Bolsonaro diz que pode deixar o PSL e defende abertura da ‘caixa-preta’ do partido

Bolsonaro negou ter interesse no fundo partidário do PSL

Sérgio Roxo
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro reconheceu neste sábado, dia 12, que trabalha com a possibilidade de deixar o PSL. Ele também afirmou que gostaria de ter o poder de vetar candidaturas do partido na eleição municipal do próximo ano.

Ao ser indagado se havia chance de sair do PSL, Bolsonaro respondeu: “Lógico que existe . Não vou negar pra você. Nós queremos ver se há uma maneira de compor, que é muito difícil, porque  a executiva, no meu entender, tem que abrir, tem que ser democrática”.

FUNDO PARTIDÁRIO – A declaração foi dada após visita ao Hospital da AACD, em São Paulo. Bolsonaro disse que pela manhã uma mulher comentou em sua página no Facebook que seu filho queria conhecê-lo e por isso foi até o local. Na entrevista, Bolsonaro negou ter interesse no fundo partidário do PSL, mas cobrou transparência da legenda.

“Não estou atrás de fundo partidário, fiz minha campanha  com R$ 2 milhões na vaquinha virtual.  O PSL ganha R$ 8 milhões por mês. É dinheiro publico e todo mundo tem que saber o que é feito com esse dinheiro. É uma caixa preta que tem que ser aberta pelo PSL”.

O presidente ainda afirmou temer ser responsabilizado por problemas do partido, como “maldosamente”, em sua visão, vem ocorrendo. Bolsonaro não citou as investigações sobre candidaturas laranjas do partido no ano passado.

TRANSPARÊNCIA – Em seguida, ao chegar a Estádio do Pacaembu, para assistir ao jogo entre Palmeiras e Botafogo, o presidente voltou a tratar do assunto. “Eu quero transparência. Havendo, não tem problema nenhum”, afirmou. Bolsonaro admitiu almejar uma participação ativa na escolha dos candidatos na eleição municipal do próximo ano.

“Se eu estiver bem como estou hoje, posso influenciar nas eleições municipais. Eu quero ter o poder de vetar nomes. Eu não abro mão de vetar nomes. Estou na política há 30 anos e sei como funcionar a política. Você conhece um homem depois que ele tem o poder. A gente quer começar as eleições no ano que vem em março com o pé direito”, disse.

“CAIXA PRETA” – O presidente evitou especular sobre o que espera encontrar na prestação de contas do PSL. Na última sexta-feira, dia 11, o presidente e deputados que são seus aliados apresentaram um pedido para ter acesso ao que eles chamam de “caixa preta” do partido. “Espero que não tenha nada de ilegal”, afirmou.

Na entrevista dada antes na porta do hospital, Bolsonaro falou sobre a sua relação com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Ele negou que os atritos entre eles estejam prejudicando o repasse de recursos para o estado. Admitiu, porém, que o clima não é bom.

MUDANÇA DE POSTURA – “O que pode haver é uma coisa pessoal, parece que ele não é muito simpático à minha forma de governar. Criticou duramente o meu discurso na ONU. Eu estou sabendo que ele é candidato. É um direito dele”, disse. Bolsonaro cobrou uma mudança de postura de Doria.

“Da minha parte estou pronto pra conversar, mas a postura tem que ser mudada pra valer. Não é da boca pra fora, de acordo com as conveniências”, afirmou. Os dois estiveram juntos em São Paulo numa formatura de sargentos da Polícia Militar. Doria foi vaiado e Bolsonaro, aplaudido. O tucano não reconhece publicamente, mas seus aliados dão como certa uma candidatura presidencial dele em 2022.
 

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