Brasília homenageia Orlando Brito, um dos mestres do fotojornalismo político

Ninguém fotografou a ditadura como Orlando Brito | Bernardo Mello Franco - O Globo

Foto de Orlando Brito que se tornou o retrato da ditadura

José Carlos Werneck

Orlando Brito, um dos mais importantes repórteres fotográficos do Brasil (1950 – 2022), ganhou, nesta quarta-feira, uma bela homenagem da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. Às 19 horas, 16 imagens marcantes da trajetória do fotógrafo foram projetadas na cúpula do Museu Nacional da República.

Em seguida, a Galeria Central do Espaço Cultural Renato Russo foi batizada com o nome do primeiro brasileiro a receber o World Press Photo Prize, concedido pelo Museu Van Gogh, na Holanda, em 1979.

FILME E FOTOS – A cerimônia contou com a projeção do filme “Não Nasci para Deixar meus Olhos Perderem Tempo”, de Claudio Moraes, na Sala Marco Antônio Guimarães. O documentário mostra a trajetória de Brito, que retratou instantes variados, de carreiras artísticas aos momentos conturbados do Brasil em meio ao regime militar e seu olhar dele foi testemunha e filtro.

O mestre da fotografia retratou presidentes e personalidades políticas desde a ditadura militar, tendo sua obra reconhecida pelo registro crítico da recente história do Brasil.

Mineiro de Janaúba, Orlando Brito começou de forma autodidata em 1965, como laboratorista do jornal “Última Hora”, em Brasília. Dois anos depois, já era fotógrafo, emendando uma carreira em grandes redações como “O Globo” e “Veja”. Ao longo da carreira, conquistou 11 vezes o Prêmio Abril de Fotografia e, a partir de 1987, foi considerado hors-concours da premiação. É autor de os livros “O Perfil do Poder”, 1981; “Senhoras e Senhores”, 1992; “Brasil: de Castello a Fernandos”, 1996; e “Poder, Glória e Solidão”, 2002.

Veja galeria de imagens do grande Orlando Brito - MDB - Movimento Democrático Brasileiro

Ulysses Guimarães, isolado na solidão dos Três Poderes

NO MUSEU DE ARTE – Em junho, fotos de Orlando Brito reabriram o Museu de Arte de Brasília para visitação, depois de 14 anos de abandono do espaço. Foram exibidas 18 fotografias, realizadas entre 1966 e 2021, com imagens do período da ditadura militar, das “Diretas Já” e da pandemia da Covid-19.

As fotos de Brito normalmente ultrapassam o registro fotojornalístico e trazem um discurso poético e artístico, a ponto de terem sido incorporadas aos acervos de importantes instituições, como o Museu de Arte de São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio e o Centre Georges Pompidou, de Paris.

Na ocasião, o Secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues afirmou: “Rebatizar a Galeria da Praça Central com o nome de Orlando Brito é dimensionar a importância desse mestre, que fez um recorte profundo da Política Brasileira por meio de seu olhar e sensibilidade artística”.

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