Caciques do PMDB já estão em guerra por espaços no Legislativo e Executivo

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No baralho do PMDB, só Henrique Eduardo Alves está afastado

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

A menos de um mês de ter chegado definitivamente ao poder, com a conclusão do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a confederação de caciques do PMDB já está em pé de guerra por espaços no Legislativo e no Executivo. Existe uma disputa entre os peemedebistas do Senado com os correligionários do Planalto, com fragmentações internas em cada um dos grupos. “O PMDB é assim. Sempre tem um nível de tensão interna, pois são vários interesses dentro de um mesmo partido. Se não fosse assim, não seria o PMDB”, resume um interlocutor palaciano.

MOREIRA E JUCÁ – Bombardeado pelo deputado cassado Eduardo Cunha (RJ), o secretário do Programa de Parceria do Investimento (PPI), Wellington Moreira Franco, não conta com a simpatia do senador Romero Jucá (RR), que preside o partido. Jucá desconfia que o vazamento da delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que provocou a exoneração do peemedebista do Ministério do Planejamento, tenha sido facilitado por Moreira.

De volta à planície, Jucá, considerado um dos melhores quadros do partido, incomoda-se com a fama de bom operador, mas da ausência de um cargo efetivo. Ainda comanda o Planejamento, mas o titular da pasta é Dyogo Oliveira. Orienta a base aliada nas votações do Senado, mas o líder do governo na Casa é Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

SUCESSOR DE RENAN? – Partidos que orbitam no entorno do PMDB especulam que Jucá, por uma questão de sobrevivência, poderia atropelar os interesses do líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE), e disputar a sucessão de Renan Calheiros (AL) na presidência da Casa.

Caso eleito, Jucá teria, como presidente de um dos Poderes, o direito de ser julgado pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, não apenas por um único ministro. “Duvido que Jucá queira isso. Se ele durou dois dias no Planejamento, vai resistir apenas à posse na presidência do Senado. É uma vidraça muito grande para alguém tão frágil”, desdenha um adversário. “Ele pode estar negociando a volta para a Esplanada. Afinal, algumas pastas têm menos visibilidade que a presidência do Senado”, arrisca um aliado.

“MUITO ENTRÃO” – No Planalto, contudo, as movimentações de Jucá são vistas com cautela e desconfiança. Moreira Franco, além dos ministros da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, e da Casa Civil, Eliseu Padilha, apesar de elogiarem a capacidade política de Jucá, consideram-no muito “entrão”.

O grupo palaciano é unido e ligado a Temer desde que o presidente da República assumiu a presidência do PMDB, em 2001. Faz parte desse grupo também Eunício Oliveira. Jucá é visto como alguém que chegou mais tarde à confraria, mas quer ter as mesmas garantias dos sócios remidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não há a menor dúvida de que o Palácio do Planalto se transformou numa toca de serpentes políticas. Habitado ao mesmo tempo por conspiradores como Eliseu Padilha (Casa Civil), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo e Articulação Política) e Moreira Franco (Secretaria do Programa de Parceria do Investimento), com outros cargos estratégicos ocupados por conspiradores subsidiários, também egressos do PMDB, como Márcio Freitas Gomes (Secretaria de Imprensa) e Gustavo do Vale Rocha (Secretaria Jurídica da Casa Civil), o fato concreto é que o presidente Michel Temer é refém dos caciques do PMDB e exerce uma função meramente decorativa. Ainda bem que o chamado núcleo duro do Planalto não consegue dar pitacos na economia, totalmente manobrada por Henrique Meirelles, mas já houve entreveros com Padilha, que se comporta como líder da quadrilha. Por enquanto, o quadro é esse. (C.N.)

5 thoughts on “Caciques do PMDB já estão em guerra por espaços no Legislativo e Executivo

  1. Por isso que eles querem a vergonhosa anistia..

    Cunha vingativo

    Brasil 25.09.16 07:03
    Numa coisa Dilma Rousseff tinha razão: Eduardo Cunha é um sujeito vingativo. No livro de memórias que pretende escrever, o ex-presidente da Câmara dirá que o impeachment foi um golpe parlamentar.
    Cunha nunca perdoará Michel Temer e a cúpula do PMDB por ter sido abandonado na reta final da cassação.
    —-
    Cunha vingativo (2)

    Brasil 25.09.16 07:11
    O ressentimento de Eduardo Cunha é tamanho, que ele disse a Lauro Jardim que escreverá um segundo livro intitulado “Delação Não Premiada”, no qual contará todos os podres de seus colegas de partido.
    Diz Lauro Jardim: “A interlocutores diz que já separou sua agenda de compromissos dos últimos anos e afiou sua (boa) memória para contar histórias pouco republicanas, dando o nome aos bois.”
    O Antagonista acha que Cunha não escreverá livro algum.

    Quase um duplex

    Brasil 25.09.16 08:38
    Lauro Jardim diz que, empilhados, os anexos das delações da Odebrecht somam até agora 4,5 metros.
    “Dá o equivalente a um andar e meio de delação.”

  2. Padilha, que se comporta como líder da quadrilha. Por enquanto, o quadro é esse. (C.N.).

    Dona Dorothy quando frequentava o Blog costumava a dizer que.
    “Somos governados por quadrilhas há 500 anos.!!

    Agora temos Eliseu Quadrilha no comando da Quadrilha do Don Drécula.

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