Nova ttica de Dilma tenta empolgar a militncia do PT

Pedro do Coutto

Cidade do Porto – A nova postura de Dilma Rousseff, partindo para o ataque contra Serra, a meu ver uma ttica para tentar acordar expressiva parcela da militncia, que sentiu escapar a vitria no primeiro turno e agora est com medo de perder no segundo. Mas Dilma ainda favorita, pois em apenas 12% dos segundos turnos que ocorreram viradas. Ou seja, 88% do retrospecto poltico-eleitoral so favorveis candidata do PT.

Mas faltam quatro debates, tudo pode acontecer. Aguardemos, portanto, lembrando que uma das reas que deveria ser debatida seriamente pelos candidatos a sade. Excelente reportagem de Evandro boli e Patrcia Duarte, em O Globo, destaca que 51% das brasileiras e brasileiros esto insatisfeitos com os servios de sade. A pesquisa foi feita pela ONU, atravs do Programa para o Desenvolvimento Humano.

No contexto, uma entrevista com Jos Gomes Temporo. O ministro da Sade culpa a burocracia pelo insucesso da administrao, considerando-a infernal. Para ele, ela a culpada de metas no serem atingidas. Logo, foi derrotado por uma mquina nem tanto subterrnea, mas visvel e sobretudo terrvel. Mas, se o titular de uma pasta to fundamental para a vida humana perde para a burocracia, na realidade perdeu para si mesmo:confessa tacitamente que no conseguiu super-la.

Francamente acho eu que a pesquisa do PNUD deveria apresentar um resultado muito pior do que a reao contrria de 51%. Claro. Porque o sistema pblico de sade simplesmente catico. Faltam mdicos, profissionais de apoio, paramdicos, remdios, equipamentos. Exames so marcados com atrasos que oscilam entre 3 a 6 meses, incluindo avaliaes radiolgicas. Em inmeros casos, quando chega a data do exame o doente ou j morreu, ou foi conduzido por parentes e amigos para clnicas particulares. Setores de emergncia funcionam mal. Em todos os nveis. Reportagens das emissoras de televiso frequentemente reproduzem imagens de doentes graves esperando atendimento em macas pelos corredores de hospitais.

Em constantes situaes, pessoas que necessitam de socorro ou intervenes mdicas, vivem uma verdadeira odissia de hospital para hospital aguardando uma luz no fim do tnel. H, evidentemente, um jogo maligno de empurra. Obras tornam-se interminveis. Aparelhos destinados a radiografias e outros, quebram e ficam fora de uso. Em muitos casos no interessa mant-los trabalhando porque, para os responsveis diretos, mais lucrativo que exames se realizem fora de suas unidades. A no somente o peso da burocracia. tambm o da corrupo. Os salrios so baixos, desestimulantes.

No tempo em que se encontra frente do MS, que fez o ministro Temporo? Quais as providncias que concretamente colocou em prtica para derrotar a burocracia, a corrupo e as barreiras burocrticas? Deve relacion-las. Falar s no adianta muita coisa.

Recursos no lhe tm faltado. Basta examinar o balano financeiro da Secretaria do Tesouro publicado no Dirio Oficial de 30 de julho, assinado por Fbio do Brasil Camargo. A dotao oramentria da Sade para este exerccio de 65,4 bilhes de reais, a maior parcela financeira do governo. Mas ao longo dos sete primeiros meses do ano, o ministrio s aplicou 40% da verba que lhe destinada.

A sade no pode esperar. Os mdicos tm que atuar numa faixa limite entre a vida e a morte, ou entre a integridade e o risco, espao ultra-sensvel. Quando pacientes chegam aos hospitais e no obtm atendimento, o desastre iminente. E quando trabalhos de parto tm que ser realizados at na rua, porque falta informao permanente indicando locais que podem cumprir a tarefa. Alm de tudo, o Ministrio da Sade deve investir-se da responsabilidade para consigo mesmo. Os servios que presta no so um favor. obrigao. Todos pagam impostos para terem direito a eles. No so benefcios, pois se h taxao, tem que haver retribuio. Este um princpio bsico para todo administrador. E para o prprio pas.

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