Brasil surreal: Ayres Britto, que é contra o impeachment, pode ser ministro

Britto se opõe ao impeachment, mas quer ser ministro

Carlos Newton

Em Brasília, circulam informações de que o ministro aposentado Ayres Britto, nomeado em 2003 para o Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Lula, deverá ser anunciado como novo ministro da Justiça. Como dizia o Barão de Itararé, era só o que faltava. Como entender que Temer possa nomear um ministro abertamente petista, que concorreu pelo PT às eleições de deputado federal em Sergipe, antes de ser guindado ao STF?

Além disso, Ayres Britto sempre se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff e deu uma famosa entrevista ao jornal espanhol El País para afirmar que não havia pressupostos para afastar a presidente.

NA DEFESA DE DILMA…

Também em estratégica entrevista à Agência Brasil (25/09/2015), Britto disse que não caberia impeachment contra Dilma por fatos ocorridos em seu mandato anterior e assim ajudou a embasar a tese governista que culminou na denúncia restrita a fatos de 2015. Sem a menor dúvida, ele atuou como jurista contra o impeachment de Dilma, colaborando para traçar as principais linhas da defesa.

Se agora aceitar o “convite” do futuro presidente Temer, fica claro que Ayres Britto é um farsante, sem o menor escrúpulo, porque estará provado que ele sepulta suas convicções com a maior facilidade, para agir em benefício próprio. Afinal, se era contra o impeachment, como poderá participar do governo que em sua opinião derrubou ilegalmente a presidente da República?

OBSESSÃO PELO SUPREMO

A possibilidade de Ayres Britto ser nomeado para o Ministério da Justiça demonstra o grau de desfaçatez que caracteriza a política brasileira. Está cada vez mais comprovado que o vice Michel Temer demonstra invulgar predileção por nomear um ministro aposentado do Supremo para comandar o Ministério da Justiça. Certamente isso ocorre em função da quantidade de futuros ministros e correligionários investigados na Lava Jato e que têm prerrogativa de foro na mais alta Corte.

Temer já tentou Carlos Velloso, Nelson Jobim e Ellen Gracie. Velloso está muito idoso, Jobim é advogado de réus da Lava Jato e Gracie vem faturando milhões na Petrobras. Nenhum deles se interessou. Por eliminação, surgiu o nome de Ayres Britto, que em 2013 seguiu o exemplo de petistas famosos e também abriu um escritório de consultoria, tornando-se concorrente de José Dirceu, Antonio Palocci, Fernando Pimentel, Erenice Guerra, Guido Mantega e Delúbio Soares.

ADVOGADO DE CUNHA

Outra obsessão inexplicável de Temer é a reiterada iniciativa de nomear seu amigo pessoal Alexandre de Moraes para o Ministério. Já tentou lhe entregar a pasta da Justiça, mas a reação foi tão forte que acabou desistindo.

O fato é que o polêmico Alexandre de Moraes, atual secretário de Segurança do governo Alckmin, sempre se jactou de ser amigo e de atuar como uma espécie de “advogado informal” do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma da figuras mais execradas da política nacional.

Diante da reação negativa, Temer voltou atrás, mas em Brasília continuam circulando informações de que Moraes será mesmo indicado ministro, mas na pasta da Advocacia-Geral da União.

Diante disso, constata-se que Temer está cercado de aloprados, que não são capazes de assessorá-lo no sentido de que procure nomear para o Ministério personagens que sejam realmente notáveis, e não apenas notórios.

6 thoughts on “Brasil surreal: Ayres Britto, que é contra o impeachment, pode ser ministro

  1. Porque o Temer não lança uma pergunta ao povo,
    as ruas, para saber qual o nome que a rua indica
    para a pasta de ministro da Justiça.?

    Eu tenho 2 nome de peso:

    Dr Jorge Béja e o professor Dr. Yves Gandra.

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