Boulos representa a restauração do lulismo, porque o PSOL virou “linha auxiliar” do PT

Nani Humor: LULISTAS

Charge do Nani (nanihumor.com)

Demétrio Magnoli
Folha

Bruno Covas obteve 32% dos votos no primeiro turno, um resultado fraco que reflete tanto sua falta de brilho quanto a elevada rejeição de João Doria, seu padrinho político. Covas é um gerente cinzento da cidade que existe —ou seja, de uma metrópole cuja riqueza contrasta com níveis intoleráveis de exclusão social e segregação urbana. Mas tem a sorte de enfrentar um adversário que pretende fazer a história girar em círculos, reincidindo no discurso de uma esquerda congelada no tempo.

Guilherme Boulos representa uma renovação de fachada: a restauração do lulismo. O PSOL nasceu como cisão à esquerda do PT, como sonho de recuperação do “PT das origens”.

LEGENDA AUXILIAR – O pacto entre Boulos e Marcelo Freixo, firmado há dois anos, colocou ponto final na aventura, convertendo o partido em legenda auxiliar do PT. Hoje, o partido menor ecoa as sentenças básicas do maior e sua existência reflete, exclusivamente, os benefícios estatais ligados à proliferação de legendas partidárias. Não é casual que, no início da campanha, as celebridades carimbadas petistas tenham oferecido apoio a Boulos, em detrimento do “apparatchik” Jilmar Tatto.

O “PT das origens” desponta, como fantasia, na seleção de Luiza Erundina para vice da chapa. O discurso lulista emerge, como realidade, em cada uma das declarações de Boulos.

A paixão estatista, que caminha junto com o desprezo pela sustentabilidade das contas públicas, espraia-se por todo o programa.

DESATINO FINANCEIRO – Há pouco, iconicamente, os traços gêmeos manifestaram-se na forma de um desatino financeiro. Esquecendo-se de insignificantes detalhes como custos salariais e aposentadorias futuras, Boulos sustentou sua proposta de contratar incontáveis novos funcionários municipais com o argumento de equilibrar a balança previdenciária.

“Como é que ninguém pensou nisso antes!? Gênio! Se dobrarmos o número de funcionários, eliminaremos o déficit; imagina se decuplicarmos…”, ironizou Alexandre Schwartsman.

O passado esmaga o presente, enterrando na ravina do descrédito uma plataforma necessária de reformas de cunho social.

A gestão Covas, como tantas precedentes, governa para uma cidade miniaturizada, que quase cabe na moldura dos rios Pinheiros e Tietê.

PONTOS CORRETOS – Boulos tem razão quando fala em corredores de ônibus, nos contratos municipais com as empresas de transporte, no desamparo dos entregadores de aplicativos, na violência policial cotidiana nas periferias, na desapropriação legal de imóveis privados abandonados. São, porém, apontamentos corretos dissociados de planos abrangentes viáveis.

Covas aponta um dedo acusador para o suposto radicalismo de seu adversário. De fato, porém, falta a Boulos o tempero radical da reforma urbana. O candidato promete construir 100 mil casas populares, retomando a meada conservadora do Minha Casa Minha Vida, um programa imobiliário de criação de guetos urbanos que propicia a constituição de currais eleitorais.

Nesse passo, circunda o imperativo de renovar o centro expandido por meio de arrojados projetos público-privados destinados a erguer áreas de uso múltiplo compartilhadas por diferentes faixas de renda.

SEM PLURALIDADE – “Radical é você”, retrucaria um Boulos utópico ao prefeito que, abraçado ao governador semibolsonarista, reitera infinitamente a cidade da gentrificação, do apartheid urbano e da violência. Mas o Boulos realmente existente não aprendeu nenhuma das lições emanadas do longo percurso do lulismo.

Sobretudo, como seu partido, não entendeu o valor da pluralidade política. “Eu não sou Jair Bolsonaro; trato a democracia, os Poderes, com diálogo”, respondeu Boulos diante de uma indagação sobre suas eventuais relações com a Câmara de Vereadores. “A Venezuela não é ditadura, Cuba não é ditadura, o governo Maduro foi eleito”, exclamou o mesmo Boulos em 2018.

O problema é que um Bolsonaro de esquerda continua a ser um Bolsonaro.​

4 thoughts on “Boulos representa a restauração do lulismo, porque o PSOL virou “linha auxiliar” do PT

  1. O PSOL é sério, não brinca em serviço. TAÍ, MAIS UMA PROVA daquilo que sempre digo por aqui, em nossos debates de anos a fio pela gloriosa Tribuna da Internet, sob o comando do decano, Carlos Newton, um dos papas do jornalismo brasuca, com algumas participações do decano maior Hélio Fernandes, uma lenda viva do nosso jornalismo mais combativo, que muito nos honra, não obstante alguns bolsonarianos, milicos de pijama e cia, sempre dando um jeitinho de tentar desqualificar as nossas colocações dando conta de que, gostem ou não gostem, os parlamentares do PSOL, homens e mulheres, não brincam em serviço, às vezes até bem humorados mas sérios e implacáveis no exercício dos respectivos mandatos, avessos à corrupção e ao desperdício do dinheiro público, e até radicais mesmo contra malfeitos praticados no seio da administração pública, tanto é assim que, gestado na barriga do PT, o PSOL nasceu como dissidência do PT, à moda filhos que não renegam os seus pais mas que deixam bem claro que só os copiam nas suas qualidades e que refutam os seus erros e defeitos, e assim tem sido desde a formação do PSOL. E é ótimo que assim seja, e continue sendo, se reinventando, evoluindo, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o projeto novo e alternativo de política e de nação, com Democracia Direta e Meritocracia, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, que vê na atuação séria dos e das parlamentares do PSOL, compatíveis com a meritocracia, o possível embrião dos novos tempos políticos que urge descortinarmos que só será possível com o estabelecimento de um novo padrão de qualidade na atuação política, rigorosamente qualificada, capaz de fornecer à Administração Pública, União, Estados e Municípios, quadros melhores, mão de obra qualificada, para que possamos enfrentar a contento, e vencer, as grandes demandas nacionais e internacionais impostas pelos novos tempos, sob pena de permanecermos à margem da evolução da ordem natural das coisas e pessoas, condenados à condição colônia eterna, à reboque do mundo civilizado, à mercê dos irmãos mais velhos norte-americanos, russos, chineses e afin$ que não brincam em serviço, não tem bandidos de estimação, não compactuam com malfeitos, não se entregam a vaidades e nem dão sopa para o azar. Portanto, “data venia”, verdade seja dita, justiça seja feita, o PSOL ainda é um dos poucos partidos, que ainda têm autoridade moral para nos pedir votos. E em São Paulo, tendo em vista as eleições de 2020, para prefeito, com os candidatos Guilherme Boulos e Luiza Erundina, temos dois bons exemplos de políticos do PSOL, Boulos começando e Luiza Erundina, de vasta experiência, talvez já no apagar da luzes da sua carreira política, exemplar, contra a qual não existe sequer uma só nódoa política, a não ser as reclamações de alguns lulistas tachando-a de intransigente, radical contra os malfeitos de alguns petistas equivocados que acabaram se perdendo no exercício dos seus respectivos mandatos, no que ela tem razão e faz por merecer os nossos aplausos, de modo que ninguém pode negar que Boulos, cria de movimentos sociais, está sendo batizado por uma excelente Madrinha, a exemplar Luiza Erundina. Daí a possibilidade de estar surgindo em São Paulo o possível melhor prefeito da história paulistana, contra o qual é de bom alvitre que, nas críticas desnecessárias, por ora, não se radicalize e nem se carregue demais nas tintas, tendo em vista inclusive a imperiosa necessidade de renovação de quadros políticos, primando-se pela qualidade e pela meritocracia, valendo lembrar que Boulos já descartou, enfaticamente, a possibilidade de ser candidato a presidente da república outra vez em 2022, reconhecendo que eleição municipal é uma coisa e presidencial é outra coisa, deixando assim o caminho aberto e livre para a possível grande transformação do Brasil, pelo Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, que pode estar começando por São Paulo, em limpas e boas mãos, com Boulos Prefeito e Luiza Erundina Vice, PSOL 50. Fé em Deus, Fé na Vida, Fé no HoMeM, Fé no que virá. Vamos lá fazer acontecer o que será. http://www.tribunadainternet.com.br/deputado-do-psol-entra-com-representacao-na-pgr-e-pede-que-pazuello-responda-por-acao-de-improbidade/?fbclid=IwAR2a97rPeN3uLJ1H9F1-YrNe2LVTTKc-LtIevz9cRXckkM0AloerFQxmKD4

  2. Matou a pau o saudosista do lulismo, ótimo texto, diz tudo o que representa o líder dos sem-teto, um pestismo requentado só que com o nome trocado. Hajam saudosista na maior e mais importante cidade do Brasil.

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