Brasil escapou de se tornar um inferno semelhante ao instalado na Venezuela

Do que escapamos

Na Venezuela, há filas para tudo, até para comprar medicamentos

Amauri Segalla

Uma tragédia humanitária se multiplica no exato momento em que você lê este texto. O que era ruim ontem ficou péssimo hoje. E vai piorar amanhã. Dizem que a desgraça só nos atinge quando está por perto. Do contrário, nós a ignoramos. Mas esta catástrofe não pode ser esquecida sob o pretexto da distância. Bastam pouco mais de cinco horas de voo a partir de São Paulo ou do Rio de Janeiro para chegar à Venezuela, o gigante sul-americano que vive o maior flagelo de sua história e o mais devastador para uma população das Américas desde o grande terremoto que devastou o Haiti, há seis anos.

Brasil e Venezuela dividem 2.200 km de fronteiras, mas a proximidade não foi capaz de despertar o interesse, ou pelos menos a piedade, dos brasileiros. Estamos indiferentes à dor e ao sofrimento de nossos vizinhos – e isso pode ser perigoso para nós mesmos.

É preciso entender o caso venezuelano para espreitar o que poderia ter sido o Brasil se continuássemos flertando com o receituário populista.

NO MESMO CAMINHO

Nos anos Lula e Dilma, enveredamos por esse caminho e fizemos um esforço sincero para repetir aqui os erros que destruíram os vizinhos de lá. Se a Venezuela sucumbiu, o Brasil poderia ter encontrado o mesmo destino.

Os venezuelanos chegaram ao abismo porque seus dois últimos governantes, Hugo Chávez entre 1999 e 2013 e Nicolás Maduro desde então, reciclaram fórmulas surradas da esquerda latino-americana. Como a história ensinou, elas se prestaram, antes de tudo, a saciar as ambições – ou as loucuras – de líderes que, como Chávez, se consideram messiânicos.

Pela ótica “revolucionária”, palavra que o populismo tratou de banalizar, o Estado é o senhor da vida dos cidadãos. Ele se sobrepõe à livre iniciativa, ao direito de escolha que as sociedades verdadeiramente democráticas conferem a cada um.

DESEQUILÍBRIO FISCAL

Chávez, que morreu de câncer em 2013, apoiou-se no dinheiro que jorrava das reservas de petróleo (a Venezuela detém as maiores jazidas do planeta) para oferecer alimentos subsidiados aos pobres, abrir linhas de crédito generosas para a compra de casas populares e reduzir o preço da energia, para citar as iniciativas que o tornaram o presidente mais popular da história do país. Fez isso sem pensar numa estratégia para resolver a equação “gastos públicos” versus “equilíbrio fiscal”, e o resultado é uma conta que não fecha.

Em sua sanha “revolucionária”, Chávez promoveu uma onda de estatização. Expropriou empresas de diversos setores e orgulhou-se de botar para correr empresários que defendiam a iniciativa privada. Sob Chávez, o governo venezuelano passou a controlar 80% do setor de telefonia fixa, 40% do bancário e 35% do varejo de alimentos. Refratário ao debate aberto, cassou a licença de emissoras de tevê, censurou jornais e perseguiu repórteres independentes.

CAVANDO O ABISMO

Chávez não percebeu, mas ele estava começando a cavar o abismo que asfixia a Venezuela hoje em dia. Como o Estado passou a regular quase tudo, a corrupção atingiu níveis epidêmicos (qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência) e os serviços se tornaram ineficientes, funcionando essencialmente para abastecer os bolsos dos próceres ligados ao governo.

Uma nação corrupta e ineficiente (sim, poderia ser o Brasil, mas estamos falando da Venezuela) tende a esgotar seus recursos, e foi isso o que aconteceu.

GASTOS PÚBLICOS

Entre 1999, quando Chávez assumiu o poder, e 2013, quando morreu, os gastos públicos passaram de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) para 52% (o descontrole com o dinheiro público não faz lembrar o governo Dilma?). Com Maduro, a relação se tornou mais dramática, chegando a impressionantes 60%. Junte-se a isso a queda do preço do petróleo (que responde por 95% das exportações do país) e o quadro que surge é o da falência absoluta.

Os investidores sumiram (no Brasil de Dilma também), a inflação disparou (idem aqui), o desemprego e a inadimplência atingiram patamares dramáticos (idem, idem).

Não é correto dizer que o Brasil seria a cópia perfeita e acabada da Venezuela (nossas instituições são mais fortes, nosso setor produtivo é mais diversificado), mas certamente não é exagero afirmar que os governos petistas fizeram muita coisa para repetir em solo nacional os pecados populistas de Chávez e Maduro.

BOAS INTENÇÕES…

Por mais que a esquerda feche os olhos para o problema, por mais que Chávez tenha tido, pelo menos no início, boas intenções (e que tenha até reduzido a disparidade de renda entre ricos e pobres), a realidade se impôs: a Venezuela é hoje um país em ruínas. Na semana passada, os jornais publicaram a notícia de um ex-professor universitário que foi linchado porque roubou US$ 5 de um velho que tinha saído do banco. Ele assaltou o idoso para comprar comida para os filhos, que passavam fome.

Na terça-feira 24, um menino de 8 anos morreu de câncer. Ele se tornou famoso ao aderir aos protestos contra Maduro, carregando um cartaz onde se lia “Quero me curar. Paz e saúde.” A família do garoto não conseguiu os remédios para a quimioterapia, e ele não resistiu. Seu drama é o retrato acabado da falência da saúde. A Federação Farmacêutica Venezuelana calcula em 85% a escassez de medicamentos.

POBREZA CRESCENTE

Estima-se que mais de 70% venezuelanos vivam na pobreza. O índice é equivalente ao de países miseráveis como a Somália. A população não tem o que comer. Também falta água. Nas favelas, as torneiras estão secas desde o ano passado. A escassez de água afeta a higiene, e assim surgiram surtos de doenças como a sarna. Os produtos da cesta básica sumiram das gôndolas dos supermercados.

Desesperadas, as pessoas se juntam em pequenos grupos para roubar caminhões que transportam alimentos. Mesmo com o racionamento que impõe uma cota de no máximo dois itens por semana da cesta básica para cada venezuelano, a inflação não para de subir. Na semana passada, a capital Caracas reajustou os preços tabelados em mais de 1.000%. Estima-se que, em 2016, a inflação venezuelana supere 700%. Será a mais alta do mundo.

ONDA DE VIOLÊNCIA

Conseguir comida requer lutas árduas. As filas nos supermercados chegam a 12 horas. Mesmo assim, o desfecho é incerto. O caos fez surgir a figura do “bachaquera”, “profissional” especializado em furar filas e que muitas vezes passa noites sem dormir para comprar a sua cota de alimentos. Os bachaqueras vendem os produtos por até 100 vezes o preço original.

Com a tessitura social desmoronando, uma onda de violência faz de Caracas uma das cidades mais letais do mundo. A polícia tem sido acusada de invadir casas, matar os proprietários e roubar alimentos. Justiceiros julgam e lincham supostos criminosos.

Cidadãos comuns fogem para outros países. Há alguns dias, um emissário da ONU disse que a Venezuela vive um genocídio. Enquanto isso, o presidente Nicolás Maduro ameaça fechar o Congresso e cancelar eleições. O Brasil escapou de viver este inferno.

18 thoughts on “Brasil escapou de se tornar um inferno semelhante ao instalado na Venezuela

  1. Escapou de se tornar uma Venezuela, através de um ignorante miserável usando a ladroagem como carro chefe. Partidos de falsa oposição e também corrupitos e chegamos a esse estado, a esta situação. Oposição corrupita e nojenta. Todos eles. Cambada de mer de uma bosta. Tudo ladrão.

  2. O SINCRONISMO :

    O lado b da fita de Lula
    A cronologia das primeiras conversas entre Sérgio Machado, Jucá, Renan e Sarney é esclarecedora .

    A cronologia das primeiras conversas entre Sérgio Machado, Jucá, Renan e Sarney, divulgadas esta semana, é esclarecedora. Mais do que a defesa do fim da delação premiada para presos, vê-se, dia a dia, que o grampo escancara o planejamento de um acordão para um “golpe”, ensaiado desde a demissão do ministro da Justiça no final de fevereiro. Mas não contra Lula e Dilma — e sim contra a Lava-Jato. E com a inédita participação, num primeiro momento, do PT e do PMDB unidos, se dependesse exclusivamente de Renan Calheiros.
    As impactantes gravações de Machado ocorreram por volta de 10 e 11 de março, uma semana após a condução coercitiva de Lula para depor na Lava-Jato. Às vésperas, no dia 8, Lula, em sua versão jararaca, se refugiara em Brasília, onde janta com Dilma e vai no dia 9 à casa de Renan, de quem, ironicamente, ganha um exemplar da Constituição. No dia 10, o MP de São Paulo se antecipa a Curitiba e pede a prisão preventiva de Lula (até hoje no STF). No domingo, 13, o Brasil realiza a maior onda de protestos de sua História — contra Dilma, Lula, o PT e a favor da Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro.
    Esse primeiro bloco de fatos se fecha na terça-feira, 15, quando, em plenário, Renan desiste, por imposição do DEM e do PSDB, de instalar a comissão especial que ele havia criado para discutir a adoção de um parlamentarismo tupiniquim. Fica evidente nas fitas que fortalecer o Legislativo — e a si mesmo, como presidente do Senado — com um parlamentarismo brando ou branco era o plano A de Renan. Não só na hipótese sem Dilma e Lula, ideia com que a oposição simpatizara, mas até mesmo com os dois. A dobradinha Lula-Dilma contou, muito mais do que se imaginava, com a articulação de Renan. Entregar o poder presidencialista ao correligionário Temer era o plano B. É por isso que o PT, ao ouvir agora as fitas de Machado, preserva Renan, enquanto faz um carnaval contra as declarações de Jucá, aliado de Temer desde a primeira hora do impeachment, já expelido do governo pela Lava-Jato.
    Com o contundente recado das ruas, Renan perde de vez espaço no PMDB para Cunha, a quem cabe prosseguir com o impeachment na Câmara. O PT, em desespero, busca uma solução própria. Dilma, que não aceitou licença ou renúncia, peça-chave do jogo “parlamentarista” com a oposição, anuncia no dia 16 que Lula, com prisão pendente, será ministro da Casa Civil, assumindo o risco de obstrução da Justiça. Acusação que ficaria evidente horas depois com a divulgação, pelo juiz Moro, do grampo com as conversas recentes de Lula, inclusive com Dilma. Entre tantos outros ataques ao STF e ao MPF, o candidato a primeiro-ministro diz ao prefeito Eduardo Paes, do PMDB, que ele era a única chance que o país tinha de parar “esses meninos” da Lava-Jato. As gravações de Machado, da mesma época mas conhecidas só agora, são o lado B das fitas de Lula. No dia 17, com Lula já empossado e Moro como nunca na berlinda, procuradores e juízes divulgam manifesto alertando para o risco de atentados às investigações, “numa guerra desleal e subterrânea travada nas sombras, longe dos tribunais”.
    Naquela tarde, São Paulo reagiu e rugiu como em dia de futebol. Mas, no silêncio dos palácios de Brasília, pensava-se que o Lula de 2016 ainda era o de 2003. Que o poder dos políticos era maior do que o do povo. E que o aperfeiçoamento da democracia contra a corrupção era o mesmo que “ditadura da Justiça”. Ainda assim, concluiu-se, em 17 de abril, o afastamento de Dilma, que o PT espertamente chama de golpe para destruir conquistas e abafar a Lava-Jato. A Temer, herdeiro constitucional da crise, resta torcer pela economia e rezar para que seu nome não apareça de forma irrefutável na boca dos delatores.

    http://oglobo.globo.com/brasil/o-lado-da-fita-de-lula-19388881#ixzz49yUSzZMO

  3. o Sr. Amauri com todo o respeito, mas o senhor deve estar digitando no seu teclado o texto na linda e bela cidade de Zurique, Suiça, uma das cidades mais seguras do Planeta (top10), indices de violência beirando a 0%.
    Já estamos faz tempos na Venezuela, só que o senhor como está bem longe daqui ainda não percebeu a gravidade da situação..
    Posso citar milhões de exemplos, mas vou citar apenas dois.
    Tente viver nos Estados de São Paulo, desgovernador pela mesma Quadrilha de Corruptos há mais de 30 anos, o senhor verá que estamos bem próximo da venezuela, e com uma coisa bem incrível de acontecer, o senhor pode estar passeando com seu cãozinho na rua e ver de perto várias explosões de Caixas Eletrônicos, em plena luz do dia.
    Tente então viver no Rio de Janeiro, também desgovernado pór quadrilhas há anos, aliás, são irmãos siameses daQuadrilha de São Paulo, tem o mesmo DNA CORRUPTO e o mesmo grupo político. que estão há séculos no poder.
    Estado tomado pelas Organiozações Criminosas, tem mais poder do que o Estado completamente falido sem o mínimo poder de reação ao crime que acaba com famílias inteiras……..

    E então, estamos na Venezuela ou estamos na bela Suiça.???

    • Posso falar pelo RJ, aqui a quadrilha que nos assalta há quase 10 anos, sendo quase 8 anos de Sérgio Cabral como governador e quase 7 anos de Eduardo Paes como prefeito, eram carne e unha com Lulla, depois Dilma, ou seja, parceiros de trambiques. Não podemos esquecer o video em que Lulla aparece ao lado de Sérgio Cabral, este ultimo esculachando um menor na comunidade,

      https://www.youtube.com/watch?v=kfnhm_n-tg0

  4. Virgílio,

    você está neste texto como comentarista. Explica pra mim: por que?, por que?, por que? alguém destrói o próprio país?

    Existe uma forte orquestração de fora, não? Não sei onde, mas é como se fossem ensinados a nos destruir.

    Por que?

    Isto é tudo encenação para destruir a América latrina? O que é isto tudo, coisa de louco?

    Não, até as gravações, isto é coisa que vem de fora, orquestrada. Bota fogo no vizinho e depois fica com o que é dele. O povo que se lixe.

    Alguém tem que ganhar muito. Chávez e Maduro obedeceram à instância superior, o mesmo iria acontecer aqui.

    Quem?, quem?, quem articula os cordéis para arrasar a terra? Ou deixar a terra para poucos, fazer eugenia social?

    Isto é o comunismo? Isto é o quê, pelo amor de Deus?

  5. Ofélia
    Continuando aqui. O maior operador dessa doutrina é o ex vice do Bush Dick Cheney, que tem até um exército privado chamado BlackWatter.
    Por ” mero acaso ” o governo Lula deu os dados da Petrobras para a Halliburton tomar conta e os projetos das partes sensíveis dos equipamentos de águas profundas, para a Diamond offshore Driiling da família Reagan. Ambas tem filiais em Macaé / RJ.

    • É o capitalismo mais extremado, que arregimenta líderes em países com riquezas naturais invejáveis (petróleo), como o nosso e a Venezuela, para roubar a chave do cofre.

      Nossos políticos desconhecem a tramoia ou não podem fazer nada e também querem lucrar?

      E as Forças Armadas? Não quero crer que estejam no papo. Também,,, vão brigar contra os americanos?

      Deus, o mundo evolui cientificamente, mas os homens…
      Foi sempre assim.

  6. Enquanto isso a filha do Chavez compra dólar no oficial e revende no paralelo, já acharam várias contas dela no exterior. Já o sobrinho e filho de criação do Maduro foi preso no Haiti com 800 quilos de pasta base de coca. Tudo em nome do ” proletariado “.

    • E enquanto Lula pede votos para o ditadorzinho que nas horas vagas manda atirar no povo, conversa com o pajarito piquitito Chavez e culpa o Homem Aranha dos desenhos animados imperialistas pela violência desenfreada nas ruas venezuelanas, Daniella , a primeira filha de Diosdado Cabello ( o segundo homem do regime bolivariano e o chefe do Cartel de Drogas operado pelas Forças Armadas ) canta no programa de televisão do papai – que tem hora para começar mas não para terminar – a canção Gotas de LLuvia, dedicada à memória do grande Comandante .
      Peço licença para fazer na TI esse registro antropológico da canalha.
      https://www.youtube.com/watch?v=_Pnq-E2ZEnQ

    • E dizem, vi hoje na Globo News (?), que Lula tem 30 milhões. Não botei o cifrão porque não sei qual a moeda. Deve ser real, mas sabe-se lá?

      Vir aqui faz mal pra alma, pra paz de espírito.

      Nada posso fazer. Ninguém pode.

  7. A Venezuela é o exemplo clássico de que esse esquerdismo latinoamericano populista, corrupto, e autoritário destrói completamente um país, caso tenha tempo suficiente para isso.

    Por lá a guerra civil ainda estourou porque o governo ditador ainda tem algum dinheiro para pagar as milícias armadas mercenárias, que por enquanto controlam revoltas populares atirando para todo lado!

  8. Continuo concordando sobre texto. O sr. Juca Valo resumiu de forma muito clara o que pode se dá e ser fatal.(fatal aqui no sentido de matar mesmo). Esquerdismo de mer. e corrupto engendrado por um alcoolatra corrupto e ignorante e uma oposição que não merece este nome, de oposição, mas de lacaios da corrupção. Uns bostas e corruptos, corruptos, corruptos até a medula, como se dizia antigamente(CN). Falar nisso, não tenho lido o Helio Fernandes. Lutou tanto. Brava Tribuna da Imprensa. Mas também foi muito cruel com pessoas que não mereciam tanto, passou…

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