‘Brizola era o perigo’, diziam os agentes da CIA no Brasil

Rodrigo Vianna 

“Não resta dúvida que toda a pressão e carga era sobre o Brizola. Ele era o perigo“, diz Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos – um dos maiores especialistas em documentação sobre a ditadura militar brasileira.

A frase de Jair está em reportagem do jornal ‘Zero Hora”, que traz importantes documentos da CIA e mostra que o ex-governador Leonel Brizola era considerado o grande inimigo da ditadura brasileira.

Claro que o diário gaúcho, de uma das famílias conservadora, “compra” a versão da CIA, especialmente nesse trecho:

“Brizola comandava operações, treinava guerrilheiros e recebia auxílio financeiro de Cuba e de ultranacionalistas brasileiros com objetivo de derrubar a ditadura. A versão sobre as atividades do trabalhista e o papel de Cuba no apoio de grupos extremistas na América Latina estão descritos em um calhamaço de papeis da CIA”.

Para o “Zero Hora”, “grupos extremistas” eram os que lutavam contra as ditaduras. Extremistas não eram os militares que deram o golpe, nem os civis que financiaram a ditadura e as torturas. Ok. E Brizola vira um “ultranacionalista”  – na típica tentativa de desqualificar todos aqueles que lutaram ou lutam pela soberania, sem tirar os sapatos para os Estados Unidos. Ok, de novo.

Mas, tirando essas escorregadas, o material do “Zero Hora” é precioso.  Brizola era respeitado pelo inimigo. E isso não é pouco quando se sabe qual era esse inimigo.

A memória desse brasileiro deve ser sempre reverenciada. Resistiu ao golpe em 61 (Campanha da Legalidade), e teria resistido em 64 se Jango ficasse no Brasil. Voltou após a Anistia para comandar uma corrente nacionalista e socialista. os militares lhe roubaram a sigla PTB. Brizola fez o PDT. Enfrentou, com coragem, 3 questões ainda nao resolvidas no Brasil: racismo, oligopólio midiático e Educação.

Teve a coragem de questionar o poderio da Globo, porque logo compreendeu que aquilo era incompatível com a Democracia. Com Darcy Ribeiro, colocou a Educação no centro de sua administração no Rio. E fez do PDT o primeiro partido a ter uma secretaria ligada ao Movimento Negro.

Na hora “H”, Brizola nunca fugiu da luta. Perdeu a vaga no segundo turno para Lula em 89, por meio ponto. No dia seguinte estava onde? No palanque de Lula. Sabia que há momentos em que a luta política não permite titubeios. É preciso tomar partido e lutar, ainda que a vitória seja incerta. Lutou. Ganhou algumas vezes, perdeu outras. Jamais mudou de lado, nem titubeou na defesa dos interesses nacionais.

Um grande brasileiro era Brizola. Já sabíamos. Se faltava alguma prova, aí está: era ele o grande inimgo da CIA, dos EUA e da ditadura brasileira.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

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10 thoughts on “‘Brizola era o perigo’, diziam os agentes da CIA no Brasil

  1. Teve a humildade de vir vice de Lula, coisa que jamais Lula iria aceitar, queria e conseguiu ser presidente do Brasil, embora não fizesse o governo que o povo esperava, continuou com a política de dar o peixe em vez de ensinar a pescar.
    Programas sensacionalistas, pois desejava a reeleição e conseguiu, como sempre fez, se vendeu, loteou os ministérios para ter apoio.
    Com Brizola a elite sabia que iria ser diferente, pois não se vendia, gostava do povo e com todas as dificuldades que criaram conseguiu fazer um bom governo.
    Hoje não temos mas uma voz destoante do governo, não falam nada para não terem antipatia do povo, mas o povo, mesmo Brizola falando o que achava errado, nunca deixou de apoiá-lo.

  2. Em 1989, não foi ao 2º turno – quando derrotaria, certamente, o Collor – numa manobra do Rezek, presidente do TSE, que deixou para “computar” os votos de MG para o final, arranjando o resultado desejado, por Collor, pelos “barões” da mídia carioca e paulista e pelo PT.

  3. O que o povo negou ao grande paladino das causas nacionais, tem concedido com prodigalidade a tantos tipos menores! Não nos esquecemos de certas figuras invejosas combatendo — de forma odienta — o programa educacional de Leonel Brizola — a quem consideramos o mais valoroso líder político do tempo que nos fora dado viver! Foi exemplo de inteligência, retidão, seriedade, coragem, conhecimento da realidade brasileira e ampla visão do porvir! Quando sufragamos seu nome para a presidência da República, vivemos um instante de indescritível emoção!
    Sempre que discursava como vice-presidente da União Internacional Socialista, era ouvido com respeito e admiração por destacadas lideranças dos maiores países do mundo.
    Em Brizola confiamos, sem restrições, a contar da adolescência, quando, ainda estudante secundarista, cursávamos o clássico no Colégio Estadual da Bahia (Central). Resultou em afinidade de crença, sentimento e confiabilidade. Não somente com o homem público. Mas como modelo de vida em qualquer aspecto!

  4. Um povo que deixa de conduzir ao poder central um brasileiro da cepa e da estatura de alguém como Leonel Brizola, merece ter o lullo/petismo/dilmismo no poder por longos anos. Triste é o tributo que está sendo pago por milhões de brasileiros por este trágico mau passo histórico! Dramático!!!

  5. QUANDO OS GAÚCHOS CORRERAM COM O CAUDILHO DO RIO GRANDE DO SUL, ELE VEIO PARA CRIAR-SE NO RJ. HABITAT PERFEITO PARA POLÍTICOS DESAJUSTADOS !!! COMO O RJ SEMPRE ACOLHE QUALQUER UM E POR CONSEGUINTE FOI E SERÁ SEMPRE DO CONTRA POR PURO ESPÍRITO DE PORQUISMO. LÓGICAMENTE TODA REGRA TEM AS SUA EXCESSÃO.
    LEMBRO DE UMA PROGRAMAÇÃO DA RÁDIO MAYRINK VEIGA A QUAL ERA DE 5ª CATEGORIA E CUJO POLÍTICO INCITADOR MOR FOI PRECISAMENTE O LEONEL DE MOURA BRIZZOLA. NA ÉPOCA UM COMUNAZINHO BARATO, ACHANDO QUE CONSEGUIRIA JOGAR O POBRE POVO CONTRA O PRÓPRIO BRASIL. BEM QUE O POVÃO ESTAVA GOSTANDO DA BRINCADEIRA, MAS NA HORA H ELE TEVE QUE SE MANDAR FANTASIADO DE MULHER MESMO.

  6. Em 1989 eles inflaram Lula para que ele fosse para o segundo turno com Collor, para ser, como defato foi, derrotado. Brizola sacou isto no último debate realizado no SBT: entre algumas palavras em seu bloco de anotações constava “inflando Lula”; há uma foto que mostra isto, no livro Leonel Brizola – Uma trajetória política, de Ricardo Osmam G. Aguiar. Poderão dizer: depois ele apoiou Lula, foi vice do Lula: coisas da política.

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