Briga errada, na hora errada, contra o adversário errado

Carlos Chagas

Lança-se o PT na briga errada, na hora errada e contra o adversário errado. Quando o  governo anda na baixa, perdendo apoio popular e  batendo cabeça, os companheiros não tem nada que hostilizar o PMDB. Pelo contrário, deveriam  aproximar-se mais de seu principal aliado, em vez de  buscar afastá-lo. O resultado está sendo desastroso para a presidente Dilma, que dentro de mais uma semana poderá sofrer contundente derrota no Congresso, com a derrubada de alguns de seus vetos recentes a projetos de lei. Seria esse o objetivo de parte dos petistas?  Querem enfraquecê-la para que o Lula venha a tornar-se o candidato em 2014? Sentem-se desprestigiados?

Tanto faz, porque a estratégia é suicida. O PMDB não tem nem terá candidato  presidencial. Ficará com Dilma ou com o Lula, por falta de opção, empenhado apenas em manter Michel Temer como candidato a vice-presidente. Melhor parceiro não existiria, em especial em se tratando  do ainda maior partido nacional. Claro que os peemedebistas tem uma goela avantajada. Querem sempre mais parcelas de poder. Domesticá-los deve ser tarefa diária. Mas provocá-los dá no que está dando: a reação de suas bancadas diante de projetos e propostas oficiais, começando pela rejeição aos vetos mas podendo estender-se até a reforma política.

O PT não  chegará ao extremo de atender certas reivindicações do PMDB, como a já falecida tentativa de afastar Lindberg Farias para favorecer a dupla Sergio Cabral-Pezão, no governo do Rio, mas ceder em algumas composições é crucial para a preservação do mais importante, no caso a recuperação de  Dilma Rousseff.

A situação lembra o conselho dado pelo general Omar Bradley ao general Douglas MacArthur, quando este, no auge da guerra da Coreia, quis invadir a China: “você está propondo uma guerra errada, no lugar errado, contra o inimigo errado”.

OS ELEFANTES BRANCOS

Depois de perder montes de sugestões inviáveis, como a constituinte exclusiva, o plebiscito imediato, os dois anos a mais para a formação dos médicos e a importação de médicos cubanos, entre  outros mais, a presidente Dilma poderia acertar uma: por que não retomar a idéia de aproveitar os elefantes brancos para transportar carga nos dias de ócio?  Traduzindo: trata-se de transformar em escolas e universidades as dezenas de estádios de futebol que consumiram bilhões para funcionar nos fins de semana. Custaria muito pouco aos cofres públicos a adaptação, menos ainda  se a rede de ensino privado participasse. Além da abertura de vagas para professores. É sempre bom lembrar que ao construir o Sambódromo, no Rio, Leonel Brizola preparou suas dependências para abrigar dezenas de salas de aula. Sérgio Cabral bem que poderia oferecer o Maracanã.

DESILUDIDOS, DESESPERADOS E DESGRAÇADOS

O senador Cristóvam Buarque discursou no primeiro dia de retomada dos trabalhos do Senado referindo-se ao que agosto nos reserva em termos de protestos e manifestações populares. Revelou compreensão para os jovens que ganham as ruas, chamando-os de desiludidos, uns, e desesperados, outros. Esqueceu os desgraçados, que também integram as multidões. Aqueles que além de haver perdido  as ilusões e as esperanças, moram nas calçadas e acordam sem saber se vão poder almoçar.

LIBERAR VERBAS  SERÁ SOLUÇÃO?

A presidente  Dilma decidiu abrir as torneiras do Tesouro, liberando quatro bilhões de reais para atender as emendas de parlamentares ao orçamento. Claro que a maioria delas atende os  interesses públicos, pois destinam-se a obras e a auxiliar entidades beneficentes. Claro que sempre haverá um percentual para sinecuras e patifarias, mas no cômputo geral esses gastos são benéficos para as comunidades, além, e claro, de renderem votos para seus autores.

A pergunta que se faz refere-se aos dividendos imediatos. Será que a presidente reconquistará a maioria antes consolidada na Câmara e no Senado? Pode ser, ainda  que  a ingratidão pareça enraizada na Humanidade. Ou alguém se esquece de quantos  países africanos que tiveram perdoadas suas dívidas com o Brasil votaram contra a ampliação do Conselho de Segurança, nas Nações Unidas?

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3 thoughts on “Briga errada, na hora errada, contra o adversário errado

  1. Jose Valente,

    Há, também, um outro grupo, ao qual pertenço: OS QUE PERDERAM A ILUSÃO DE VIVER EM UM BRASIL MELHOR NA PRESENTE VIDA!

    Estou mantendo a ilusão de me mudar pra Banff e Jasper, no Canadá.

    Brasil, sinceramente, NUNCA MAIS.

    Saudações,

    Carlos Cazé.

  2. Muito preocupante

    Existe um quadro no Brasil, inegavelmente obscuro e ameaçador, principalmente, à nossa recente democracia, decorrente das incontidas cenas desencadeadas por livres baderneiros e saqueadores. Os reais fundamentos desses tristes e vergonhosos espetáculos, nada condizentes com o livre direito de manifestações, aguardam esclarecimentos. Entretanto, por incrível que pareça, os bons jornalistas, independentes e de coragem, optaram continuar fingindo nada perceber do que realmente estaria por detrás desses frequentes incidentes, de cenário comum, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, justamente onde se localizam os maiores e mais importante centros econômicos e financeiros do Brasil e da América Latina.

    É muito claro que não seria possível realizar todas essas súbitas e sincronizadas manifestações, de inicio por todo o Brasil, sem um comando central muito bem estruturado e forte. Não seria possível por nas ruas tamanha quantidade de jovens de classe média, bem nutridos, despreocupados, despolitizados, reivindicando centavos e combate a muito velha gigantesca corrupção. E no contraditório, bandos de mascarados cometendo impensáveis atos de vandalismos contra prédios públicos e privados, inclusive, destruindo históricas obras de arte. Incontidas quebradeiras de agências de bancos e de concessionarias de veículos, saques de lojas, etc. Tudo, totalmente livres e impunes, bem na frente da polícia e da grande “mídia livre”. Ambos, tomados de inexplicáveis condescendências e vergonhosa tolerância. Por mais um pouco, seriam capazes de abertas aprovações. Estranho demais para ser verdade.

    Junto com esses tristes espetáculos, outros tantos episódios e comportamentos divulgados, envolvendo lideranças políticas, sindicais, inclusive, diversas invasões e impedimentos ocorridos nos canteiros de obras de vitais hidrelétricas, que juntando tudo, leva a crer, possíveis deliberadas sabotagens contra a economia do Brasil. Dado a gravidade de semelhante possibilidade, somado ao quadro geral econômico mundial, há que indagar se a CIA estaria por detrás dessas ocorrências. Se já estão, então, a “primavera da América Latina” já está em pleno movimento, iniciada pela “primavera brasileira”. Pelo que é divulgado, a CIA estaria sempre presente nas “primavera árabe”.

    Tendo em conta as grandes ameaças decorrentes da fragilidade geral causada pela gigantesca crise econômica mundial, desde 2008, toda prudência é pouca. Sem paranoias, o tema é sério demais para passar ao largo de gente inteligente e nacionalista, principalmente, das grandes e honrosas instituições brasileiras que sempre estiveram em defesa do Brasil e da democracia, como OAB, ABI, CNBB, e outras mais. É preciso esclarecer tudo enquanto há tempo. Amanhã poderá ser tarde demais. Aqui não será diferente do que vem ocorrendo no Oriente Médio. Muita tragédia, sangue e massivas destruições virão, caso esteja em andamento a “primavera brasileira”. Mais ainda, por cota de nossas siderais riquezas, poderá acontecer, até mesmo, uma invasão militar dos EUA visando fragmentação e posse de parte de nosso território. Acorda, Brasil.

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