casos, a manipulação de dados e o questionamento da ciência fizeram parte da resposta à pandemia.

FATOS E TRANSPARÊNCIA – “Em uma democracia, são necessários fatos e transparência. Isso distingue a Europa, e a Alemanha a defenderá durante sua presidência”, prometeu a alemã e que, antes de assumir um papel político era cientista de formação.

Desde o primeiro dia da pandemia, esse seria um teste da relação de confiança entre líderes políticos e suas populações. Seria um teste de caráter. Para cada um de nós e para os governos.

Sim, Bolsonaro está contaminado. Assim como está contaminada sua reputação pelo mundo. E, para isso, a cloroquina não será jamais a resposta.

11 thoughts on “Bolsonaro destruiu a verdade. E agora o mundo inteiro duvida dele

  1. KKK só rindo mesmo, o boçal está como aquela fábula do lobo, “olha o lobo, olha o lobo, e era sempre mentira . No dia em que o lobo apareceu de verdade todo mundo se ferrou. De tanto insistir nas fake news hoje ninguém mais acredita no boçal, até quando ele está dizendo a verdade. É pena que um dos efeitos colaterais da Covid-19 não seja um mutismo temporário, quem sabe por um ano ou mais.

  2. JAMIL FAÇA UMA MATERIA COM O ROMULUS SOBRE O BANESTADO E POSTE AQUI NA TRIBUNA JÁ QUE O NEWTON CARLOS CHAME DE ROBO QUEM TOCA NO CASO.

  3. Que dia! Perdi várias matérias e só estou pegando o fio agora à noite… Hoje me colocaram no trabalho presencial e, por isso, fiquei sem acompanhar aqui a TI, bem como assistir séries, filmes e lives como faço no teletrabalho.

  4. Dizem que tudo é pela Ciência; que devemos ouvi-la e atentar para suas orientações. No entanto, observe que, na prática, não é bem assim que acontece. A rigidez científica só é invocada quando ela dá suporte aos interesses de quem invoca; quando não, é descartada.
    Veja o caso da cloroquina: em nome da Ciência, os experts estão relutantes quanto ao seu uso. Dizem que não há estudos que comprovem sua eficácia. Dizem, ainda, que não se sabe bem sobre seus efeitos colaterais, apesar do remédio ser administrado, sem grandes complicações, há décadas. Mesmo com diversos médicos usando-a com sucesso, não querem liberá-la. Enquanto isso, vidas vão se perdendo.
    Agora, quanto ao confinamento, não tiveram a mesma rigidez. Invocando a Ciência, os experts confinaram o povo. Apesar de haver estudos que discordam desse método, insistem que é assim que tem de ser. Apesar de não haver qualquer prova de sua eficácia, além de indícios fortes de sua ineficácia, impuseram-no sem direito à apelação. Mesmo com os efeitos colaterais certos e, provavelmente, muito piores que a própria enfermidade, não hesitaram em submeter o mundo a ele. Ou seja, para interesses diferentes usam critérios diferentes na invocação da Ciência. Como não querem a cloroquina, são rígidos, dizendo que não há evidências científicas. Por outro lado, como querem o confinamento, são frouxos quanto às evidências, exigindo que todo mundo siga determinações científicas que não possuem nenhuma comprovação de eficácia.
    Portanto, a questão, na verdade, não é científica coisíssima nenhuma. E quem diz que devemos seguir o que os cientistas estão dizendo não tem nenhuma ideia do que está falando.

  5. Neste momento de incertezas, a mídia, os bem formados e até os políticos dizem que devemos seguir aquilo que a Ciência diz.
    Isto é muito estranho porque não existe uma Ciência, com uma boca, para dizer alguma coisa.
    O que há são cientistas, cada um dizendo uma coisa diferente.
    De que é composta a Ciência, afinal? De hipóteses que são testadas e que são comprovadas ou não.
    No entanto, essas comprovações jamais se tornam verdades definitivas.
    Na verdade, o que caracteriza a ciência é exatamente colocar em questão conclusões anteriores e apresentar novas conclusões, melhorando, superando e, não poucas vezes, até negando a conclusão antiga.
    Quantas vezes, por exemplo, a ciência não disse que um alimento fazia mal e, depois de novos estudos, afirmou que aquele mesmo alimento fazia bem? Esta é uma amostra do que é a Ciência.
    Você sabia que a maior parte dos artigos científicos estão, simplesmente, errados? Isto é a Ciência.
    Diante de tudo isso, o que podemos dizer é que a Ciência vive num perpétuo negar-se a si mesma. Ela é fluida, incerta, contraditória e sempre provisória.
    E é esta ciência, com todas essas características, que determinou que você ficasse em casa porque é o melhor para você. O que é isso? Respondo. É
    submissão cega à autoridade científica.

    Pense nisso!

    • Humm. “De hipóteses que são testadas e que são comprovadas ou não.”
      Se a hipótese é comprovada não há como contestar. Por exemplo, a água sobre CNTP ferve a 100 ºC. É uma hipótese que foi comprovada. A terra gira ao redor do Sol. É outra hipótese que foi comprovada. A cura da Covid-19 por ministração de cloroquina no início não foi comprovada, pelo contrário. O confinamento total para evitar a disseminação da pandemia não é eficaz? Alguns países que fizeram isso comprovaram que funciona.

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