Brasil tem 35 partidos, mas sem compromisso algum com eleitorado

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Reportagem de Pedro Venceslau, Daniel Brumati e Ricardo Galhardo, O Estado de São Paulo, edição de domingo, destaca com nitidez o quadro partidário brasileiro: há partidos demais, são 35 ao todo, nenhum deles com qualquer compromisso junto ao eleitorado e também sem qualquer conteúdo ideológico capaz de diferenciá-los entre si. São partidos demais para atividades políticas de menos. O último a ser criado, revela a reportagem, foi o partido da Mulher Brasileira, setembro de 2015. Pela legislação, basta uma legenda possuir um deputado federal para ter acesso à divisão do fundo partidário e o direito de acesso a distribuição de tempo nas emissoras de televisão.

Comparando-se este quadro com o número de partidos existentes em outros países, verifica-se o absurdo de tão elevada pluralidade de siglas. Na quase totalidade elas representam os personagens de suas próprias direções, seus interesses, suas reivindicações junto ao poder. São fechadas em si mesmo, embora se apresentem nas telas da televisão como abertas a qualquer eleitor ou eleitora. Chegam ao ponto de negociar os espaços que possuem na TV.

Os menores partidos oferecem a candidatos das maiores legendas coligações que incluem a oferta de três inserções diárias de 30 segundos cada uma no universo da comunicação.DENTRO DA EMBALAGEM – Por aí se vê e se presume o que está dentro da embalagem da oferta. Mas não é somente esta a questão. É que não defendem interesses da população em geral, não se mostram dispostos a acolher reivindicações populares legítimas. Têm perfil nada reformista. Se o tivessem, estariam lutando permanentemente contra, por exemplo, a desvalorização dos salários, sintetizada no seu reajuste abaixo dos níveis inflacionários.

Por falar nisso, qual a palavra que qualquer partido tenha proferido em relação a não reposição da inflação de 10,6%, registrada pelo IBGE em 2015, nos vencimentos dos que trabalham? Se estivessem ao lado do povo, como deveriam estar, já que o voto é a fonte de sua existência, teriam se manifestado maciçamente contra a corrupção que inundou o país nos últimos doze anos.

CONFISSÃO DE CULPA – O silêncio diante desses temas é uma confissão de culpa, pelo menos por omissão. E a omissão tem efeito destruidor, porque sem a voz das ruas representada no sistema político nenhuma reforma consegue decolar. Há contradições marcantes. Uma delas a doação pela empreiteira Queiroz Galvão à deputada Jandira Feghali do PC do B.

Das duas, uma: ou Jandira Feghali não representa na realidade a ideia comunista ou a Queiroz Galvão sequer leva a sério as posições atribuídas à extrema esquerda. Uma terceira perspectiva, entretanto, deve ser acrescentada: a evaporação da ideia central do comunismo político, ou seja o fim do projeto de que seria possível uma ditadura do proletariado.

EXEMPLO DE LULA – O proletariado se pudesse chegar ao  poder deixaria de ser proletário, como aconteceu com o ex-presidente Lula e com uma grande corrente que existia nos quadros do PT. Lula e as correntes petistas, uma vez no poder tornaram-se capitalistas. E pior: passaram a representar o capitalismo absolutamente conservador. A ideia da reforma foi para o espaço. Mas esta é outra questão.

O essencial é a desnecessidade de um número tão grande de siglas participando da divisão anual do fundo partidário hoje em torno de 800 milhões de reais por ano.

O uso do fundo partidário tem dado margem a investigações seguidas do Tribunal de Contas. Porém o mais importante é a prestação de contas do que fazem os partidos aos eleitores e eleitoras do Brasil. Feita uma radiografia do quadro, em matéria de representatividade o resultado será pouco maior que zero.

5 thoughts on “Brasil tem 35 partidos, mas sem compromisso algum com eleitorado

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO nos mostra claramente como de maneira geral somos “despreparados” para nos AUTO-GOVERNAR numa República Democrática Representativa.
    Em qualquer parte do Mundo, com o mínimo de ORGANIZAÇÃO Política, há liberdade para se formar quantos Partidos Políticos se desejar, DESDE QUE SE FINANCIEM AS SUAS CUSTAS.
    Financiados com DINHEIROS PÚBLICOS só os Partidos Políticos que ultrapassarem Rígida Cláusula de Barreira.
    Espero que breve entendamos isso, e façamos uma boa REFORMA POLÍTICA para melhor. Não há necessidade de FINANCIAMENTO PÚBLICO para mais do que 4 Partidos, DIREITA – CENTRO-DIREITA, CENTRO-ESQUERDA, e ESQUERDA. Ressalvado cumprir LEI, possibilidade de CANDIDATOS INDEPENDENTES.

  2. Apesar dos pesares, muiiitos pesares os sr Lula foi um mestre do conto do vigário nunca deixou de ser capitalista, após sua eleição todos os milhares de imóveis abandonados foram ocupados, sumiram as placas de aluga-se, não temos vagas, com o aumento dos empreendimentos aumentava-se as bondades socialistas, tanto que foi reeleito e conseguiu eleger até o poste obtuso que deu a guinada de 180 graus para a esquerda que não deu certo em nenhum lugar do mundo e que infelizmente ainda tem milhões de admiradores a maioria no terceiro mundo.

  3. No Brasil, partidos políticos virou negócio, deveria haver apenas dois, situação e oposição, mas não há ideologia, é um troca troca de partidos, leva que dá mais vantagens, assim como tais aliados, ninguém quer jogar para perder, enquanto esta prática continuar este país nunca terá jeito, a corrupção vai continuar, infelizmente.

  4. Este artigo faz uma profunda injustiça ao PPS. O PPS é o único partido que nunca fez negociatas, nunca esteve metido em escândalo, tem um programa, um deles é o Parlamentarismo com voto distrital misto, que aproximará o eleitor de seu candidato, um partido socialista democrático que sabe que terá de lidar com as grandes corporações, os bancos e o livre mercado, mas que se propõe instituir a meritocracia nos cargos públicos, através de concurso público.

    Basta ler os jornais publicados nos últimos anos para notar a oposição ferrenha do PPS e ao esquema corrupto que o PT implantou. Observe-se a atuação de seu líder na Câmara, deputado (PPS_PR) Rubens Bueno, que com firmeza coloca sugestões para a melhoria do trabalho legislativo, combate as más práticas dos deputados. Também basta lembrar o atual ministro da defesa Raul Jungman, de participação ativa enquanto era parlamentar e, ainda, a participação sempre coerente do deputado (PPS-SP) Roberto Freire, presidente do Partido, cujos textos deveriam ser lidos por todos no site do PPS.

    Digo mais uma vez que o PPS é a Reserva Moral da política brasileira, e é único nisso. Os demais partidos, esses sim, fazem o que Pedro do Couto fala em seu longo artigo que ora comento. Mas acho que Pedro do Couto deveria pôr a mão na consciência e escrevesse novo artigo pedindo perdão ao PPS por não reconhecer sua grandeza e o colocar no mesmo saco dos partidos corruptos.

    E, como brasileiros que querem bem ao Brasil, cabe a todos os leitores observar primeiro para poder votar em massa no PPS. Penso que a maior liderança para a candidatura à Presidência da República, no momento, enquanto somos ainda reféns do atrasado presidencialismo, é precisamente o deputado federal (PPS-PR) Rubens Bueno.

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