Bolsonaro e o filhos sonham (?) em demitir o ministro Mandetta, que jamais recua

Mandetta sustou a demissão de Wanderson e se fortaleceu

Carlos Newton

É impressionante a falta de habilidade política do presidente Jair Bolsonaro. Na eleição, há um ano e meio, ele demonstrou uma extraordinária capacidade de angariar votos, mesmo concorrendo numa legenda desconhecida, sem tempo de exposição no rádio e TV, com verba de campanha reduzidíssima, uma facada no peito que quase o matou, todas pesquisas anunciando sua derrota no segundo turno, nada conseguiu detê-lo, Bolsonaro simplesmente foi em frente e venceu.

Agora, já com um ano e três meses de experiência no Planalto, o presidente exibe uma imaturidade surpreendente. Ao invés de se comportar como um militar de carreira, obedecendo as orientações científicas nacionais e internacionais e seguindo a mesma trilha do governantes dos países mais desenvolvidos, inclusive de seu idolatrado Donald Trump, ele chuta o balde e faz tudo ao contrário.

A REELEIÇÃO ERA CERTA – Tudo o que Bolsonaro e os filhos fazem, sem a menor dúvida, tem o objetivo de conquistar a reeleição em 2022. Todos sabem disso, não é segredo. Mas o presidente não percebeu que, ao agir fora do receituário político mundial no caso da pandemia, ele estaria dificultando a própria reeleição, porque praticamente o mundo inteiro sofrerá depressão e isso é desculpa de primeira classe para qualquer fracasso administrativo, conforme já se pressentia em relação ao desempenho do ainda superministro Paulo Guedes.

No final da gestão, era só substituir Guedes por um economista de primeira linha e mandar fazer o terno novo para a posse de uma tranquila reeleição, pois Lula da Silva não será candidato e os demais correm com poucas chances, como se diz no linguajar do turfe.

Mas Bolsonaro desatinou e fez tudo errado, especialmente a insistência em demitir o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, ao invés de pegar carona na popularidade dele.

MATRIZ E FILIAL – Se seguisse a mesma política da matriz EUA e dos outros países desenvolvidos, ao invés de colocar a filial Brazil num solitário roteiro nebuloso, Bolsonaro estaria em paz, preparando-se para a quarta cirurgia destinada a remendar o abdômen. Mas ele prefere continuar eternamente em guerra, embora se declare um enviado de Deus, vejam quanta bipolaridade numa só pessoa.

Nesta quarta-feira, dia 15, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, chegou a se desligar, contrafeito com a situação. Mas o ministro Henrique Mandetta não aceitou o pedido de demissão, e tudo como dantes no castelo de Abrantes, como se dizia nos tempos de D. João VI.

Jogada de mestre do ministro. A equipe sai toda junta ou não sai, dificultando as tramas do presidente e seus três filhos. No xadrez da política, Mandetta colocou em xeque o rei e os príncipes regentes. Mas hoje já é outro dia e tufo pode mudar.

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P.S. –
Com informações insistentemente “plantadas” pelo Planalto nos últimos três dias, os jornais continuam a destacar que Mandetta perdeu o apoio da ala militar do governo. É verdade, mas isso não significa nada. O problema sério ocorrerá quando o ministro perder o apoio do Alto Comando do Exército, mas isso ainda não aconteceu. (C.N.)

20 thoughts on “Bolsonaro e o filhos sonham (?) em demitir o ministro Mandetta, que jamais recua

  1. Opinião todo mundo tem, até Claudio Humberto.

    MANDETTA PARECE ZUMBI: NO CARGO, MAS FORA DELE
    16/04/2020
    O presidente Jair Bolsonaro sempre afasta palpiteiros afirmando que é ele quem entende de política. Por sorte ou artimanha, aplicou um “mata leão” que imobilizou politicamente o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), cuja fama subiu à cabeça a ponto de trocar alfinetadas com o próprio chefe. Bolsonaro mostrou de quem é a caneta e fez do ministro uma espécie de zumbi no planalto central: ele está no cargo, só que não.

    DISCRIÇÃO INÉDITA
    16/04/2020
    A operação para neutralizar Mandetta teve algo inédito: Bolsonaro fez tudo isso discretamente, sem desaforos Twitter e nem coletivas na grade.

  2. mansetta deveria ter um mínimo de pudor e se mandar logo.
    quem o nomeou não o quer mais, daí o birrento ministro zumbi ficar dando shows para a mídia.
    vá logo pegar a secretaria que o doriana lhe prometeu.

  3. Prezado Calos Newton,
    O artigo é perfeito. Mas, entendo que Bolsonaro ganhou as eleições porque Haddad era candidato do Lula e, muitos que mesmo não achando o Bolsonaro um bom candidato, votaram nele para derrubar o Lula e o PT, alie-se isso ao trabalho feito pelo Carluxo nas redes sociais, que é a melhor maneiro de conquistar o público alienado politicamente, que são a maioria dos eleitores. Qualquer um que fosse ao segundo turno com um candidato do PT ganharia as eleições.
    O perigo é o Lula em 2022 indicar outra vez candidato a presidência. Isso vai favorecer outro candidato da direita, ainda que moderada.
    Lula fez mal ao Brasil no poder e fora dele continua a fazer mal.
    Um abraço.

    • E o que melhorou após a saída do PT, em 2016? Imagine como estaremos em 2022! vai se repetir a disputa de 2002 entre Alqimin candidato do FHC e Lula. Não teve mais apagão,temos sobra de energia, não tem mais FMI, temos reservas internacionais.

      • Caro Ronaldo,
        Não melhorou nada, até piorou, mas isso não pode servir de atenuante para a corrupção do governo do PT que ao sair deixou o PIB negativo em 3,3.
        Defendo uma esquerda democrática e o governo Lula não era de nenhuma esquerda. Quem seu bem no governo Lula foram os empreiteiros corruptos, as grandes empresas nacionais e multinacionais e principalmente o banqueiros, que nunca ganharam tanto dinheiro como no governo petista. Isso foi dito pelo próprio Lula. O Lula ao estipular-se de esquerda, desmoralizou a verdadeira esquerda democrática, o que possibilitou a eleição do Bolsonaro
        Um abraço e saúde

  4. Em qualquer país, o ideal é que em crises como esta do coronavírus, o governo se guiasse pela ciência. Os líderes deveriam sempre se comportar como tais, sendo exemplos aos cidadãos, principalmente nessas ocasiões.

    Infelizmente, no nosso país, parece que isso é uma utopia. Faz muito tempo que nossos líderes, em vez de se comportarem como exemplo a ser seguido, agem exatamente ao contrário: como exemplo de comportamento a ser evitado.

    O exemplo tem de vir de cima, seja numa família, numa empresa, num município, num estado ou num país. Se o líder se comporta mal, o que podemos esperar dos liderados? Há exceções que confirmam a regra.

  5. Desculpa CN, mas sua análise está equivocada. Mandetta está com os dias contados. Não vai para o segundo semestre. O planalto e o alto comando sabem da participação dele na tentativa do golpe e da implantação do parlamentarismo em conjunto com Rodrigo Maia, Alcolumbre, gente do STF e a esquerda.

  6. O desentendimento do Bosonaro e o Mandetta é que o presidente sem nada entender de medicina, infectologia e pandemia quer que o Ministro da Saúde siga suas orientações absurdas.
    Se demitir o ministro Mandetta, certamente vai nomear um ministro que fará o que ele mandar, isto é, isolamento vertical, que é na realidade a melhor maneira de aumentar o número de infectados. (O jovens e adultos saem às ruas para trabalhar, os idosos e grupo de risco ficam em casa). é desnecessário isso, haja vista que os idosos e doentes em sua maioria não trabalha e fica em casa. Acontece que os jovens e adultos ao saírem às ruas diariamente corre grande risco de se contaminarem e ao voltar para casa contaminar todos idosos e doentes e leva-los a morte. Naturalmente para o governo, isso é bom: menos idosos, e doentes, menos despesas.

  7. Bingo Nélio Jacob; realmente é intrigante a situação.
    O nosso PR, sempre colocou em primeiro plano o Posto Ipiranga, sob o argumento que nada entendia de economia; isto com muita humildade.(aplausos).
    Agora esta birra com o Ministro Mandetta vem de onde?!!! Ou ele entende (ou acha) muito de medicina ou ele recebe insite de alguém?!!!
    Perfeita a analise do senhor CN; era só ter alinhado com a corrente da medicina o que só não é unanimidade pois como dizia Nelson Rodrigues (toda unanimidade é burra) a explicação inquestionável da derrocada da economia entrava na conta da quarentena; e era só gastar tempo preparando-se para mais quatro anos.
    A meu ver, ainda dá tempo. Faça um mea culpa e toca o barco que o povão vai entender.
    PS: Enquanto o pt tiver estes cidadãos no poder do partido; meu voto não irá para ele e entre Bolsonaro e o indicado pela corja; meu voto vai para Bolsonaro por mais desgosto que ele me dê.

    • José Pereira Filho, muito obrigado por concordar.
      Votei nulo, e se outra vez levarem ao segundo turno um candidato do PT e o Bolsonaro, votarei nulo outra vez.
      Nas últimas eleições se eu fosse obrigado a escolher um candidato, também teria votado no Bolsonaro, embora sabendo que sua gestão seria uma decepção Respeito opiniões contrárias a minha.

  8. É muito mais fácil controlar a doença com as pessoas nas ruas, distribuindo máscaras, álcool gel e instruindo-as sobre os perigos da doença por agentes públicos e até voluntários do que apenas dizendo para elas ficarem em casa, quando se sabe (ministro ainda não sabe) que o Brasil é um país que tem mais de 30 milhões morando em barracos minúsculos, sem saneamento básico e pior, só conseguem o que comer indo para a rua, batalhar o pão de cada dia.

    Embora muitos ingênuos acreditam que a medicina é uma ciência exata, na verdade ela ainda está na fase de achismos e isso é palavra de especialistas da área. A medicina pesa as possibilidades e não tem como afirmar exatamente o que pode ocorrer na maioria dos casos.
    Na França e na Itália já se provou que o isolamentos não diminuiu em nada a contaminação com o vírus.

  9. Primeiro, todo respeito ao jornalista Carlos Newton a quem admiro, mas Mandetta não foi eleito para ministro da Saúde. Foi uma escolha do presidente eleito e em pleno exercício do cargo, que aproveitando ser o indicado na ocasião também político, um ortopedista (médico), técnico, agradaria o senhores Rodrigo Maia e David Alcolumbre, todos filiados ao DEM. Isso é aquela “composição possível” diante desses caras enrolados em processos judiciais, mas para satisfazer a “governabilidade”.

    A própria Tribuna da Internet comentou e nós estamos ajustando o texto: Tornam (governadores e Mandetta) a questão da saúde em uma disputa política, transformando vidas em números, apostando no questionável, contra todos os protocolos seguidos mundialmente. Realmente, fica muito explícita a desmoralização destes governadores.
    É fácil colocar os colocar os pingos nos is. Basta boa vontade e conhecer a verdade. Estamos juntos presidente Jair Messias Bolsonaro.

    O que acontece é que Bolsonaro pode demití-lo a hora que quiser. Ele realmente jamais recua de seus planos políticos estratégicos, mas levou um “mata leão” que o deixou parecendo um “zumbi”, royalties para Cláudio Humberto, outro brilhante e admirado jornalista.

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