“Bolsonaro tenta transferir para os governadores uma responsabilidade que é dele”, diz Dilma

Dilma diz que Bolsonaro deveria ser parceiro dos governadores

Guilherme Mazieiro e Leonardo Sakamoto
Folha

Dilma vê Luiz Henrique Mandetta (Saúde) no caminho certo para combater a pandemia e, assim como o ministro, defende o isolamento horizontal da população. Mas os elogios param aí. Para ela, as medidas econômicas anunciadas pelo governo são insuficientes e o desempenho de Paulo Guedes (Economia) é “deplorável”.

“O presidente pretende atribuir aos governadores tanto as mortes com uma fome, o que é um escândalo. A responsabilidade é dele. Que é incapaz de agir concertadamente [de comum acordo]”, disse.

ISOLADA – Sem pretensões eleitorais, a sucessora de Lula (PT) se mantém em isolamento em sua casa, em Porto Alegre (RS), devido ao novo coronavírus. Após Fernando Collor (1990-1992), Dilma foi o segundo presidente alvo de impeachment, por crime de responsabilidade.

No entendimento dela, um eventual impeachment de Bolsonaro está condicionado ao ambiente político, às estruturas que sustentam seu governo e a comprovação de algum crime.

IMPEACHMENT  –  “Eu acho que todo mundo tem de ter o benefício da legalidade e da lei. Tem de ver se ataque à saúde pública, se desrespeito à vida é causa para impeachment. Se for, ele deve sofrer impeachment. Agora, eu tenho plena clareza que as relações políticas e as condições políticas prévias [é] que vão definir se vai ser ou não objeto de um impeachment”, declarou.

Dilma ainda falou sobre a troca de afagos entre Lula e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “É absolutamente correta, porque nós todos estamos no mesmo barco”, afirmou sobre o combate ao coronavírus.

Diante da crise do novo coronavírus, qual análise você faz sobre o desempenho do Mandetta (Saúde), Paulo Guedes (Economia) e do Bolsonaro?
O desempenho do Paulo Guedes é deplorável. Ele tira das pessoas a condição para ficar isolado socialmente, porque está tirando das pessoas a renda que elas precisam para ficar em casa. O Mandetta é o mais racional deles. Tem tomado várias iniciativas corretas, inclusive defende o isolamento social. A prioridade política hoje é o povo brasileiro, é a vida dele, a sobrevivência dele. E é também da atividade econômica.

As grandes empresas e os bancos são os mais beneficiados por esse governo, o dinheiro já chegou a eles. Enquanto isso, micro, pequeno e médio empresário, não. O padeiro, a cabeleireira da esquina, não vão ter dinheiro no dia seguinte. Essa coisa de não repassar os R$ 600, Bolsonaro não pode alegar que tem dificuldade em pagar.

E o presidente Bolsonaro nessa condução?
Acho que é lamentável. Muita gente fala que é louco, irresponsável. Mas tem método, tem uma disputa política. Sem a relação com os estados e os municípios você não chega na ponta, e essa é uma relação de cooperação, não de disputa. O presidente pretende atribuir aos governadores tanto as mortes como a fome, o que é um escândalo. A responsabilidade é dele. Que é incapaz de agir de uma forma concertadamente [de comum acordo].

Ele tinha de ser parceiro dos governadores. Não interessa se o governador vai disputar com ele a Presidência da República em 2022. Bolsonaro tenta de uma forma tosca e grosseira transferir para os governadores responsabilidades, a responsabilidade é dele.

Nessa semana que passou, tanto o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), quanto o ex-presidente Lula (PT), fizeram postagens no Twitter. Lula reconhecendo ações do Doria, o Doria reconhecendo que estão todos no mesmo barco. Como você vê esse movimento?
É absolutamente correto. Nós todos estamos no mesmo barco. De fato, tanto o governador Doria e vários outros têm tido uma ação de preservação da vida, da saúde. Eu vejo os governadores inteiramente preocupados com a vida e a sobrevivência do povo brasileiro.

Há cinco anos, em março de 2015, houve os primeiros panelaços contra o seu governo. Agora, em março de 2020, os panelaços são contra o Jair Bolsonaro. Qual sua opinião sobre esses panelaços? Você bateu panela contra Bolsonaro?
Não, não. Eu poderia estar batendo panela, só que eu te digo, não é a minha forma de luta, nunca foi bater panela.

Como você vê essa bateção de panela?
Não acho que dá para fazer uma análise baseada nessa similaridade. Pelo fato de cinco anos depois, no mesmo mês, acho que não tem nenhuma condição supernatural ou sobrenatural.

O segmento que apoiava Bolsonaro, de classe média, desencantou bastante com ele e isso está refletido nas pesquisas. Estava claro que é uma pessoa contra a ciência, um terraplanista, que não respeita os dados científicos. Uma pessoa que cria uma desconfiança pelo fato de haver mortes [pelo novo coronavírus], haver contágio, encher os hospitais. Uma pessoa assim provoca esse surto contrário a ele nesse segmento da classe média que bate panelas de forma legítima, porque está contrariando algo que eles esperavam dele.

Bolsonaro deveria ser alvo de impeachment? Ele termina o mandato em 2022?
Você veja como essa questão do impeachment é absolutamente de acordo com certos humores, que não são aqueles da legalidade. Eu sofri um impeachment sem crime de responsabilidade. Eu fui acusada de praticar algo que todos os presidentes, antes de mim tinham feito. Eu tinha feito também no primeiro mandato e não tinha sido crime.

O TCU [Tribunal de Contas da União] mudou a compreensão e me levou a um impeachment por ter emprestado dinheiro através do Banco do Brasil para o setor agrícola e não ter pago no mesmo mês. Eu paguei dentro do ano fiscal, não no mês seguinte, além de outras questões similares. Eu acho que todo mundo tem de ter o benefício da legalidade e da lei. Tem de ver se ataque a saúde pública, se desrespeito à vida é causa para impeachment. Se for, ele deve sofrer impeachment. Agora, eu tenho plena clareza que as relações políticas e as condições políticas prévias [é] que vão definir se vai ser ou não objeto de um impeachment.

No seu segundo governo tinha um isolamento e tensionamento com o Congresso. Agora, Bolsonaro tensiona com os governadores, diversos setores da sociedade, o Judiciário, a mídia. Existe um limite para esses tensionamentos?

Depende de manifestações sociais? Manifestação social no isolamento é uma coisa meio difícil. Desculpa, mas panela só não adianta, não [risos]. Eu acho que o limite é a vida da população brasileira. Ela não pode ser colocada em risco por nenhuma descontrolado e tosco. Esse é o limite.

O limite tem de ser da nossa consciência cidadã, dos brasileiros e das instituições: Congresso, Supremo e Forças Armadas, que hoje sustentam esse governo. Cada um vai ser chamado a sua responsabilidade perante a história do país e da nação.

12 thoughts on ““Bolsonaro tenta transferir para os governadores uma responsabilidade que é dele”, diz Dilma

    • Renato, brincadeira ou não.
      Mandetta,foi demitido,sim.

      Osmar Terra, O caracará, já tinha comprado terno novo.

      Porém, porém, porém,ala militar deu chega pra lá no Bolsonaro.

      A verdade Mandetta acordou nesta segunda demitido,vai dormir ministro, amanhã não saberemos.

      Jânio 2,foi dormir furioso.

      Na queda di braço, Bolsonaro perdeu,perdeu,
      perdeu,o comando,o poder,a dignidade,mera figura decorativa.

      Só lhe resta uma saída,se afastar para tratamento de saúde.

      O surpreende comunicado do ministro Mandetta, eufórico, entusiasmado,diz tudo.

  1. Depois de 6 anos de gestão catastrófica, madama se acha no direito de voltar a zurrar? Será que o desprezo das urnas ao qual ela foi submetida não bastam para ela calar a boca de vez?

  2. O TI esquece esta imbecil.
    Desonesta, desprezível e despreparado, gasta o dinheiro do governo, falando idiotices Brasil e mundo afora.
    Parou devido à crise do vírus.
    Esperamos não voltar.

  3. Continuam dando atenção a este lixo?Perguntas e respostas combinadas, praxe, dá nojo, asco! Viajando pelo planeta, classe executiva, as custas do contribuinte, apresentando-se como estadista, não duvidem que os brasileiros arcam com o custo das drogas/tarja preta que faz uso.

  4. Dilma, em Porto Alegre? Uai, ela não tem domicílio em Minas?
    Ela se esqueceu que foi demitida por incompetência? Ganhando a consolação de manter is direitos políticos e de poder viajar ás nossas custas pelo mundo, falando mal de nós?

  5. Disparate da FSP, ouvir Dilma. Opiniões e análises dela não valem nada. Não somam nem acrescentam bulhufas ao jogo politico, muito menos no combate ao coronavírus. Francamente.

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