Bolsonaro ridicularizou Maia: ‘Com a caneta eu tenho mais poder do que você’

Bolsonaro participa do evento de lançamento da Frente Parlamentar Mista da Marinha Mercante Brasileira, no Clube Naval, em Brasilia Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

Palestra de Bolsonaro na Marinha teve um mar de cadeiras vazias

Felipe Frazão
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro disse no final da noite desta terça-feira, 28, que tem a caneta mais poderosa do que a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com quem tomou café da manhã no mesmo dia no Palácio da Alvorada, ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. O presidente comentou sobre a conversa reservada com os chefes dos três poderes e citou esforços do governo para desregulamentação, revogando normas que ele considera “descartáveis” e simplificando a legislação e o licenciamento.

“Eu disse ao Rodrigo Maia: com a caneta eu tenho muito mais poder do que você. Apesar de você, na verdade, fazer as leis, né? Eu tenho o poder de fazer decretos. Logicamente, decretos com fundamento”, relatou Bolsonaro, durante lançamento da Frente Parlamentar Mista da Marinha Mercante Brasileira, no Clube Naval.

DECRETO ILEGAL – Maia foi um dos primeiros da cúpula do Congresso Nacional a questionar a constitucionalidade do decreto presidencial que ampliou direito a posse, porte e alterou as regras de comercialização de armas de fogo. Depois das críticas, Bolsonaro modificou o texto para impedir a compra de fuzis, por exemplo. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi convocado para dar explicações na Câmara. 

No entanto, a comparação o poder de sua caneta Bic com a de Maia foi usada por Bolsonaro para relatar que sugeriu ao deputado a revogação do decreto presidencial que criou a Estação Ecológica de Tamoios, na região de Angra dos Reis (RJ), em 1990. O presidente quer transformar a região preservada com o grau máximo de proteção em um balneário turístico hoteleiro como Cancún, no caribe mexicano. A Constituição, porém, rege que é necessária a aprovação de uma lei específica para alterar uma unidade de conservação.

CANETA BIC – “Falei para ele do caso da Baía de Angra. Nós podemos ser protagonistas e fazer com que a Baía de Angra seja uma nova Cancún. Do que nós dependemos para começar a tirar esse sonho do papel? De uma caneta Bic revogando o decreto que demarcou a Estação Ecológica de Tamoios, lá no governo Sarney”, afirmou Bolsonaro no evento do Clube Naval.

O presidente disse que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recomendou que ele “tomasse cuidado quando fala isso”, porque, considerando a legislação ambiental, e  “levando-se em conta o retrocesso, talvez fosse inconstitucional um decreto revogar outro decreto”. Em seguida, Bolsonaro citou que o presidente do Supremo, presente no Clube Naval, decidisse a questão.

“Passamos para o prezado Dias Toffoli decidir essa questão. Se eu posso revogar uma lei, por que não posso regovar um decreto? A sorte está lançada. Baía de Angra, se Deus quiser alcançaremos esse objetivo.”

DESREGULAMENTAR – O presidente fez um discurso breve aos militares da Marinha e parlamentares, em que prometeu “desregulamentar muita coisa” no seu governo. Ele citou que a administração está cheia de decretos, instruções normativas e portarias que “alguns poucos usam em causa própria para atrapalhar quem quer produzir”. O presidente disse que parte dessas normas são “descartáveis”.

“Caneta Bic resolve esse problema”, disse Bolsonaro. “Não quero atrapalhar, muito ajuda no Brasil quem não atrapalha. O governo federal vai colaborar com os senhores na simplificação dessa legislação, que é um emaranhado que poucos entendem e que a muitos inibe de investir no País.”

VESTÍGIO DE ÍNDIO – Ao citar outro caso, Bolsonaro ainda criticou a atuação de fiscalização da Funai (Fundação Nacional do Índio). Ele relatou que, anos atrás, um empresário do Paraná o procurou “desesperado” para concluir a liberação de um terminal de contêineres e que faltava a Funai conceder a licença.

“Alguém da Funai tinha que ir lá com uma lupa em toda aquela área procurar se existia qualquer vestígio de índio ter passado por ali em tempos remotos. Se descobrisse isso, aquela área seria então destinada à demarcação de terra indígena. Não temos mais problemas no tocante a isso no Brasil. Estamos ultimando todas as medidas para que o trabalho de vocês não encontre pela frente um emaranhado de legislação.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É claro que Bolsonaro está correto ao pretender revogar decretos inúteis, mas é muito mal assessorado pela Assessoria Jurídica do Planalto, que comete um erro atrás do outro. Exemplos: 1) regulamentar o fim do imposto sindical por medida provisória, quando poderia fazê-lo por decreto; 2) mudar o Estatuto do Desarmamento por decreto, quando só poderia fazê-lo por medida provisória. Além disso, Bolsonaro foi inábil e grosseiro, ao ridicularizar em público o presidente da Câmara, que já começou a responder, ironizando o pacto, que é tipo Viúva Porcina, aquela que foi, sem ter sido. O mesmo vai acontecer com o pacto, que também é uma obra de ficção, mas sem a genialidade de Dias Gomes. (C.N.)

15 thoughts on “Bolsonaro ridicularizou Maia: ‘Com a caneta eu tenho mais poder do que você’

  1. Alvíssaras!!! Nosso presidente está indo na ferida.
    É isso mesmo o miserável pode construir barracos na beira do mangue, fazer carvão com a madeira do mangue e depois de tudo exterminado vai para outro mangue.
    Se o empresário quiser construir uma marina que vai gerar riqueza para a região; aí não pode e mesmo, pasmem; mesmo que o empresário queira fazer alguma compensação como replantar alguma área degradada; também não aceitam.
    Na Paraíba, em um local que foi indústria de carne de baleia, um empresário americano quis implantar um estaleiro de reparo, pois viu a área como estratégica por perto de tudo; Europa, América do Norte, África e não “aguentou” a “Lupa” para ver se não havia vestígio de cemitério índio no local. Passou seus direitos para os chineses.
    Eu quero ver é a paciência chinesa até onde aguenta.
    Mude isto Bolsonaro; por isto e outras é que te elegemos nosso presidente.
    Bom dia.

  2. Frazão do estadão, rimou.
    Mais um da esquerdinha fazendo seu papel do quanto pior melhor com fofoquinhas.

    Como bom esquerdinha, ele não tem um mínimo de escrúpulos com o povo que passa dificuldades e até tragédias, que sua esquerdinha legou ao país nos seus 14 anos de poder.

      • Quem disse que o outro lado é santo?

        O problema da esquerda é que ela é uma religião e isto, diante de uma situação, seu crente, entre ficar com o bom senso ou o que determina seus dogmas, mesmo que eles a contariam, ele escolhe esta segunda opção.

        Nós humanos, normais, todos erramos.
        Já, um crente (desenhando: idealistas e fanáticos), vive no erro.

        Pegou?

        • Não tenho lado político, amigo.

          Não sou de esquerda, não sou de direita não sou de coisa nenhuma!

          Mas os comentários que o Sr. faz aqui, verifica-se com facilidade, que o Bolsonaro sempre está certo, os outros errados.

          • Sou qualquer presidente do nosso país , pelo menos dentro de um prazo razoável desde a sua posse.

            Sò vou me posicionar contra ou a favor depois de um prazo razoável de sua atuação no cargo: 1 ou 1,5 ano.

            Temos menos de 5 meses de governo e não deu nem tempo do eleito arrumar sua mesa de trabalho e já querem que resolva toda a desgraça que a esquerda deixou para o povo.

            Ora , isso demonstra nitidamente falta de bom senso,pra não dizer coisa pior.

  3. A impressão que eu tenho é que o nobre redator deste blog (e outros comentaristas) simplesmente não entenderam que as regras do jogo mudaram.

    É como se comentaristas de futebol fossem comentar um jogo de handebol: Nossa, mas ta tudo errado, todo mundo pegando a bola com a mão, cadê o juiz? hahahaha…

    Acordem, o jogo mudou amigos, atualizem-se….

  4. Frazão, meu caro jornalista, coloque

    a mão na consciência e deixe de fazer picuinhas, coisas irreais que nao levam a absolutamente a nada. A eleição já se foi, colega, agora é o Brasil que está em jogo, e o meu e o seu futuro, sem esquecer filhos e netos.Basta, o Brasil precisa fugir urgente do atoleiro para não sermos pegos como a Venezuela foi.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *