Brasil precisa seguir a trilha dos países nórdicos, mas continua mergulhado no radicalismo

Charge do dia

Charge do Cabalau (Arquivo Google)

Carlos Newton

Aqui na trincheira da Tribuna da Internet, abordamos neste domingo, dia 26,  o fenômeno da derrocada das ideologias, mediante a progressiva extinção da dicotomia entre direita e esquerda, embora no Brasil e em outros países essa estranha discussão continue a existir, como se fosse uma mula política sem cabeça.

O sepultamento desse debate bizantino, conforme se dizia antigamente, já é uma realidade concreta nos países nórdicos, que adotaram um regime misto de capitalismo e socialismo para conseguir chegar a uma situação satisfatória em termos de desenvolvimento social, que é tão importante quanto o crescimento econômico.

DESIGUALDADE SOCIAL – Somente com o incremento do desenvolvimento social, caminhando acoplado ao crescimento econômico, é que se poderá reduzir a desigualdade social, para evitar que se mantenha uma divisão da sociedade em muitas castas, com enorme distância entre os maiores e os menores rendimentos, como ainda ocorre na grande maioria das nações.

Essa é a preocupação de economistas modernos como os americanos Joseph Stiglitz e Paul Krugman, ambos prêmios Nobel, o francês Thomas Piketty e os brasileiros Armínio Fraga e André Lara Resende.

Mas o Brasil está caminhando no sentido inverso, aprofundando o abismo entre os maiores e os menores salários, ao tentar uma sociedade em que a miséria absoluta possa conviver com a riqueza total.

NÓRDICOS À FRENTE – Não existe polêmica a respeito dos excelentes resultados obtidos pelos países nórdicos com esse democrático regime misto de capitalismo e socialismo, porque se trata de fatos incontestáveis em termos de qualidade de vida, com atendimento adequado em educação, saúde, habitação e emprego, que resultam em evolução também da segurança pública, com baixa existência de criminalidade.

A propósito da criminalidade, os problemas derivam da redução do número de habitantes, que é compensada com a atração de imigrantes de países árabes e africanos, que acaba formando guetos nas grandes cidades, pois ainda não existe mundo perfeito.

AINDA MUITO LONGE – Aqui nas Américas, ainda estamos muito longe de atingir o desenvolvimento socioeconômico dos países nórdicos. Pelo contrário, a classe política dos países americanos, incluindo os Estados Unidos, insiste em manter as diferenças sociais, como se fosse possível manter eternamente a convivência entre ricos e miseráveis. Mas esta mistura não pode existir, é como água e óleo e o produz uma situação explosiva em termos de segurança, fato incontestável nas grandes cidades do país inteiro.

Essa dolorosa realidade brasileira nos castiga e faz com que persista aqui a dicotomia entre direita e esquerda, com cada facção culpando a outra pelas mazelas do país. Embora essa divisão política demonstre ser cada vez mais artificial, continuam a existir adeptos de todo tipo de tendências ideológicas radicais, inclusive racistas, porque o ser humano é mesmo cheio de defeitos.

DEBATER EM ALTO NÍVEL – Aqui na Tribuna da Internet fazemos um esforço permanente para que essa discussão ideológica se trave em alto nível, para que se consiga deixar o radicalismo de lado, na busca de caminhos que possam ser trilhados por nosso país.

Muitos comentaristas e leitores não aceitam esSa abertura, tentam forçar que suas ideias prevaleçam, em detrimento das demais. Alguns ficam revoltados e até abandonam o blog, mas depois acabam voltando normalmente, pois o espaço não pertence a ninguém e está aberto a todos, desde que não haja ofensas.

Muitos voltam sob pseudônimos, o que é um errado, pois cada um de nós deve se orgulhar de seus ideais, mas sempre concedendo aos demais o direito de divergir. Não é fácil, mas vamos perseguir sempre esses objetivos.

23 thoughts on “Brasil precisa seguir a trilha dos países nórdicos, mas continua mergulhado no radicalismo

  1. Caríssimo Newton.

    Uma coisa é querer e a outra é poder.

    Que seria ótimo se seguíssemos a Escandinávia e sua política econômica e social, incluindo o sistema parlamentarista, sem discussão.
    Agora, tanto nossos poderes quanto o povo estamos demasiadamente longe do desenvolvimento humano que os países nórdicos apresentam para o mundo e praticam para seus cidadãos.

    Nossos governantes jamais – repito -, JAMAIS, terão a mentalidade de dirigentes políticos, judiciários e executivos, conforme seriam, pelo menos, viável e aceitável, o modelo que deveria ser implantado no Brasil, a começar pela mentalidade de nossas elites, castas e sistema financeiro, egoístas, golpistas e obcecados pelo poder.

    O mal maior desse país continental é a sua crônica deficiência no ensino, porém hoje acrescido de permanentes maus exemplos de nossas autoridades cujo comportamento é padrão:
    Roubar, explorar e manipular!

    O Brasil possui tantos erros estruturais e organizacionais que, a grosso modo, somente reconstruindo-o de cabo a rabo. Não há outro meio, a menos que seja violento, “antidemocrático”, de modo que as mudanças e imprescindíveis reformas fossem feitas.
    Por exemplo:
    Com esse legislativo em todos OS NÍVEIS, corrupto, venal, vagabundo, somente iremos regredir;
    Com o atual judiciário, veremos a impunidade correr bela e faceira, e jamais conviveremos com a Justiça;
    Com o executivo em todos OS NÍVEIS, teremos corrupção, incompetência, mediocridade, acordos espúrios, e luta incessante para o partido eleito à presidência se manter no poder.

    Portanto, esses defeitos estruturais seriam suficientes para impedir que sequer fôssemos parecidos na coleta de lixo da Escandinávia, para resumo da conversa.

    Quanto aos aspectos organizacionais, o país não possui nada definitivo, a começar com impostos, carga tributária, IR, política fiscal … nada.
    Tais dados e formas de arrecadação mudam constantemente, criando sérias dificuldades para empreendimentos e longevidade de empresas, em consequência, o desemprego, miséria e pobreza a cada ano aumentando suas estatísticas.

    Mesmo que fechássemos o legislativo por um ano para começarmos pelo que há de pior, ainda teríamos de mudar a escolha dos ministros para os tribunais superiores, modificar a política econômica, enaltecer os ensinos básico e fundamental, escolas técnicas em profusão, infraestrutura, saneamento básico …

    O pais necessita ser absolutamente remodelado, caso contrário qualquer tentativa de mudança será um mero paliativo ou remendo mal feito.
    E, de modo a se alcançar mais uma vez a esperança, até o povo precisaria mudar a sua consciência!

    Pergunto:
    Como que tantas alterações e profundas para iniciarmos a nos assemelhar a Escandinávia, necessitaríamos?
    E quantas delas poderíamos saber que seriam levadas a efeito?

    Por essas e outras, que certa vez escrevi que não temos como copiar ou parecer como outra nação, pois somos diferentes na essência, quanto mais na forma.
    Não que os escandinavos sejam melhores do que os brasileiros – bom, em termos de honestidade parlamentar, judicial e executiva não resta dúvida alguma -, refiro-me povos de lá com o nosso.

    O que eles têm de mais e melhor, então a comparação pessoal também se torna problemática, é um alto nível de vida PARA TODOS, muito diferente do contraste social que ostentamos.
    Basta que comparemos o IDH da Escandinávia com o nosso, e teremos um país com o seu povo vivendo de forma incompreensível e inaceitável tantas dificuldades e empecilhos!
    Pois esse é o Brasil e o brasileiro.

    O que seria ideal que desenvolvêssemos estaria no uso de nossas características educacionais, climáticas, ambientais, regionais, menos haver indústria ou montadora de veículos espalhadas pelo Brasil;
    Não seria viável que a Amazônia sofra o desmatamento para o plantio de grãos, se temos terras a perder de vista sem derrubar árvores;
    Muito menos crível, que os estados produtores de alimentos tenham contra si diferenças de impostos, que geram guerras fiscais e aumentos nos custos das mercadorias para nosso sustento;
    Da mesma forma os impostos que se agregam aos livros, aos materiais escolares, encarecendo uma área vital para qualquer país;
    O Brasil deveria ser um só, e não separado por impostos, taxas, políticas econômicas regionais, onde uns estados são mais desenvolvidos que outros, da mesma maneira quanto à educação e saúde.
    Se não temos unidade como país, queremos o quê?

    Na razão direta dessas nossas falhas graves, erros clamorosos, ausência de planos de governo para os segmentos no mínimo fundamentais para nosso desenvolvimento, temos a falta de honestidade, de patriotismo, de interesse pela nação e cidadãos, por parte daqueles que elegemos especificamente para que nos possibilitassem uma vida melhor!

    Não há como sonharmos em implantar o modelo social, político e econômico dos nórdicos, pois qualquer tentativa nesse sentido e haveria inúmeras dificuldade para essa realização:
    A nossa distância entre aqueles povos em termos de recursos humanos, direitos humanos, direito à vida, direito ao estudo, oportunidades de trabalho, empreendimentos, estabilidades em todas as áreas, regras definidas, instituições confiáveis são tão imensas, que é mais fácil eu ser o próximo presidente da Rússia, que lograrmos êxito sequer na tentativa!
    Seria mais viável eu iniciar uma carreira no sacerdócio, ser padre, e me tornar Papa em dois anos, que um dia o Brasil chegar ao nível da Escandinávia, lamentavelmente!

    Falta-nos brasilidade, e darmos colorido ao país, pois só vemos as suas cores nas bandeiras – e raras – hasteadas em algumas sedes institucionais!

    Somos uma nação cinzenta, opaca, de luz muito fraca, e de dirigentes em piores condições!

    • Nada adianta. Se o universo está contaminado, a amostra também estará. E quem vai para o Judiciário, Legislativo e Executivo é exatamente a amostra.

  2. Bom texto proposto CN,
    Claro, o tamanho do país e o número de habitantes devem ser levados em conta quando se faz essas análises.
    Além dos países nórdicos outros países pequenos, há outros com uma economia e tamanho de população importantes e um índice de Gini menor que 30.
    Alemanha e França podem ser listados como exemplo.

    O Brasil tem um índice de desigualdade alto, mas na América do Sul ainda é menor que Paraguai, Colômbia e Chile.

    Precisamos que esse assunto seja colocado como relevante e observar qual político fala e propõe ideias para melhorar essa situação. E devem ser coisas realistas.

    Esse assunto é difícil de ser resolvido e exige soluções complexas. Ideias simplistas não servem (ou só satisfazem incautos).

    https://worldpopulationreview.com/country-rankings/gini-coefficient-by-country

  3. E quem ofende quem, “Santidade” ? Fui acusado de pertencer a um tal gabinete, tive meu e-mail propagado, apesar de “O seu endereço de e-mail não será publicado” e de “Sob o signo da Liberdade” e ainda se passa por ofendido ?

    Não fui bloqueado ou processado pela justiça nem pelos proprietários do software das redes sociais, mas aqui fui c-a-l-u-n-i-a-d-o, sim, senhor, sem uma palavra de retratação. Mas há de. É por essas e outras que não sou dizimista.

  4. Os problemas do Brasil podem ser resumidos a dois fundantes:

    1) A Ideologia Cleptocrática que une as elites intelectuais (Marilena Chauí disse que Moro é agente do FBI; os pesquisadores economistas desprezam a variável corrupção, ainda que PHds na matéria), sociais ( os assim tidos como movimentos sociais, esquecendo seus representados só têm uma única bandeira: a defesa dos criminosos da Lava Jato), políticas, jurídicas e econômicas de centro, direita e esquerda, que têm como guarda-chuva ideologias (no sentido marxiano de esconder e mistificar a realidade) pretensamente antagônicas, embora não possamos diferenciar crimes cometidos contra a economia popular de boa ou ruim em consonância com o espectro mítico dos criminosos.

    2) A Indústria da Miséria que mantém as gangues revezando no poder. Logo nunca terão projeto de desenvolvimento sócio-econômico, inventando inúmeras desculpas: tamanho geográfico do país, cultura, colonialismo, imperialismo etc. Como se não fora a corrupção a raiz de todos os males. Resumindo:

    https://www.youtube.com/watch?v=XicfEVxdoYM

    https://br.noticias.yahoo.com/aprovacao-do-governo-bolsonaro-entre-beneficiarios-do-auxilio-emergencial-chega-a-52-150711778.html

    Isso não significa que programas de mitigação da fome sejam condenáveis.

    Portanto a luta essencial, primeva, fundante é contra o Estado Cleptocrático, logo antidemocrático.

    Creio que a cada mocinho que chega ao governo e mostra-se bandido, vai revelando que Estado temos.

    Não tenho dúvida que o futuro é o movimento anticorrupção. Não temos saída com gangues conduzindo o país.

    No meu caso tenho dado uma pequena e humilde colaboração a partir do meu município (a propósito tá cheio de associações comercias, bandidos e quejandos criando pseudos observatórios sociais, que mais escondem que revelam) como explicitado abaixo:

    https://busca.mpmg.mp.br/search?entsp=a&client=default_frontend&access=p&ulang=pt-BR&oe=UTF-8&exclude_apps=1&q=%22delcio+do+carmo%22&ie=UTF-8&entqrm=0&ud=1&proxystylesheet=default_frontend&output=xml_no_dtd&filter=0&ip=177.25.209.74&entqr=3&sort=date%3AD%3AS%3Ad1

  5. Não entendi o desvio de foco de alguns comentaristas. O tema é a desigualdade social, mas alguns se queixam que foram censurados.

    Mas isso é geral. O interesse parece sempre ir para lado de discussões fúteis.
    Alguns espertos o fazem para que as coisas continuem na mesma. Quando muito batem no tema da corrupção, como se essa mazela fosse a única e principal coisa a ser combatida.

    E assim nunca vamos sair da mesmice.

    • Bom dia. Vc leu isso: “Muitos comentaristas e leitores não aceitam essa abertura, tentam forçar que suas ideias prevaleçam, em detrimento das demais. Alguns ficam revoltados e até abandonam o blog, mas depois acabam voltando normalmente, pois o espaço não pertence a ninguém e está aberto a todos, desde que não haja ofensas” ?

      • Bom dia,
        sim. Li e no meu caso muitas vezes discordei das opiniões do editor expondo as razões, sempre procurando ser impessoal.

        Não critico as pessoas, mas as opiniões das mesmas, com as quais não concordo. Acho que isso deve ser o espírito e, afinal, o propósito do blog.

        • Seu caso é seu caso. Procure o que houve comigo (já expliquei) e não precisará dizer “Não entendi o desvio de foco de alguns comentaristas”, apesar de ter lido.

      • A questão da corrupção não é um mero moralismo, mas um problema sócio-político-econômico com contornos de fundamental. A relação entre os indicadores de desenvolvimento tem relação linear inversa com o grau de corrupção dos países.

        https://transparenciainternacional.org.br/ipc/

        Há uma questão base que credita, notadamente entre as pseudo-esquerdas, que a não distribuição de renda é um mero capricho político das elites. Não é. Primeiro é uma questão de apoderar-se da pouca riqueza produzida da forma mais vil possível: a corrupção, segundo, a estrutura cleptocrática dos governos não permitem que técnicos ou políticos capazes sejam da linha de frente, nas organizações criminosas evidentemente que a “boa vontade” não prevaleça,; terceiro, é preciso haver produção de riqueza pra haver distribuição, os direitos básicos não caem do céu.

        Como pode um país conciliar 400 bilhões de assalto aos cofres públicos por ano com alguma distribuição de renda, ou mesmo garantir o acesso pleno aos direitos mais básicos?

        É absolutamente messiânica a ideia de que países comandados por gangues possa ir a algum lugar, se não o subdesenvolvimento e a preservação da miséria.

        https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2019/10/quanto-custa-a-roubalheira-no-brasil-ck1b23olp02ot01n3wp7d3e5f.html

    • Bom, então é possível diminuir a desigualdade social com o roubo anual pelos mandatários de algo em torno de 400 bilhões, além de que pra manter a corrupção é necessário que os burocratas sejam criminosos ou complacentes com a corrupção. Esse é o critério de formação das equipes “técnicas” dos governos. A corrupção é a forma mais cruel de concentração de renda. Não se trata de um mero moralismo. O custo social e econômico é muito maior que o valor anualmente pungado dos cofres públicos.

      https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=rela%C3%A7%C3%A3o+corrup%C3%A7%C3%A3o+desenvolvimento

      https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2019/10/quanto-custa-a-roubalheira-no-brasil-ck1b23olp02ot01n3wp7d3e5f.html

      Ora NUNCA que bandidos, corruptos e criminosos terão algum projeto de diminuição das desigualdades sociais ou seja, de desenvolvimento sócio-econômico.

      Há uma ideologia – no sentido marxiano – que os direitos sociais caem do céu. Portanto um país pobre, mergulhado na corrupção, comandado por gangues podem “melhorar” esse país.

  6. O Brasil nao deve seguir o modelo de ninguem.
    O Brasil tem que criar o seu proprio modelo de governo e gestao. Consequentemente viria o desenvolvimento do seu proprio modelo administrativo e tributario.
    Esse negocio de copiar ou seguir midelos feitos por outros paises mostra preguisa e nenhuma criatividade.
    Como construir um pais com uma identidade propria e criativa se aquiles que podem dar ideias querem copiar?

  7. Está cheio de chorão aqui! Eu quando comenta contra o golpe, lá em 2016, ou mais recentemente, em 2018, contra esse bode expiatório do “antipetismo” para eleger alguém alinhado com as elites, muitas vezes também entrei em choque. Mas voltei.
    Aqui os comentários de certos indivíduos extrapolam com palavras de baixo calão e ofensas sem qualquer justificativa seja a terceiros ou tribunários.

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