Cada um de nós precisa diagnosticar e dominar a própria inveja

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Charge do Meikel Neid (Arquivo Google)

Eduardo Aquino
O Tempo

Dizem que ela mata. Triste morte. Otimistas de nascença afirmam que, se bem-dosada, estimula. Mas sem dúvida adoece aos que dela se inoculam, envenenando suas vidas, à medida que impotentes assistem ao sucesso alheio. Numa inversão kafkiana, sucesso vira pecado capital, enquanto inveja, um indulto ao bem viver. Os invejosos ganharam. Tomaram de assalto as redes. Insignificantes, se agigantam desafiando ídolos, odiando ícones da cultura, das artes, dos esportes e de todas as áreas públicas. Odeiam, caluniam, mentem, quando estão escondidos em falsos perfis, nomes e blogs. Eles são chamados de “haters”, “ciberterroristas”, “vaiadores de intimidades alheias”, “hackers”, e por aí vai…

Inveja é paralisante, viciante e delirante. O invejoso não vive a própria vida. Ele vigia a do outro. Deseja muito o insucesso de quem no fundo admira, embora odeie e jamais admita isso.

Incapaz de conquistar, o invejoso torce, vibra com o fracasso do seu alvo. Ele saliva com a possibilidade da derrocada de quem está acima na pirâmide social.

COMO CARPIDEIRA – Sádico, quer ver ao vivo a tragédia, a morte e a falência do “amigo”, do irmão, do colega de trabalho. É como uma carpideira, aquela que mais chora as lágrimas de crocodilo no velório, enquanto, na esquina próxima, solta uma piada imprópria ou uma fofoca do defunto ainda fresco.

A inveja impede a paz de espírito, a valorização de si mesmo, o usufruto das próprias vitórias. De tanto ter o outro como parâmetro, o invejoso deixa ou esquece de construir os próprios sonhos. Deixa de curtir o mundo que está a seu lado, de escrever sua própria história. Ele quer ser o ator na ribalta, mas paga um ingresso caro pelo prazer de vaiar.

É triste saber que herdamos esse traço. A inveja é tão antiga quanto humana e, se investigarmos comportamentos animais, lá estará essa característica. Talvez negar a inveja seja uma armadilha que nos condenará a um confronto com nosso orgulho, com nossa vaidade, com nossa arrogância e com nossa falsa humildade.

DIAGNÓSTICO – O que proponho é que possamos nos diagnosticar quando estamos sendo infectados pela inveja em cada ação ou local que frequentamos. Olhe a seu redor, em seu ambiente de trabalho. Abra o seu coração. E aí, sente inveja? Aproveite um encontro familiar, o Natal, o Réveillon… quem sabe? Sente uma ponta da inveja do primo, do tio, do irmão, da cunhada? E na praia? Na piscina? No Facebook, no Instagram. Sei lá…

Quanta gente existe mais jovem, mais rica, mais inteligente e mais poderosa que você, não é?! E quantos mais feios, mais ferrados, mais acabados, mais infelizes… Concorda?

Somos únicos, incomparáveis, escrevendo nossa própria história. E dela cuido eu da primeira à última linha. É meu dever e arbítrio. Um dia, se me tornar maduro e sábio, quem sabe transmutando inveja em admiração, não poderá você, amigo e leitor, sentir a alegria que o vencedor sente? Saborear o sucesso dos bem-sucedidos. É indescritível o prazer de compartilhar a energia positiva dos que constroem. Assim como é doentio o sadismo de reagir destruindo o altruísmo, o humanismo e a fraternidade.

7 thoughts on “Cada um de nós precisa diagnosticar e dominar a própria inveja

  1. TEmos inveja das pessoas que devotamos uma admiração, um desejo de ser igual; ai eu sempre uso a expressão “santa inveja”, não é pecado. Inveja, um dos sete pecados capitais, acontece quando o sucesso do outro passa a incomodar, quando a pessoa passa a destruir o invejado.
    ” O invejoso não vive a própria vida. Ele vigia a do outro. Deseja muito o insucesso de quem no fundo admira, embora odeie e jamais admita isso.”

  2. Aquino: Dizia meu avô que a família dos Aquino fora uma só. Que com a Proclamação da República se dispersou. Mesmo assim acho que você não é da minha tribo. Acho que o invejoso é doente. E potencialmente um criminoso. O homem normal não tem inveja de nada. Sinceramente, não vejo em minha vida um momento qualquer que tivesse inveja de alguém. Tenho raiva de pilantras, invejosos, intrigantes e bajuladores. Mas minha raiva é passageira. Eu não sublimo essa raiva. É possível que haja inveja momentânea? Será que existe, Aquino? Eu entendo a inveja como um sentimento doentio. Mas não sou um estudioso da matéria.

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