Bolsonaro diz que general Fernando Azevedo e Silva sabe “fazer valer a força das Forças Armadas”

Bolsonaro publicou em rede social dizeres sobre abuso de autoridade

Emilly Behnke
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro participou no final da tarde deste domingo da cerimônia de arriamento da bandeira do Brasil na frente do Palácio da Alvorada. O chefe do Executivo estava acompanhado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e de um grupo de cerca de 30 deputados, entre estaduais e federais.

Novamente sem fazer uso de máscara, item agora obrigatório em Brasília em razão da pandemia de covid-19, Bolsonaro conversou e abraçou apoiadores e tirou várias selfies. O presidente destacou presença de Azevedo no local e aproveitou a ocasião para falar sobre o papel das Forças Armadas.

“FAZER VALER A FORÇA” – Segundo ele, o general Azevedo e Silva sabe “fazer valer a força que as Forças Armadas têm em defesa da democracia, da liberdade”. “Também nosso maior exército é o povo.”

Em seguida, Bolsonaro reforçou que as Forças Armadas pertencem ao Brasil e não ao presidente. “É um dos pilares aqui da nossa estabilidade, as Forças Armadas sempre voltadas para os interesses da nação e o bem comum e ao lado do povo, da lei e da ordem.”

INTERAÇÃO – A solenidade teve a participação de deputados estaduais de São Paulo e Minas Gerais, além dos federais Hélio Lopes (PSL-RJ), Bia Kicis (PSL-DF) e Alê Silva (PSL-MG). Toda a interação com o presidente foi filmada por vários parlamentares do grupo, que na chegada gritaram em coro “a nossa bandeira jamais será vermelha”.

Bolsonaro não falou com os jornalistas que estavam no local e, ao final do arriamento da bandeira, tirou mais fotos com apoiadores, agradeceu o apoio e entrou à pé para o Palácio da Alvorada.

VÍDEO – Neste domingo, Bolsonaro publicou em sua conta no Facebook dizeres do Artigo 28, da Lei nº 13.869 de 5 de setembro de 2019, que trata sobre abuso de autoridade, sem fazer nenhum comentário adicional. O artigo estabelece que “divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.”

A publicação ocorre dois dias após o ministro do Superior Tribunal Federal (SFT), Celso de Mello, liberar a divulgação de vídeo da reunião entre o presidente Bolsonaro e ministros, em 22 de abril. A reunião ministerial e mensagens enviadas por celular foram citadas pelo ex-ministro Sérgio Moro como prova da tentativa de interferência do presidente Bolsonaro na Polícia Federal.

SECRETO – Ainda na conversa com apoiadores, Bolsonaro voltou a dizer que tinha “classificado como secreto aquele encontro”. “Poderia ter destruído a fita porque não é um encontro formal. Mas resolvemos manter, poderia ter destruído que não tinha penalidade nenhuma”, afirmou encerrando sua fala com o início do arriamento da bandeira.

Antes, ele destacou que era o único presidente que estava sempre “colado” com o povo. “O poder está aqui, no meio do povo. Pela primeira vez, vocês têm alguém colado em vocês. Primeiro Deus, depois vocês”, disse. “Quem esquece o passado está condenado a não ter futuro”, completou.

Pela manhã, o presidente usou um helicóptero para sobrevoar a manifestação realizada na Esplanada dos Ministérios em apoio ao seu governo. Depois, parou próximo à vice-presidência e foi à pé de lá até a frente do Palácio do Planalto onde os manifestantes se concentravam. Bolsonaro deu seis voltas em frente ao Planalto, também sem máscara, cumprimentando e tirando fotos com apoiadores.

9 thoughts on “Bolsonaro diz que general Fernando Azevedo e Silva sabe “fazer valer a força das Forças Armadas”

  1. “A Força das Forças Armadas” não pode ser mais

    forte do que “A Força do Direito” e “A Força da

    Constituição”. As Forças Armadas são criações

    da Constituição Brasileira e as criaturas não

    podem se voltar contra seu criador.

  2. Mais uma ameaça? Isso não combina com a campanha eleitoral para 2022 em que o Senhor está empenhado, em campanha, o candidato deve fazer promessas ao povo e não ameaças. Por exemplo, o Senhor poderia prometer que a partir de 1º de janeiro de 22, vai trabalhar e tentar governar o país.

  3. Que perigo!

    Agora ele (Bolsonaro) está reunião com os três comandantes militares das forças armadas.

    O autogolpe está cada vez mais maduro – como o venezuelano

    Esse tem que ser parado logo antes que seja tarde…

    • Não é que generais estão submissos
      Como militares estão participando do governo, embora afastados de suas funções militares, continuam recebendo soldos e, com parecer da AGU, autorizados a acumular com a remuneração do cargo civil, ainda que ultrapasse o teto constitucional.

      Já na Venezuela, Hugo Chavez distribuiu terras públicas e desapropriadas aos militares. Não somente oficiais.
      Todos sabem que se Guaidó assumir de fato e o Maduro com afastado acabam os privilégios.

      Então, Bolsonaro o que faz é comprar apoio dos militares com a distribuição de cargos comissionados no Governo.
      Até FHC falou nesse fim de semana sobre isso – que eu já vinha falando muito antes.

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