Brizola, 1961, 62, 63, 64, a glria de um lutador. S saiu do Brasil para no ser assassinado na certa. Voltou, deveria ter sido presidente, positivo ou negativo. Pelo menos valeria a experincia no Poder, no s dele, mas tambm de Carlos Lacerda.

Domenico, Valdir, Aquino, Berto Fuchs, urea, Srgio de Oliveira, Marcela Hrcules, Milton Gonalves, Ablio Roberto, Schossland, Nair Moreira participam dos depoimentos sobre a atuao de Brizola. Divergem apenas quanto ao ano.

Comentrio de Helio Fernandes
Obrigado a todos , sem desmerecer ningum, contrariando at a mim mesmo, (em parte) considero que Srgio de Oliveira que tem que ser seguido. Pois conforme depoimento dele, participou da Liga da Legalidade, em 1961.

Essa a chave para entender Brizola. Ele lutou tanto e em tantas frentes, que os fatos e as datas apenas mudavam de nome. Liga da Legalidade, nacionalismo, (quando estatizou as empresas de energia, na poca trustes ), Grupo dos 11, a idia de ser Ministro da Fazenda em 1963, luta contra o Parlamentarismo, tentativa de ser o sucessor de Joo Goulart. Repelido ou recusado, lanou o famoso slogan, cunhado no parente, Brizola para presidente.

S que em 1963 no dava tempo para mais nada. Nessa poca Brizola j era deputado federal em Braslia, as coisas aconteciam no Rio, Braslia praticamente no existia, ns nem nos conhecamos, por causa de sua atuao (importantssima) estadual.

Se juntasse o que escrevi durante todo o ano de 63, estaria pronto e acabado um livro altamente elucidativo, esclarecedor e rigorosamente verdadeiro. Apenas reproduo de artigos, colunas, notas, a produo diria, sem alterar uma linha.

O episdio mais importante desse 1963: a minha priso, INCOMUNICVEL, por ordem do Ministro da Guerra (ainda se chamava assim) Jair Dantas Ribeiro. Eu ia a Belo Horizonte fazer um programa de televiso, na Associada Itacolomi. Quase no ia, fora duas vezes, no falara, dessa vez me disseram: Veio ordem do doutor Assis para voc falar, fui.

(Viajei com minha amiga Ester de Abreu, extraordinria cantora portuguesa que namorava um amigo reprter. Ela ia cantar, eu contar, s o primeiro fato aconteceu). Na Tribuna daquele dia, (24 de julho) um artigo meu publicando circular que o Ministro mandara a 12 generais, s tenho confiana nesses.

No envelope, bem grande, os carimbos, SIGILOSO CONFIDENCIAL. No documento, publicado na ntegra, acrescentei apenas: Nenhum jornalista que se respeite pode deixar de revelar um documento com essas duas palavras. Fui preso ao chegar em BH, levado para a ID-4. O Exrcito j dividido, oficiais me abraavam, outros viravam a cara quando me viam. Nenhum problema, mas as coisas ficariam piores, gravssimas. Para encurtar. Meus advogados entraram com Habeas Corpus, o presidente do Supremo, indomvel e incorruptvel (j houve isso) Ribeiro da Costa, oficiou ao Ministro para saber qual era a autoridade coatora, ou seja QUEM MANDARA ME PRENDER.

Bastava que o Ministro dissesse, no sei de nada, ou ento, o jornalista responde a IPM (Inqurito Policial Militar, geralmente presidido por coronel) e o Supremo no poderia julgar o Habeas Corpus. S que arrogante, prepotente, onipotente, onisciente e onipresente, respondeu: O jornalista est preso minha ordem. A a competncia era do Supremo.

Pediram 15 anos de priso para mim, fui enquadrado na Lei de Segurana, apesar de dizerem, VIVEMOS EM PLENO REGIME DEMOCRTICO. Como Braslia estava no incio, foi um julgamento inacreditavelmente demorado.

O Procurador Geral da Repblica, Candido de Oliveira Neto, fazia a acusao, Sobral Pinto a defesa, ficou 4 a 4. Queriam suspender a sesso, convoc-la para outro dia. Ribeiro da Costa no permitiu, disse apenas: Esto presente 8 Ministros, pelo regimento, podemos decidir, vou desempatar.

Explicao: podiam desempatar contra mim. Pela Constituio nem era indito ou surpreendente. Votou a meu favor, fui absolvido por 5 a 4. Dias depois recebia carta admirvel de Candido de Oliveira, lamentando ter que funcionar num processo como aquele, era a minha obrigao. Era mesmo.

* * *

PS Brizola no percebeu, isolado e quase soterrado em Braslia: FOI LIQUIDADO NAQUELE 1963 e no em 1964. Na verdade s se salvaram OS QUE ADERIRAM OU COLABORARAM, como na Frana ocupada em abril de 1940.

PS2 Se no sasse do Brasil, Brizola seria ASSASSINADO. Vrias vezes senti que isso aconteceria comigo. E 1967, quando Castelo Branco morreu e escrevi sobre ele, o mesmo que escrevia quando ele era o mais poderoso DITADOR DE PLANTO, acreditava (me diziam, na cara) que isso aconteceria. E depois, cada vez que era levado para AQUELE TMULO QUE ERA O DOI-CODI.

PS3 Se no acontecesse 1963/64, haveria importante sucesso em 1965, com vrios candidatos fortes. Brizola, Lacerda, Juscelino (que lanou sua candidatura para 65, deixando o governo nem pensou em reeeleio). Jango tentando continuar, Magalhes com o sonho da presidncia, Doutor Ulisses e Tancredo, tambm disputando. Quer dizer, repetindo: 63/64 e todos os sonhos adiados ou perdidos.

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One thought on “Brizola, 1961, 62, 63, 64, a glria de um lutador. S saiu do Brasil para no ser assassinado na certa. Voltou, deveria ter sido presidente, positivo ou negativo. Pelo menos valeria a experincia no Poder, no s dele, mas tambm de Carlos Lacerda.

  1. Grande minha satisfao em compartihar da memria nacional pela luta e contribuio da TRIBUNA no contexto do Golpe de 64 e seus desdobramentos. Procuro fotos e artigos contendo sobre Leonel Brizola e seu grupos dos 11. Meu pai seria um desses, Alfredo Pereira de Araujo, ento 2 SGT FN da Marinha do Brasil, destacado pelo Almte. Arago na segurana da famlia do Presidente Joo Goulart, cuja a apresentao e a devoo aos ideais de Brizola, estreitou o relacionamento do poltico com os marinheiros. Desta forma, no fatdico comcio de Juiz de Fora, houve a interveno militar e o incio do Golpe Militar.
    A quem interessar possa me ajudar a contar a histria de um brasileiro, nordestino, retirante, cheio de sonhos, msico e amigo em todas as horas de gente como Ilmo Sr. Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro. Att. Sergio Murilo cel. (21)7846-4411 ou 99915-8691

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