Brasília, 2015, onde deputado não conhece ministro

Lages, um ministro que ninguém conhecia

Bernardo Mello Franco
Folha

Aconteceu há poucas semanas, em um restaurante frequentado por políticos na orla do lago Paranoá. Um dirigente do PT almoçava com jornalistas quando foi saudado efusivamente por um senhor engravatado. Quando o homem se afastou, o petista fez a inconfidência: não tinha ideia de quem havia cumprimentado. O ilustre desconhecido era Vinicius Lages, agora ex-ministro do Turismo.

Indicado por Renan Calheiros, o alagoano foi o sexto titular da pasta, criada há 12 anos para aumentar a oferta de lotes na Esplanada. A média de permanência dos ministros é inferior a 25 meses. Lages ficou apenas 13. A dificuldade dos políticos para memorizar seu rosto retrata, ao mesmo tempo, a desimportância de sua gestão e do cargo que ocupou.

O novo ministro, Henrique Eduardo Alves, é mais um que assume sem conhecer o setor. Foi nomeado porque perdeu a eleição para o governo do Rio Grande do Norte e ficou sem emprego público pela primeira vez em quatro décadas, após 11 mandatos consecutivos de deputado. Sua principal tarefa nada tem a ver com turismo. O que Dilma Rousseff espera é usá-lo para amaciar as relações com a bancada do PMDB na Câmara.

RENAN ENFURECIDO

A escolha agradou a Michel Temer e Eduardo Cunha, mas enfureceu Renan. O governo ofereceu ao menos cinco órgãos federais para realocar seu pupilo –da Infraero, que cuida dos aeroportos, à Conab, que regula o preço de frutas e hortaliças. O presidente do Senado não aceitou nenhum deles. Agora ameaça retaliar com um veto à indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal.

Assim caminham as instituições brasileiras em 2015, 194º ano da Independência e 127º da República.

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PS –
Levy Fidelix, que agora tenta levar Jair Bolsonaro para o PRTB, encerrou o programa da sigla com uma ode a Tiradentes. Em algum lugar, o herói da Inconfidência deve estar se perguntando onde foi que errou.

5 thoughts on “Brasília, 2015, onde deputado não conhece ministro

  1. E brincadeira. Por isso que penso: ninguém enrica com política. Estou sendo sincero. Não conheço ninguém que tenha enricado com política. O resto é tudo ilusão. Um cara que foi deputado onze vezes precisa de um cargo pra se sustentar? Isso é riqueza? Quantos vereadores não vão viver em situações piores, quantos prefeitos? O dinheiro público engana. O político se engana com a montanha de dinheiro sem dono. E acaba enganando a si mesmo. Não pensem que estes aí envolvidos em escândalos horrorosos vão se sair bem, que vão estar garantidos. Estão é lascado. Dinheiro fácil vai fácil. E quando um acha que encontrou uma mina, outros correm para tomar, pegar uma parte etc., e quando o padrão é o roubo o batedor de carteira não tem chance diante o assassino.

    • Moro no Brasil sim, colega. E não tenho parentes políticos não. Nem amigos políticos.

      É leso engano você ver político andando numa land Rover se ele estar no poder e achar que ele tá com a vidinha garantida. Ilusão. Perca ele a política. Aí ele se acaba. O cara que sai da política rico é por que já era rico e aí é outra coisa. Mas quem entra na política pra construir patrimônio está enganado. No dia que ele sair fora, se estiver levando alguma coisa, não se apresse não que ele no instante perderá tudo, perderá com processos, com dívidas. Enquanto se estar no poder tudo bem. Você pode esbanjar riqueza, pode empurrar com a barriga o cartão de crédito, pode pagar advogado pra processos, afinal “na semana que entra vai ter aquela outra propinazinha ali”… Observe que quando se está no poder já se estar turbinado de processos, dívidas e problemas… Mas o cargo em si esconde. O cargo é um tapete que encobre a sujeira. Mas no momento que você precisar devolver o tapete alheio vai ficar só a sujeira, e você não terá como cobrir mais nada. Nesta hora não vai dar pra dar um jeitinho mais não. E é nesta hora que ou o político procura entrar debaixo da asa de outro que o proteja, o que é o caso de arrumar um cargo qualquer, ou então vai aos poucos passar de uma land Rover pruma ranger usada, daí prum gol fiado, depois, depois o político talvez tenha a chance de tentar a sorte novamente nalguma eleição… Mas veja tentar a sorte. Se alguém quer arriscar a sorte e quem sabe melhorar, fica a insugestão.

      • Tem até muita lógica o que voce está escrevendo, por isso mesmo, vou chegando à uma conclusão:

        TÃO IMPORTANTE. OU TALVEZ ATÉ MAIS, MUITO MAIS DO QUE GANHAR DINHEIRO É SABER O QUE FAZER COM ELE. PELO JEITO, MUITOS POLITICOS ACOSTUMADOS COM UMA VIDA PARASITÁRIA QUE LEVAM, NÃO TEM A MINIMA NOÇÃO DISSO!

  2. PS – Levy Fidelix, que agora tenta levar Jair Bolsonaro para o PRTB, encerrou o programa da sigla com uma ode a Tiradentes. Em algum lugar, o herói da Inconfidência deve estar se perguntando onde foi que errou.

    LEIAM ISSO SRS. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO E JOSÉ SERRA. PRECISA EXPLICAR OU QUER QUE DESENHE!
    ESTÁ MAIS DO QUE ÓBVIO QUE SE OS TUCANOS NÃO SOUBEREM ASSUMIR PAPEL DE OPOSIÇÃO OUTROS FARÃO!
    PODEM ATÉ DIZER QUE AS CHANCES DE LEVY FIDÉLIS E BOLSONARO SÃO RIDICULAS! MAS COLOQUEM NUM GRANDE CALDEIRÃO SOCIAL EFERVESCENTE, IRA, INDIGNAÇÃO, NOJO,REVOLTAS, TUDO COMO CONSEQUENCIAS INEVITÁVEIS DE DUROS AJUSTES, QUE EMBORA NECESSÁRIOS, ESTÃO SENDO APLICADOS PELO GOVERNO DE UMA MULHER QUE NÃO TEM A MINIMA CONDIÇÃO MORAL DE IMPOR ESSAS ALTISSIMAS DOSES DE SACRIFICIOS!
    LOGO, O CANDIDATO DE 2018, QUE PODERÁ TER MAIS CHANCES SERÁ ALGUÉM ESTILO BOLSONARO OU TALVEZ ALGUÉM AINDA MAIS RAIVOSO E RADICAL!
    POR ISSO, TUCANADA, PRINCIPALMENTE FHC E SERRA, ACORDEM ANTES QUE SEJA TARDE! NO MINIMO “FERMÉ LA BOUCHE”(FHC QUE ENTENDE FRANCÊS,SABE O QUE SIGNIFICA ISSO) E DEIXE O PARTIDO PROMOVER O IMPEACHMENT

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