Brizola exercitava a arte do diálogo

Hugo Gomes de Almeida

Brizola, na volta do exílio, exercitava a arte do diálogo. Mesmo dialogando com adversários, não havia força capaz de levá-lo a trair os ideais, coincidentes com a defesa dos mais lídimos interesses do País. Quero dizer ao admirado José Carlos Werneck que nunca censurei o comportamento de Leonel Brizola quando dialogava com Figueiredo ou mesmo com Collor. Quando o fez, foi com os olhos dirigidos para efetiva proteção à causa da nacionalidade.

Figueiredo e Collor, mesmo nos piores momentos, além de serem políticos da época, nunca foram piores do que Ulisses e Tancredo. Uniram-se estes, quando se apresentou conveniente, a quantos apoiaram a ditadura durante o período mais cruel.

Os adversários de Brizola — o líder mais combatido pelas forças direitistas durante décadas — sempre desejaram que ele ficasse em total isolamento para ser facilmente massacrado.

De minha parte, sempre confiei no caráter de Leonel Brizola, e jamais, em decorrência disso, vivi decepções.

Quando da aproximação com Figueiredo, houve receios e ciúmes do dispositivo militar, à vista do temor de que Brizola estivesse influenciando o general-presidente. Mas hoje ninguém lembra mais disso.

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