Cada vez mais difícil a coabitação ou convivência de Israel-Palestina, Obama tentou, foi o primeiro presidente dos EUA, dando essa impressão. O governador de Pernambuco acredita que ganha na mídia. Gaúcho, preso e torturado na ditadura, burramente demitido como técnico do Vasco.

Helio Fernandes

O erro dos erros, o equívoco que dura até hoje, começou em 1948, com a criação do Estado de Israel e o abandono da Palestina. Decorridos 65 anos, os presidentes dos EUA vão ao Oriente Médio, mas protegem desassombradamente Israel.

Agora, na sua primeira viagem, Obama deu a impressão de que tentava realmente resolver o problema, entrar na História, não como presidente dos EUA, mas como o homem que pacificou o Oriente Médio, criou o Estado da Palestina, lançando essa idéia em pleno território de Israel e não na Palestina.

Mas o extremo cuidado com que Obama falava as coisas, demonstrava a dificuldade da missão. “Israel é injusto com a Palestina”, dito diante de milhares de judeus, na casa deles, precisa mais coragem do que diplomacia.

Todos os presidente americanos que foram a Israel, trataram o problema como se a Guerra dos 6 Dias ainda continuasse e, na verdade, nada mudou. Israel tem a bomba atômica “presenteada” pelos americanos, e um dos exércitos mais poderosos do mundo, pensa o planeta pelo visor de suas armas assombrosamente modernas.

Quer dizer que Obama não conseguirá coisa alguma? De todos os presidentes dos EUA que tentaram a paz ou fingiram tentar, o único que não montou se palanque no sopé da bomba atômica foi Obama. Isto não pode ser negado ou diminuído: “Israel, vocês têm um ótimo país, são respeitados, mas precisam acabar com a ocupação”.

OBAMA FOI CLARO E LÚCIDO,
MAS SERÁ QUE FOI OUVIDO?

Essa síntese permanece como realidade indestrutível, única e exclusivamente por causa de Israel. Obama pronunciou a palavra-chave, “ocupação”, e todo dia Israel monta mais assentamentos em território palestino. Substituem ocupação por assentamento e vão construindo aceleradamente.

Na primeira e única vez que fui no Oriente Médio, fiquei com a impressão de que judeus e palestinos (as populações, o povo) queriam a paz. Como viver naquela incerteza total, sem vida, sem convivência nem mesmo entre eles? De um lado ou de outro, todos assustados, menos os militares que comandam ditatorialmente Israel, e as autoridades políticas dominadas por eles.

OBAMA NÃO COBROU
NEM PROMETEU

O presidente dos EUA usou seu poder maior, que é o da oratória. Com suavidade, falou dos dois lados, qualquer analista ou intérprete isento e imparcial concluirá: Obama foi crítico de Israel e da Palestina, a surpresa vem do fato de ser o primeiro a dizer isso. E não de longe, mas cara a cara, mostrando que se os dois lados não conversarem, não se entenderem, nada acontecerá. E não prometeu ajuda, compreensão, facilidades.

Sua forma de terminar, inédita e cheia de esperança: “Israel tem uma grande história, a Palestina não pode ser impedida de eternizar a sua própria História. A solução não vem da OCUPAÇÃO nem da EXPULSÃO”.

Pelo menos sobra um raio de esperança, pela primeira vez.

A ARROGÂNCIA
DE MERCADANTE

Convidado permanente de Dona Dilma para todas as viagens ao exterior, está convencido de que seu futuro de 2002, voltou. Eleito senador, esperava ser Ministro da Fazenda. Nem foi lembrado.

O máximo que conseguiu: ocupar a liderança do governo. Quando sentiu que não mandava nada, pediu demissão IRREVOGÁVEL. Foi humilhado, Lula não aceitou, e ainda “decretou” sem medo: “Quem diz o que é irrevogável sou eu”. Não voltou senador, mas surpreendentemente virou “queridinho” de Dona Dilma. Mas não será governador.

O IMPENETRÁVEL
JOSÉ SERRA

Podem dizer tudo contra ou a favor dele, e não estão errados. Mas Serra tem personalidade, ambições e objetivos que não esconde, expõe publicamente. Tentou começar a carreira eleitoral, como deputado estadual, em 1978.

Foi vetado pelo TSE, estava CASSADO. FHC se lançou no mesmo 1978, candidato a senador, não foi vetado. Saiu candidato, nunca havia sido CASSADO. Agora, ninguém pode analisar (ou até adivinhar) o que Serra irá fazer.

O ELEITORADO DE PERNAMBUCO
SÓ SE ALISTA, MAS NÃO VOTA

Os números atribuídos a Eduardo Campos permitem e justificam o jogo de palavras do título. Teve 6% dos votos, para mim, surpresa. Acreditava que ele chegasse apenas com 3%. O dobro encontrado, muito. Apesar disso, estragou seu fim de semana.

O cozido na casa de Jarbas Vasconcellos não foi tão animado como parecia. Mas os planos de Campos passam obrigatoriamente por Jarbas. A maior força eleitoral de Pernambuco, prefeito e governador, é candidatíssimo. A aproximação com Jarbas mostra que Campos vai se compor com ele. Tem que resolver a desincompatibilização em março que vem. Falta ver a reação do partido, ao ficar sem candidatura, relegado a uma vice.

DILMA E LULA,
MAIS DE 50 POR CENTO

Faltam 20 meses para a eleição, mas apesar de estarem todos em aparente campanha, ela vai valer mesmo a partir das desincompatibilizações. Dilma, além de todas vantagens, tem mais uma, importantíssima: pode tentar a reeleição no cargo, manobrando e mobilizando a máquina.

Mas para os adversários que tentavam jogar Dilma contra Lula, a pesquisa veio com sabor e dissabor: tanto ela quanto ele têm mais de 50%, ganhariam no primeiro turno. A fixação do nome parece decidida internamente no PT. Mas não apostem tudo nessa hipótese. Só que, para os adversários, tanto faz perder para Lula ou Dilma.

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PS – O Vasco cometeu tremenda injustiça (e burrice) com o treinador Gaúcho. Tecnicamente competente, teve que lidar e contornar insatisfações, incluindo atraso de salários.

PS2 – Fora do campo, é uma notável figura, sempre recorrendo ao diálogo e ao entendimento. Menos durante a ditadura, quando foi preso e torturado seguidamente. E agora, demitido por René Simões.

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