Bolsonaro vai rebater Supremo sobre pandemia: “Estou por cima e tenho noções de judô”

“Enquanto em Cuba jovens morrem lutando por liberdade, aqui no Brasil tem alguns que fazem de tudo para perde-la”, criticou Bolsonaro.

Bolsonaro insiste em dizer que o STF paralisou o governo

Sofia Aguiar e Matheus de Souza
Terra (Estadão)

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) afirmar que “uma mentira repetida mil vezes não vira verdade”, em referência ao discurso do presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados de que a Corte teria proibido o governo federal de atuar contra a disseminação da covid-19, o chefe do Executivo reagiu nesta quinta-feira, 29, prometendo rebater o Supremo por meio de uma nota.

“Não vai ser para peitar o Supremo, até porque eu estou por cima, eu tenho noção de judô”, disse, em conversa com apoiadores na manhã desta quinta-feira, 29.

FAKE NEWS – Bolsonaro classificou a manifestação do Supremo como “fake news”. Ele novamente distorceu a decisão unânime dos magistrados, tomada em 15 de abril de 2020, e manteve o discurso de que a Corte teria limitado sua atuação ao determinar que Estados e municípios têm autonomia para decidir sobre medidas de enfrentamento à pandemia.

A decisão do STF, contudo, não retirou da União nem do presidente a responsabilidade pelas ações de combate ao vírus. Mesmo assim, o presidente insiste:

“Nós vamos demonstrar tudo que nós fizemos em meia dúzia de pequenos parágrafos, para todo mundo entender, não só nessa questão financeira, o total do gasto do endividamento de vocês foi mais de R$ 700 bilhões no ano passado, não só para Saúde, bem como rolagem de dívida entre de municípios, antecipação de receita, auxílio emergencial, tudo foi feito nessa parte”, afirmou.

CRIME DO STF – Segundo o presidente, “o Supremo cometeu crime ao dizer que prefeitos e governadores, de forma indiscriminada, poderiam suprimir todo e qualquer direito previsto no inciso quinto da Constituição, inclusive o ir e vir”. Em crítica às medidas decretadas por Estados e municípios para conter o vírus, Bolsonaro disse que os gestores fizeram “barbaridades autorizadas pelo STF”.

Insistindo no discurso de acusações, Bolsonaro justificou que não fechou “nenhum botequim”, uma vez que “não adianta tomar uma providência porque prefeitos e governadores tinham mais poder que eu”.

De acordo com o chefe do Executivo, os gestores “tentaram derrubar a economia”. “Estado não pode parar por muito tempo”, reforçou.

SUPREMO REBATE – Em vídeo divulgado na quarta-feira, 28, o Supremo reforçou o teor da decisão tomada pelos ministros da Corte, pela qual determinou que Estados e municípios têm autonomia para executar as medidas necessárias para conter o avanço do novo coronavírus, sem limitar a atuação do governo federal.

“É falso que o Supremo tenha tirado poderes do presidente da República de atuar na pandemia”, explica a narração. “É verdadeiro que o STF decidiu que União, estados e Prefeituras tinham que atuar juntos, com medidas para proteger a população.”

No vídeo, o STF rebateu Bolsonaro afirmando que uma “mentira repetida mil vezes não vira verdade”. O presidente ficou insatisfeito com a publicação e disparou: “Isso é verdade, deveriam aplicar para a esquerda”.

ESTRATÉGIA DE BOLSONARO – Essa não é a primeira vez que o STF se manifesta para desmentir Bolsonaro em relação a essa decisão. Em 18 de janeiro, quando o presidente aproveitou o colapso do sistema de saúde em Manaus para culpar os ministros pela ausência de atuação direta do governo federal no combate à pandemia.

A Secretaria de Comunicação Social do Supremo emitiu nota em que negou que o tribunal tenha proibido o Planalto de agir para conter a disseminação da doença.

“É responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia”, diz o texto.

12 thoughts on “Bolsonaro vai rebater Supremo sobre pandemia: “Estou por cima e tenho noções de judô”

  1. Se as noções de judô que o presidente Genocida tem é como aquele nível com que faz flexão vai ser mais uma piada para divertimento.

    Fux é faixa preta em jiu-jitsu e vai dar um mata leão no presidente Genocida.

  2. O Boçal perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado. Só diz e só faz besteira. O que precisamos, com a máxima urgência, é vacinar todos os brasileiros e isso requer um esforço hercúleo.

  3. Pão e circo.
    Pão não tem para todos, mas o circo está bombando.
    Tem palhaço, tem brincadeiras, tem encenação, tem de tudo.
    Agora teremos o novo Ted Boy Marino. E tudo de graça!
    Temos que levar na brincadeira, ou nosso complexo de vira latas se agrava mais ainda.

  4. “uma mentira repetida mil vezes não vira verdade”
    ———-
    Vira, sim, seu ministro. Verdade no nível pessoal é aquilo que se acredita ser verdadeiro. O daltônico vê no cinza a cor do mundo. E a história da humanidade mostra claramente que mentiras podem se tornar verdades:
    1. Lázaro foi ressuscitado, cegos voltaram a ver, espiritos maus foram dominados e expelidos de corpos por eles possuídos;
    2. 2977 pessoas morreram em 2011 com a destruição das torres em New York em nome de Alá;
    3. Muitos se recusam a tomar a vacina contra a covid porque se acham protegidos por seu Deus;
    4.Tem gente que acreditou que um jumento poderia ser presidente e o elegeu!

  5. Bolsonaro tinha prometido apresentar “provas” de “fraude eleitoral” no atual modelo eleitoral brasileiro, totalmente eletrônico. No entanto, em duas horas de exposição, ele apresentou uma série de fatos reais e estranhos que colocam em dúvida o processo. Os argumentos de Bolsonaro fortaleceram a tese, hegemônica na opinião pública esclarecida, que o sistema de votação eletrônica só pode ser legitimado se sofrer uma alteração que melhore a transparência e a segurança na votação, transmissão de dados e apuração. Os argumentos mais contundentes em favor da mudança foram o histórico de advertências oficiais de peritos da Polícia Federal ao Tribunal Superior Eleitoral, advertindo sobre falhas e vulnerabilidades do sistema que precisavam ser aprimoradas. O TSE pouco ou nada fez para melhorar a votação eletrônica, insistindo na dogmática tese de “perfeição” do sistema.

    Fato concreto: Desde 2016, a Polícia Federal vem apresentando ao TSE uma série de vulnerabilidades no sistema eleitoral. O ministro da Justiça, Anderson Torres, resumiu os relatórios do DPF (veja o vídeo a partir de 1h 59min). Um deles deixa claro que “o processo de transmissão de voto não é auditável”. Ou seja, não há como garantir a segurança absoluta do sistema – conforme sempre insiste, dogmaticamente, a “Justiça” Eleitoral. Assim, está absolutamente certo quem defende que o sistema eleitoral pode evoluir. O modelo precisa sofrer modificações, para permitir a recontagem pública (de 100% dos votos) e não apenas uma “auditoria” (que seria inútil e causaria judicialização, confirmando críticas dos inimigos da votação transparente e segura no Brasil). A recontagem pode e deve acontecer nas próprias seções eleitorais, depois de encerrada a votação. Confira o vídeo – https://youtu.be/im2R1oLNDIE

    VOTO AUDITÁVEL SIM, FORA OS BANDIDOS!

  6. 1) https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/71N0Hgwj8IL.jpg

    2) livro acima: O Espírito do Judô, em dois volumes.

    3) Havia também uma edição antiga esgotada, em um único volume, de outro autor.

    4) Um dos princípios da Filosofia do Judô, arte marcial inspirada no Zen Budismo é…

    5) Humildade, simplicidade, honestidade, lealdade…

    6) “Dô” significa Caminho… Caminho de Vida… Caminho do Meio… evitando-se os extremos…

    7) Confirmem nas Olimpíadas, como os judocas se comportam eticamente… ganhando ou perdendo…

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