Bolsonaro nega relação com operação da PF no Rio e ironiza Witzel: “Tem gente preocupada”

Witzel disse que operação foi um ato de perseguição política

Vinícius Valfré
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro negou novamente qualquer interferência na Polícia Federal e rebateu acusações do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, investigado por suposto envolvimento em esquema de fraudes na Saúde do Estado.

Em entrevista concedida em frente ao Palácio da Alvorada nesta terça-feira, dia 26, Bolsonaro reclamou do Supremo Tribunal Federal (STF) e provocou Witzel. “A operação no Rio não tem nada a ver comigo.

IRONIA – A PF foi cumprir decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Não fui eu que decidi. Eu nunca decidi operação nenhuma. Agora, tem gente preocupada, querendo botar a culpa em mim, falando do meu filho”, afirmou o presidente, em referência a Witzel.

Após ser alvo de busca e apreensão, no Palácio das Laranjeiras, nesta terça-feira, dia 26, o governador fluminense afirmou que a operação significou que a “interferência” de Bolsonaro na Polícia Federal “está devidamente oficializada”.

O comando da PF no Rio é um dos principais pontos do inquérito que investiga se houve interferência do presidente na instituição, como acusou o então ministro da Justiça Sérgio Moro. “A PF está trabalhando, no meu entender, com muita liberdade. Da nossa parte, não existe, nem nunca existiu, nenhuma interferência. Se existia, não era minha, era de quem estava à frente da PF, que no caso era o ministro. Não vou acusar o Moro disso daí”, afirmou Bolsonaro.

SANÇÃO – Ao retornar para o Palácio da Alvorada, o presidente também confirmou que deverá sancionar nesta quarta-feira, dia 27, a proposta de auxílio de R$ 60 bilhões a Estados e municípios. O chefe do Executivo aproveitou para mandar um recado aos governantes locais.

“Prefeitos e governadores já sabem que não vão ter outra oportunidade. Não podemos continuar socorrendo Estados e municípios que devem, no meu entender, de forma racional, começar a abrir os mercados”, disse ele, antes de reclamar do Supremo. “Tenho a obrigação, como chefe do Estado, de tomar decisões. Estou de mãos amarradas por decisão do STF, que delegou a Estados e municípios essas medidas”.

SISTEMA PARTICULAR – Bolsonaro também voltou a mencionar o seu “sistema de informações reservado” para dizer que recebe vídeos frequentemente sobre apuros econômicos de cidadãos de várias partes do País e de pessoas “algemadas por estarem nas ruas”. Segundo ele, esse sistema consiste em uma rede de amigos que o abastece com informações pelas redes sociais e pelo WhatsApp.

Ao se dirigir a jornalistas,Bolsonaro também disse que o governo se prepara para reabrir fronteiras que haviam sido fechadas para conter o avanço do novo coronavírus. O presidente encerrou a entrevista ao ser questionado sobre a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de cobrar explicações do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Na reunião ministerial do dia 22 de abril, Weintraub pediu a prisão dos magistrados. “Por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”, afirmou o ministro da Educação.

5 thoughts on “Bolsonaro nega relação com operação da PF no Rio e ironiza Witzel: “Tem gente preocupada”

  1. Infelizmente o governador carioca só vem seguindo a tradição dos anteriores, metido também em tretas, com forte cheiro de corrupção. Nem a imensa imagem do Cristo Redentor com os seus braços abertos sobre a cidade livra os cariocas da corrupção endêmica que tomou conta do Estado. A coisa deixou de ser caso de polícia, virou uma doença. Ou será uma epidemia?

  2. “Tem gente preocupada”. Pois é, assim como ele ficou preocupado quando a PF era uma polícia institucional e independente, comandada pelo Moro e pelo Valeixo. Agora a PF se tornou a polícia do Bolsonaro.

  3. Agora o Bozo está cantando de galo ao dizer que “Enquanto eu for presidente, vai ter mais.”

    Pra quem tinha medo da PF, principalmente a PF do Rio de Janeiro, mudou de postura muito rápido.

    Esse sujeito incompetente só engana trouxas.

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