Brasil libera R$ 333 mil para combate internacional à lavagem de dinheiro, mas internamente nada faz para punir os criminosos

Carlos Newton

É um eterno jogo de faz de conta. Os jornais alardeiam que o governo federal autorizou a liberação de mais de R$ 333,5 mil para programas internacionais de combate à lavagem de dinheiro e terrorismo, cujos valores serão convertidos em dólar norte-americano e canadense, além de euro.

Mas é um posicionamento meramente teórico, porque na prática o que menos se combate em nosso país é justamente a lavagem de dinheiro e o consequente enriquecimento ilícito (no caso específico do Brasil, o terrorismo acaba entrando de contrabando nessa história toda, pois é um problema que praticamente inexiste por aqui).

É desalentador constatar que, mais de 80 anos depois da prisão de Al Capone nos Estados Unidos, até hoje a lição não foi aprendida pelas autoridades brasileiras, que continuam fazendo vista grossa ao enriquecimento ilícito de criminosos de todo tipo, especialmente autoridades que desviam preciosos recursos púbicos.

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FALTA VONTADE POLÍTICA

Se o Brasil realmente estivesse disposto a combater lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, não lhe faltam instrumentos. Basta cruzar os dados existentes nos cartórios de imóveis dos bairros mais luxuosos com as informações dos registros de veículos, iates e aviões. Depois, conferir com a declaração de renda dos felizes proprietários e verificar se é possível justificar a acumulação dessas riquezas.

Na era da computação, não há a menor dificuldade para identificar enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. E nem adianta usar testas-de-ferro ou laranjas, porque também podem ser facilmente desmascarados e imediatamente conduziriam os policiais aos verdadeiros donos, pois não existe como ocultar esse tipo de ligação.

Se houvesse o cruzamento desses dados, criminosos já claramente identificados como o governador Sergio Cabral, seu ex-concunhado Fernando Cavendish e seu secretário de Saúde Sergio Cortes já estariam atrás das grades há muito tempo. Suas fortunas são inexplicáveis, há abundância de provas.

Mas o Ministério Público não se mexe, a Polícia nada vê e a Justiça é conivente. Resumindo: não há vontade política e as autoridades (principais beneficiárias da lavagem de dinheiro) continuam se comportando como se não houvesse pecado ao Sul do Equador, sacada genial de Chico Buarque e Ruy Guerra na peça “Calabar”.

E la nave va, nesse país do faz de conta, onde reina a impunidade.

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