Braga Netto e Hamilton Mourão vetam ameaças às eleições e Bolsonaro perde pontos no eleitorado

Charge do Amarildo (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

O general Braga Netto, ministro da Defesa, e o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, vetaram as ameaças feitas pelo presidente Jair Bolsonaro à realização das eleições de 2022, na hipótese de o Congresso não votar a Emenda Constitucional que transforma o voto eletrônico em  voto impresso, como ocorria no país até 1996.

O veto está direta e claramente exposto na medida em que o general Braga Netto nega que tenha utilizado um interlocutor para levar ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, a ameaça de que não haveria eleições caso o Legislativo não aprovasse o retrocesso proposto, fatalmente derrotado, sobretudo porque exige o apoio de 308 deputados e de 54 senadores.

REPÚBLICA DE BANANAS – O general Braga Netto mostrou-se favorável a um sistema que permita auditagem, hipótese já tornada viável pelo ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O general Hamilton Mourão fechou o círculo condenando as ameaças, embora se dizendo favorável ao voto impresso. Frisou, no entanto, que se o voto impresso não for aprovado as eleições não deixarão de se realizar. Mourão acrescentou:”É lógico que vai ter eleições. Quem é que vai proibir eleições no Brasil? Francamente, não somos uma república de bananas”.

Essa é a leitura que faço do episódio e que não coincide com a leitura da reportagem de Julia Chaib, Danielle Brant e Daniel Carvalho, Folha de S.Paulo de ontem. Na minha opinião, o veto às ameaças é o ponto central e nevrálgico da questão. E os dois generais manifestaram-se nesse sentido, como está na reportagem de O Globo, de Melissa Duarte, Mariana Muniz e Daniel Gullino.

Braga Netto afirmou: “O Ministério da Defesa reitera que as Forças Armadas sempre atuarão dentro do limite da Constituição. A Marinha, o Exército e a FAB são instituições nacionais, comprometidas com a sociedade, com a estabilidade constitucional do país, com a manutenção da democracia e da liberdade”.

URNAS ELETRÔNICAS – Por seu turno, o ministro Barroso sustentou: “Temos uma Constituição em vigor, instituições funcionando, imprensa livre, sociedade consciente e mobilizada em favor da democracia”. Voltou a dizer que tem feito uma defesa enfática sobre as urnas eletrônicas, sistema que tem sido alvo de restrições do presidente Bolsonaro. O projeto de retorno ao voto impresso vem perdendo força no Congresso, embora seja uma bandeira do governo.

O ministro Gilmar Mendes também se pronunciou contra a ameaça e o retorno ao voto impresso. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, manifestou-se acentuando que, seja qual for o modelo, a realização das eleições em 2022 não está em discussão. “Elas irão acontecer,  pois são a expressão da soberania do povo. Sem elas não há democracia e o país não admite retrocesso”, destacou.

O deputado Arthur Lira, apontado como tendo recebido a falsa informação atribuída ao general Braga Netto, desmente qualquer contato e nega também ter levado o assunto ao presidente da República. É claro, pois se não houve contato, ele não poderia levar um assunto que não aconteceu.

REPERCUSSÃO – No meu ângulo de visão, o episódio produziu uma consequência importante que foi a definição militar contra o impulso de Jair Bolsonaro. Provavelmente, o fato terá repercussão na caminhada marcada para hoje, sábado, na Avenida Paulista contra o atual governo do país.

Pelo artigo que Delfim Netto publicou na Folha de S.Paulo, na quarta-feira, classificando o governo de “politicamente acéfalo, inepto e incapaz” (afirmação literal), existe até a possibilidade de indiretamente parte da Fiesp apoiar a mobilização que ocorrerá inclusive em frente à sua sede.

MINISTÉRIO DO TRABALHO  –  Reportagem de Geraldo Doca e Daniel Gullino, O Globo, dá como certa a recriação do Ministério do Trabalho na próxima semana, decisão tomada pelo presidente Bolsonaro para tentar melhorar sua aprovação pública abalada como o Datafolha revelou, portanto com reflexos eleitorais relativos a seu projeto de reeleição nas urnas do próximo ano.

Há a possibilidade de um novo Ministério do Trabalho voltar a absorver o da Previdência Social e expandir a sua atuação no combate ao desemprego, fomentando a retomada de postos de trabalho, além de recuperar também a gestão do Fundo de Apoio ao Trabalhador e do FGTS. O caso do FGTS, entretanto, é mais complicado, pois ele sempre foi administrado e operacionalizado pela Caixa Econômica Federal.

DESCOMPRESSÃO – Jair Bolsonaro afirmou que de fato o Ministério do Trabalho vai absorver o da Previdência, o que dá uma certa descompressão nas tarefas do ministro da Economia, Paulo Guedes. Até este momento, como titular do Ministério da Economia, Paulo Guedes,  na realidade,  acumula as pastas da Fazenda, do Planejamento, do Trabalho, da Previdência Social, e ainda comanda o projeto de privatização das empresas estatais, como é o caso de Furnas, Chesf, EletroSul, EletroNorte e Eletrobras.

Na minha opinião, não existe no mundo ninguém capaz de realizar administração simultânea como essa porque exige um conhecimento profundo de todos esses setores. Além disso, há o fato de que limita a atividade e o esforço humano. Por fim, porque absurdamente o Trabalho e a Previdência Social tornaram-se meras secretarias sob o comando de Guedes, um nítido adversário das questões salariais dos assalariados e também favorável ao que chamo de “mão de tigre” do mercado. Lembro até uma velha frase política: “Quem monta um tigre não sabe quando pode descer”.

LULA PERDE PONTOS  Carolina Linhares, em reportagem publicada ontem na Folha de S.Paulo, aponta um estudo da empresa Quaest que atua na área de pesquisas na popularidade dos candidatos à Presidência no segmento digital. Lula, para a Quaest, perdeu 14 pontos no volume de notícias veiculadas online, consequência de seu apoio (a meu ver, um erro grave que cometeu) de apoiar o regime comunista de Cuba.

O índice de Bolsonaro era de 48 contra 43 do ex-presidente. No dia seguinte às declarações de Lula, favoráveis à ditadura cubana, seu índice caiu para 29 pontos e, no momento, está em 27 pontos.

Entretanto, verifica-se que sua força eleitoral registrada pelo Datafolha é de 46 pontos contra 25 de Bolsonaro. Deduzo que as manifestações digitais abrangem a classe média e os segmentos de renda mais alta, enquanto que em todos os grupos de menor renda o voto digital não influi na intenção de voto.

MARCELO PROUST – A editora Globo, revela Etienne Sauthier, relançou, inclusive no Brasil, a obra de Marcel Proust, “Em busca do tempo perdido”. Os dois primeiros volumes, “No caminho de Swann” e “À sombra das raparigas em flor” encontram-se nas livrarias.

Alguns anos atrás, penso eu que uns quinze, Carlos Heitor Cony me disse que havia sido feita uma pesquisa entre intelectuais de vários países sobre o maior romance do século XX. E o resultado apresentou em primeiro lugar “Ulysses”, de James Joyce, e, em segundo lugar, “Em busca do tempo perdido”, de Marcel Proust.

Cony votou em Proust. Perguntei ao meu amigo Ruy Castro em quem ele votaria e ele disse que seu voto também iria para Marcel Proust. A mesma pesquisa no campo da poesia deu vitória disparada para “Terra Devastada” de T. S. Elliot. Como nas corridas, não houve sequer segundo lugar. A diferença de Elliot sobre qualquer um foi gigantesca. Vou perguntar hoje a minha amiga Ecila de Azeredo Grunewald, viúva de José Lino Grunewald, em quem ela votaria. Digo amanhã.

MELHOR ROTEIRO – O melhor roteiro com as horas dos jogos olímpicos está sendo publicado pela Folha de S.Paulo no caderno que trata da Olimpíada de Tóquio. Na edição de sexta-feira, a Folha publicou a programação do próprio dia, com os horários e as emissoras que iriam transmitir os jogos, além também da programação de sábado e de domingo.

Assim, os leitores podem se informar da melhor forma para saber todos os detalhes. Neste sábado, Brasil e Holanda no futebol feminino está sendo agora às 8h da manhã. No domingo, Brasil e Costa do Marfim masculino será às 5h30. Estarei lá, certamente,  diante da tela.

7 thoughts on “Braga Netto e Hamilton Mourão vetam ameaças às eleições e Bolsonaro perde pontos no eleitorado

  1. Braga Neto é da ativa? Não? Então ele pode ser tratado até de ilustríssimo mas não de general. General é aquele que carrega o céu no ombro e veste uniforme. Ele é da reserva e, portanto, um simples civil para todos os efeitos. Ele não perde a patente, mas ela só existe no papel. Vamos parar com essa cafonice, s’il vou plait.
    E por falar em cafonice, seria de valor para ressaltar a igualdade dos cidadãos
    que os senhores deputados e senadores e ministros que trabalham para o povo que parasse com essa babacada de se tratarem de excelência e vossa senhoria.
    Outra cafonice – essa da TV: boa noite para o gerson, para o joão, para todos os nossos assinantes. Espelhem-se no americano que no máximo responde com um Hi! Já estou enojado desses “boa noite a todos!”

  2. O articulista vive em outro mundo. A maioria do povo brasileiro quer, apoia, concorda, com a pauta do voto impresso auditável com contagem pública. Isso é FATO em qualquer pesquisa. Por essa pauta, o Presidente ganha muitos votos e nada tem a perder.

  3. A REFORMA POLÍTICA E O VOTO IMPRESSO
    No que diz respeito ao voto impresso, trata-se de um retrocesso, a volta dessa modalidade na contagem do desejo expresso pelo eleitor no candidato e no Partido. Desde, que criadas em 1992, as Urnas Eletrônicas têm se mostrado seguras e um antídoto contra as fraudes, que ocorriam na contagem anterior. As urnas contendo o papel eram roubadas e adulteradas no caminho entre as Seções Eleitorais até o TRE, além de demorarem dias para conhecimento do resultado. A simples menção de retornar aqueles tenebrosos dias, já denota o desejo de manipular as eleições de 2022. Configura se como um desserviço a nação e o risco de invasão ao Congresso, tal e qual estimulado por Donald Trump, que não aceitou a derrota para Biden, alegando fraude, quase resultando em tragédia grega.
    A Reforma Política, como está sendo desenhada por Arthur Lira, também caminha para o retorno ao tempo das trevas. Querem o Voto Distrital, uma monstruosidade, que não deu certo em todo lugar, aonde foi aplicado. O voto no distrito estimula o voto de cabresto, elege cães de guarda, milicianos, artistas, pastores, traficantes, todos sem nenhuma cor partidária, sem propostas e identidade com o Partido Político. O Regime Democrático fica fragilizado e abre caminho para ditadores de plantão, que passarão a escolher por nós, os representantes no Parlamento, que apenas referendarão o Rei de ocasião.
    Portanto, o Voto Impresso e o Voto Distrital são uma ameaça a Democracia. Aprovadas essas desgraças, não haverá mais alternância de Poder, o presidente no Poder se elegerá indefinidamente, até o dia que ele quiser. O exemplo de Vladimir Putin, o ditador da Rússia, está aí, para tirar qualquer dúvida, do futuro do Brasil, se o Congresso der esse passo errado. A História condenará os seus traidores da Pátria.

    • Por que vocês insistem nessa tática de repetir 1000 vezes, achando que vão convencer os outros que é verdade?
      Ninguém nunca disse em retorno de voto impresso.

      Eu tinha duvidas sobre o voto distrital; mas, a partir de agora passo a ter interesse sobre ele.

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