Bolsonaro recusa fazer anúncio de uma fábrica de lingerie, ao lado de uma transsexual seminua, mas aceita posar ao lado de uma mulher de verdade.

Carlos Newton

É impressionante como abrem espaço ao crescimento político do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que já se tornou nacionalmente famoso. Sempre polêmico, Bolsonaro assume que efetivamente representa a direita, e a tendência é que ganhe cada vez mais admiradores.

Conhecido por sua homofobia (que ele nega), Bolsonaro agora surge no noticiário por ter recebido um convite para participar de uma propaganda comercial da marca de lingerie Duloren. No início, o convite era para uma participação ao lado da transsexual Ariadna Miranda (ex-BBB), mas Bolsonaro recusou na hora, pois “só toparia aparecer ao lado de uma mulher e não de um homem”.

Interessada na polêmica, a empresa fez uma contraproposta para que o parlamentar aparecesse ao lado de uma modelo do tipo gostosona. E desta vez Bolsonaro aceitou, sem titubear. As informações são de que as negociações estão avançadas e faltam apenas detalhes para a assinatura do contrato. A campanha deve ser divulgada, somente em mídia impressa, de setembro até o final do ano.

Como se sabe, acompanhado de outros colegas do Congresso, o deputado do PP lutou para que a presidente Dilma Rousseff suspendesse a distribuição de kits que visavam a combater o preconceito contra os homossexuais. A turma de Bolsonaro apelidou o material de kit gay e venceu a batalha contra o movimento LGBT.

Os publicitários então bolaram uma campanha em que Bolsonaro posaria ao lado da modelo – que estaria de calcinha e sutiã, claro. E na propaganda, teria a frase “esse kit eu aprovo”. Ou seja, o interesse de usar o deputado com a propaganda é colar essa imagem de parlamentar que ajudou a acabar com a circulação do material da defesa do homossexualismo.

“A ideia quando falo essa frase na propaganda é de que aprovo esse kit de lingerie. Mas o kit gay, não. Este eu não aprovo!” – disse ele.

Mas o presidente da Duloren, Roni Argalji, nega que a ideia seja essa e diz que já foi criada uma nova versão: “A palavra kit não existe neste anúncio. Não existe. Eu não quero remeter a isso (à polêmica do material do governo contra a homofobia). O Bolsonaro posará ao lado de uma mulher apontando o dedo para ele (Bolsonaro) e dizendo que não concorda com ele. São duas pessoas de opiniões contrárias que estarão juntas. Selecionaremos a melhor foto que represente essa situação.

O executivo disse que “é lógico que a propaganda gera polêmica”, mas que o importante é respeitar as opiniões que são diferentes. “A minha marca tem personalidade. Não é uma Maria vai com as outras” – disse ele, justificando o convite a Bolsonaro.

O deputado ainda não fechou o contrato, porque quer saber mais detalhes do comercial. “É preciso ver que sou um cara casado – ressalva, dizendo que a esposa ainda não foi consultada sobre a forte possibilidade de ele aparecer ao lado de uma linda modelo. “Mas a partir do momento em que não tenho lucro, não vejo problema. Além disso, é uma proposta limpa” – explicou Bolsonaro, que promete doar o cachê para uma instituição de caridade.

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