Bolsonaro é aconselhado a oficializar imediatamente a indicação ao STF para tirar Kássio Nunes do ‘sereno’

Tom das críticas de aliados de Bolsonaro contra o desembargador subiu

Mônica Bergamo
Folha

O presidente Jair Bolsonaro está sendo aconselhado a enviar nas próximas horas ao Senado a indicação do desembargador Kássio Nunes Marques para ocupar a vaga de Celso de Mello no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele está sendo instado a sacramentar oficialmente a escolha para tirar Nunes Marques do “sereno” –ou seja, para evitar que ele continue sendo bombardeado por grupos contrários à indicação e também por outros candidatos ao cargo.

Com a oficialização da escolha, o fato estaria consumado e restaria marcar o dia para ele ser sabatinado pelos senadores. O tom das críticas contra o desembargador subiu nas últimas horas. O pastor Silas Malafaia,aliado do presidente, por exemplo, postou um vídeo nas redes sociais dizendo que a possível indicação de Bolsonaro é um “absurdo vergonhoso”. O presidente do STF, Luiz Fux, também manifestou descontentamento.

PRAZO – A escolha está sendo criticada ainda por assessores de Bolsonaro no Palácio do Planalto, que dizem que ela não está sacramentada. Para que a oficialização ocorra em um curto espaço de tempo, há um outro problema a ser contornado: a de que ela não pareça um gesto deselegante com Celso de Mello, que só se aposenta em 13 de outubro. Interlocutores já estariam consultando o magistrado para explicar a situação.

Caso as arestas sejam aparadas, Bolsonaro enviaria a indicação para valer a partir do dia 14, quando então o Senado poderia aprovar o nome. O desembargador, que é do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª região), foi apresentado por Bolsonaro aos ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli e também ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como a pessoa que ele indicará para a corte.

SURPRESA – O presidente pediu um encontro com os três na casa de Gilmar Mendes. E chegou lá com Kássio Nunes Marques. A perplexidade foi geral: tanto Alcolumbre quanto Gilmar e Toffoli tinham certeza de que o indicado seria o secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira. E já apoiavam o nome dele para integrar a corte.

Depois do primeiro susto, eles endossaram a indicação, que foi bem recebida também por deputados e senadores. O desembargador, no entanto, passou a sofrer críticas de bolsonaristas radicais e de outros candidatos que já estavam em campanha para integrar a Suprema Corte.

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