Brasil perdeu 23,6 mil leitos hospitalares entre 2010 a 2015

A população cresce e o número de leitos hospitalares diminui

Pedro do Coutto

Esta realidade mostra o quadro dramático que envolve a saúde pública no país, destacado pelo presidente do Conselho Federal de Medicina, Carlos Vital Tavares Corrêa Lima. A revelação foi divulgada no jornal editado pelo CFM na edição desse mês, distribuída à classe médica. Verifica-se assim que, enquanto a população cresce a uma velocidade de 1% ao ano, a rede hospitalar diminui. O Rio de Janeiro lidera a relação das perdas com o fechamento de 7.053 leitos. Este resultado é desastroso. porque São Paulo, com uma população muito maior, perdeu 2.900.

Atualmente, em todo o país existem 312 mil leitos, o que representa um fechamento incrível de 13 leitos por dia. O presidente do Conselho Federal de Medicina acentua os diversos reflexos negativos dessa realidade, enfrentada diariamente por médicos e pacientes, contribuindo para elevar atrasos nos diagnósticos, início dos tratamentos, taxas mais altas de morbidade e mortalidade.

CORTE DE VERBAS – A insuficiência de leitos para internação constitui um dos fatores para aumentar o tempo de permanência dos doentes nas emergências à espera do devido encaminhamento para o leito adequado. As causas têm origem no corte de verbas e da não aplicação de recursos orçamentários para a saúde.

Este ano, por exemplo, de um orçamento de 118,7 bilhões previstos para o Ministério da Saúde, o governo já praticou uma redução de 37%, equivalendo assim a 44,8 bilhões de reais. A saúde deveria ter sido preservada porque se trata de algo profundamente ligado à integridade e a existência humana.

Para o médico Pedro Campello, nesse ritmo o problema vai se agravar, principalmente porque, com a retração econômica, milhares de família perderam a condição de pagar planos particulares e, com isso, vão ter que recorrer a rede pública.

NÃO HÁ LEITOS – A rede pública encontra-se pressionada também pelo crescimento da violência, que produz vítimas diárias em grande número que exigem atendimento médico de urgência. Todos esses fatores convergem assim para um agravamento da capacidade pública, já atingida pela redução de recursos financeiros para mantê-la.

E se não há recursos públicos suficientes, tanto assim que o Brasil perdeu quase 24.000 leitos nos últimos cinco anos, não haverá também recursos a serem aplicados em novos investimentos. Falta manutenção nos hospitais, faltam medicamentos, faltam materiais cirúrgicos, faltam até serviços de limpeza.

MÉDICOS CUBANOS – O CFM condena de outro lado a permanência de médicos estrangeiros no país, solução contida no Programa Mais Médicos, que pouco ou nada acrescentou. Não há necessidade de mão de obra estrangeira, quando os médicos nacionais podem ser facilmente convocados. O CFM assinala que de 2013, quando o programa foi criado a 2015, foram gastos 5,3 bilhões de reais, dos quais 3,6 bilhões repassados para Cuba, o que corresponde a 67%. O CFM destaca ainda que até maio de 2016 já foram repassados, para Cuba 2,9 bilhões, embora a previsão inicial do envolvimento cubano esteja prevista para o final de 2016.

PERÍCIAS MÉDICAS – Enquanto isso, o Diário Oficial de 12 de julho publica medida provisória do presidente Michel Temer estabelecendo a realização de perícias médicas para os casos de auxílio doença e de invalidez permanente pagos pelo INSS. Os médicos do Instituto serão acionados para realizar tais perícias à base de R$ 60 cada uma.

O segurado aposentado por invalidez poderá ser convocado a qualquer momento para avaliação das condições do segurado. O mesmo se aplica ao auxílio doença. O pagamento de 60 reais por perícia valerá por 24 meses. O segurado que se encontrar sob auxílio doença que não possa recuperar sua atividade habitual deverá submeter-se a um processo de reabilitação profissional.

16 thoughts on “Brasil perdeu 23,6 mil leitos hospitalares entre 2010 a 2015

  1. O quadro de decadência da saúde pública é dramático. Está crescendo o número de clínicas e hospitais chamados populares, com preços dos serviços prestados bem abaixo da média do mercado.

  2. Por que os seguidores do PT, seus sectários, fanáticos, a sua masa de manobra, os incultos e incautos manipulados pelo partido de criminosos não reclamam do abandono da saúde pública?!

    Por onde andam o MST, os Sem Teto, Sem Nada, Sem Mordomia, Sem Emprego, Sem Renda, Sem Namorada, Sem Filhos … os vagabundos contratados a sanduíche de mortadela para badernas nas ruas e impedir o ir e vir das pessoas não botam a boca no trombone?!

    POVO DE MERDA!!!

  3. COMPLEMENTANDO:

    Pelo menos os que escrevem sem “S” a palavra massa, como fiz na primeira frase do comentário acima, e pelo qual me penitencio, registram a inconformidade por este descaso com o povo!

  4. Enquanto isso, na terra da Olim piada, um cidadão que há 5 anos atrás ficou tetraplégico por ter ‘encontrado’ uma bala perdida, morreu na 3.ª pois encontrou outra….

  5. Afirmo sem medo de errar, o grande Problema do Brasil além dos assaltos aos cofres públicos é a ausência de Profissionais das Áreas Específicas, Competentes e Estruturados com outros Profissionais, ou seja, GERÊNCIA PROFISSIONAL ! Se falarmos isso para a panacéia que procura “cargos para mamarem e roubarem” na epoca das Eleições, eles falam que somos elitistas, discriminadores, pobrecidas, homofóbicos ou todo tipo de adjetivos que desqualificam o ser humano competente perante esse mar de inescrupulosos que matam o Brasil e seu povo há anos. Quando se fala em Organizar ele tremem ! A CRISE ALÉM DE MORAL, ÉTICA, JURÍDICA, FINANCEIRA, ECONÔMICA, É ADMINISTRATIVA, FALTAM PROFISSIONAIS COMPETENTES E SÉRIOS PARA ADMINISTRAREM O PAÍS COMO UM TODO, CHEGA DE AMADORISMO, BANDITISMO E CINISMO.

  6. Rapazes, sejam otimistas, isto ainda ficará bom,
    No dia em que o saci cruzar as pernas, o sargento Garcia prender o zorro ou o lula aprender a ler, teremos uma pátria maravilhosa.
    Mas enquanto estes tempos miraculosos não chegam, vão curtindo ai uns Cunhas, Dilmas, lulas,
    Renans, Jucás e tantos outros espécies desta fauna político-jurídico, que a todo dia entram nas nossas casas, para nos mostrar como a vida é bela e o Brasil a filial do paraíso.
    Nada de pessimismo, a coisa ainda ha de melhorar, um dia seremos grande.

  7. É a perda dos direitos trabalhistas e de saúde pública patrocinada por Dilma e a petralhada. Menos ‘médicos’ cubanos já.
    A coisa vai melhorar é só esperar um tempinho, digamos, cinquenta anos.

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