Brasil e Uruguai foi um teste de verdade

Chico Maia (O Tempo)

Foi a primeira vez em que vi o público cantando na totalidade o hino do país sem ser interrompido pela Fifa, e foi emocionante.

Por questões de cronometragem, a entidade o resume ao máximo, mesmo quando se trata do país anfitrião. Ela padroniza em 90 segundos a execução dos hinos.
Pois o Mineirão virou palco dessa “transgressão”, e pelo menos 57.483 bocas levaram o hino nacional do Brasil até o fim, mesmo sem a orquestração, que era controlada mecanicamente pela Fifa.

Certamente o momento cívico pelo qual estamos passando motivou os torcedores e tocou o bom senso dos poderosos cartolas.

Esse foi apenas um dos ótimos exemplos de cidadania, civilidade e organização que tivemos no duelo entre Brasil e Uruguai, que terminou com vitória verde-amarela por 2 a 1, no Mineirão.

Da chegada fácil ao estádio, do controle do tráfego, passando pela harmonia entre atleticanos, cruzeirenses, americanos e demais torcedores, chegando à competência e à gentileza dos voluntários e das prestadores de serviço em todas as áreas do estádio mineiro.

A segurança, impecável, e a tensão existente até então eram à medida que as pessoas se aproximavam do estádio e sentiam que o ambiente era de confraternização.
Dentro do Mineirão, não parecia que estávamos em um estádio padrão do Brasil. O Mineirão e os mineiros estão de parabéns. Estamos aprovados para receber um grande evento esportivo internacional, como a Copa do Mundo.

A questão é: Infelizmente em um jogo de futebol comum, nosso, não se pode decretar feriado em Belo Horizonte, nem se contar com aparato de segurança tão gigantesco. Além do mais, grande parte dos torcedores não se comporta civilizadamente como num desse tipo. Entretanto alguns itens podem e devem ser utilizados em qualquer jogo: sinalização e orientação de agentes de trânsito e prestadores de serviço bem-preparados dentro do estádio.

O que fica. Só isso já ajudaria muito no ir e vir, no acesso e no atendimento ao público nos bares e demais serviços internos. Reforça a convicção que tenho de que a comercialização da cerveja não provoca mal nenhum, pelo contrário. Os torcedores chegam mais cedo, entram logo e aguardam o início do jogo a poucos metros da cadeira na qual vão se sentar. Circulei por todo o estádio e não vi nenhum tumulto.

O outro lado. Já longe do Mineirão, mais um jovem caiu do viaduto da avenida Abrahão Caram, durante as legítimas manifestações que invadem as ruas brasileiras. Quando o jogo estava em 1 a 1, ouvi pelo rádio que marginais saqueavam lojas nas imediações da avenida Antônio Carlos, enquanto a polícia trocava bombas com baderneiros. Tomara que nada mais grave tenha ocorrido depois que enviei esta coluna ao jornal.

Jogão. O Uruguai valorizou demais a vitória brasileira, e mais: deu uma enorme injeção de ânimo nesta fase de montagem de time do técnico Luiz Felipe Scolari, que venceu na vontade e no talento individual de alguns jogadores, de Neymar e Fred principalmente. A entrada de Bernard pôs fogo no ataque e na torcida. Duas estrelas ficaram abaixo do que normalmente jogam: Daniel Alves e Thiago Silva.

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