Caiu a ficha de quanto a vida está inviável

Cristovam Buarque

As surpreendentes mobilizações dos últimos dias podem ser explicadas em dez letras: “caiu a ficha”. Não se sabe exatamente o que levou a ficha a cair neste exato momento, mas todos os ingredientes já estavam dados. A maior surpresa foi a surpresa.

Caiu a ficha de que o Brasil ficou rico sem caminhar para a justiça: chegou à sexta potência econômica, mas continua sendo um dos últimos na ordem da educação mundial. Também caiu a ficha de que, sem educação, não há futuro, e de que, por isso, 13 anos depois de criada, o Bolsa Família continua necessário, sem abolir sua necessidade.

Caiu a ficha de que, em 20 anos de governos social-democratas e dez anos do PT no poder, ampliamos o consumo privado, mas mantivemos a mesma tragédia nos serviços sociais, nos hospitais públicos e nas escolas públicas. Caiu a ficha de que o aumento no número de automóveis em nada melhora o transporte, ao contrário, piora o tempo de deslocamento e o endividamento das famílias. Caiu a ficha de que o PIB não está crescendo e, se crescesse, não melhoraria o bem-estar e a qualidade de vida.

Caiu a ficha do repetido sentimento de que a corrupção não apenas é endêmica, ela é aceita; e os corruptos, quando identificados, não são julgados; e se julgados não são presos; e se presos não devolvem o roubo. E de que os políticos no poder desprezam as repetidas manifestações de vontade popular.

Caiu a ficha de que o povo paga a construção de estádios, mas não pode assistir aos jogos. E de que a Copa não vai trazer benefícios na infraestrutura urbana das cidades-sede, como foi prometido. Aos que viajam ao exterior, caiu a ficha da péssima qualidade de nossas estradas, aeroportos e transporte público.

Caiu a ficha de que somos um país em guerra civil, onde 100 mil morrem por ano por assassinato direto ou indireto no trânsito.

Caiu a ficha também de que as mobilizações não precisam mais de partidos que organizem, de jornais que anunciem, de carros de som que conduzam, porque o povo tem o poder de se autoconvocar por meio das mídias sociais.

INTERNET

A praça hoje é do tamanho da rede de internet, e é possível sair das ruas sem parar as manifestações e voltar a marchar a qualquer momento. Na prática, caiu a ficha de que é fácil fazer guerrilha cibernética: cada pessoa é capaz de mobilizar milhares de outras de um dia para o outro em qualquer cidade do país.

Mas, entre os dirigentes nacionais, ainda não caiu a ficha de que mais de 2 milhões de pessoas nas ruas não se contentam com menos do que uma revolução. Mais de 2 milhões não param por apenas R$ 0,20 nas passagens de ônibus. Eles já ouvem as ruas, mas ainda não entendem o idioma da indignação. Nem caiu a ficha de que só manifestações não bastam. É preciso fazer uma revolução na estrutura, nos métodos e nas organizações da política no Brasil: definir como eleger os políticos, como eles agirão, como fiscalizá-los e puni-los. (transcrito de O Tempo)

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13 thoughts on “Caiu a ficha de quanto a vida está inviável

  1. É uma pena que o ilustre Senador, ex-Reitor na UNB, ex-Ministro da Educação, e que escreve tão bem, depois de nos mostrar que devido aos recentes e atuais Protestos, “a ficha caiu em vários setores da Sociedade”, que hoje a Praça é do tamanho da Internet (imensa, englobando literalmente milhões), e que finaliza brilhantemente dizendo que é preciso uma mudança total na estrutura, nos métodos e nas organizações da Política no Brasil, não dê sua opinião de como “equacionar o problema”. A opinião do Senador é que eu queria ter, e essa não aparece. É uma pena. Abrs.

  2. Caiu a ficha de que continuamos sendo o mesmo país atrasado de sempre, apesar das fantasiosas propagandas do governo federal.

    Caiu a ficha de que nosso país continua sendo pessimamente administrado, apesar das bonitas falas (gravadas) da presidente, na TV e em rede nacional.

    Caiu a ficha de que a presidente não fará a prometida – em campanha eleitoral – reforma tributária, para que assim continuemos pagando absurda carga de impostos, que decepciona a todos nós contribuintes e fomenta a economia informal.

    Caiu a ficha da imensa falta de logística para exportarmos nossa produção. Pois não temos rodovias, ferrovias, hidrovias e portos “decentes”, que permitam preços internacionalmente competitivos às nossas mercadorias.

    Caiu a ficha da alucinada “forma brasileira de governar”, aonde cargos públicos são reproduzidos e loteados entre partidos políticos, tornando a máquina pública um insaciável dinossauro que já nem enxerga mais o interesse público.

    Caiu a ficha de que a Copa não é do Mundo, tampouco do Brasil! É da FIFA! Tal sombria entidade faturará bilhões com o evento de 2014, atropelando nossos cidadãos e nossas leis. Ao Brasil ficará apenas o ridículo legado de estádios que não servirão para quase nada.

    Caiu a ficha… caiu a ficha… caiu a ficha…

    (Deixo agora a vez para outros leitores apontarem mais “fichas” que estão caindo sobre este nosso Brasil de fantasia)

  3. Circula na intenet o recado: “Não reeleger ninguém para o mesmo cargo”. Assim vamos aos poucos renovando o congresso, governadores,assembléias legislativas, a presidência da República e depois os prefeitos e câmaras municipais. Vai ser uma “revolução” pelo voto, longa, desgastante, mas é assim mesmo, inspirada em Gandhi, que não tinha partido.

  4. Não, senhor Bortolotto, o senador já disse tudo e o que afirmou está claramente explícito em “é preciso fazer uma revolução na…”. Dizer mais o quê? E o senhor Antonio Rocha apresentou brilhante sugestão: “Não reeleger ninguém para o mesmo cargo”. Imagine só um senador voltar à Câmara de Vereadores, quanto conhecimento traria para a política municipal.

  5. Governo João Goulart

    Parlamentarismo
    – Chefe de Estado: Presidente

    – Chefe de Governo: Primeiro-ministro:
    — Tancredo Neves – set-1961/jul-1962
    — Francisco Brochado da Rocha
    ————————– jul-1962/set-1962
    – Hermes Lima —— set/1962-jan/1963

    Presidencialismo: jan-1963/mar-1964

    Chefe de Estado e Chefe de Governo:
    Presidente João Goulart

    Gabinete Tancredo Neves –
    AERONÁUTICA – Clívis Travassos;
    AGRICULTURA – Armando Monteiro Filho;
    CASA CIVIL – Hermes Lima;
    CASA MILITAR – Amaury Kruel;
    EDUCAÇÃO – Oliveira Brito;
    EXTERIOR – Santhiago Dantas;
    FAZENDA – Walter Moreira Salles;
    GUERRA – João Segadas Viana;
    IND E COMÉRCIO – Ulisses Guimarães;
    JUSTIÇA – Alfredo Nasser;
    MARINHA – Ângelo Nolasco;
    MINAS E ENERGIA – Gabriel Passos;
    SAÚDE – Estácio Souto Maior;
    TRABALHO – Franco Montoro;
    VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS – Virgílio Távora.

    Gabinete Francisco Brochado da Rocha
    (jul-set/1962)
    AERONÁUTICA – Reinaldo de Carvalho Filho;
    AGRICULTURA – Renato Costa Lima;
    CASA CIVIL – Hermes Lima;
    CASA MILITAR – Aurèlio de Lira Tavares;
    Amaury Kruel, Albino, Assis Brasil;
    EDUCAÇÃO E CULTURA – Roberto Tavares de Lira ;
    EXTERIOR – Afonso Arinos;
    FAZENDA – Walter Moreira Salles;
    GUERRA – Machado Lopes e Nelson de Melo;
    IND E COMÉRCIO – José Ermírio de Morais;
    JUSTIÇA – Cândido de Oliveira Neto;
    MARINHA – Pedro Paulo de Araújo Suzano;
    MINAS E ENERGIA – João Mangabeira;
    SAÚDE – Trabalho – Hermes Lima;
    VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS – Hélio de Almeida.

    Gabinete Hermes Lima – set/1962-jan/1963
    AERONÁUTICA – Reinaldo de Carvalho Filho;
    AGRICULTURA – Renato Costa Lima;
    CASA CIVIL –
    CASA MILITAR – Aurério de Lira Tavaes;
    EDUCAÇÃO E CULTURA – Darcy Ribeiro;
    EXTERIOR – Hermes Lima;
    FAZENDA – Miguel Calmon;
    GUERRA – Amauri Kruel;
    IND E COMÉRCIO – Otávio Dias Carneiro;
    JUSTIÇA – João Mangabeira;
    MARINHA – Pedro Paulo de Araújo Suzano;
    MINAS E ENERGIA – Eliezer Batista da Silva;
    SAÚDE – Elizeu Paglooli;
    TRABALHO – Hermes Lima;
    VIAÇÃO e O. PÚBLICAS – Hélio de Almeida;
    SEM PASTA – Celso Furtado.
    Presidencialismo: jan-1963/mar-1964

    Chefe de Estado e Chefe de Governo:
    Presidente João Goulart

    AERONÁUTICA – Reinaldo de Carvalho Filho e
    Anízio Botelho;
    AGRICULTURA – José Ermírio de Morais e
    Oswaldo Lima Filho;
    CASA CIVIL – Evandro Lins e Silva e
    Darcy Ribeiro;
    CASA MILITAR – Argemiro de Assis Brasil;
    EDUCAÇÃO – Teotônio Monteiro de Barros,
    Paulo de Tarso Santos e Júlio Tambaqui;
    EXTERIOR – João Augusto de Araújo Castro,
    Evandro Lins e Silva e Araújo Castro(bis);
    FAZENDA – Carvalho Pinto e Ney Galvão;
    GUERRA – Amauri Kruel e Jair Dantas Ribeiro;
    IND E COMÉRCIO – Antôni Balbino;
    JUSTIÇA – Abelardo Jurema;
    MARINHA – Paulo Bozísio e Sílvio Mota;
    MINAS E ENERGIA – Eliezer Batista da Silva e
    Oliveira Brito;
    SAÚDE – Paulo Pinheiro Chagas e Wilson Fadul;
    TRABALHO – Almino Afonso e Amaury Silva;
    VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS – Hélio de Almeida
    e Expedito Machado Pontes;
    *Min Extraordinário para Assuntos de Des.
    Econômico – CELSO FURTADO;
    *Min Extraordinário para a Reforma Administra-
    Tiva – AMARAL PEIXOTO.

  6. Exato Chagas,mas para alguns políticos incrustados no poder ainda não caiu,organizaram
    quadrilhas para saquear os bens públicos,formaram alianças poderosas com o intuito de tirar vantagens de tudo. Quem paga a conta é o povo,através de pesados impostos,e sofre com a falta de hospitais,escolas,condições dignas de trabalho,enfim, parece que esses políticos só enxergam o próprio umbigo.

  7. Pelo que observo em suas falas no senado, Cristóvão Buarque demonstra que é um dos poucos que captam as verdades das ruas.
    Ele teria condições de presidir este país.
    Tem experiência com o social, sem religiosidade ou ideologia. Já caiu na real e sabe que o brasileiro quer ser igual a um canadense, americano, sul-coreano, japonês, alemão e não um cubano como quer Beto, Boff e outros desonestos do tipo.

  8. Prezado Sr. José Valente, Saudações.

    A meu ver, “fazer uma Revolução na estrutura, nos métodos e nas organizações da Política do Brasil: definir como eleger os Políticos, como eles agirão, como fiscalizá-los e puni-los”, não me diz NADA, pois não diz que TIPO de Revolução tem em mente, e COMO. É como me dizer: Devemos ganhar Dinheiro para ficarmos Ricos. Tudo bem, mas sem me dizer COMO, me serve muito pouco.

    Quanto a ideia do Sr. Antonio Rocha de: “não reeleger ninguém para o mesmo cargo”, a meu ver, é melhor do que isso que está aí, mas é muito pouco. O melhor mesmo seria mudar o Sistema Político para melhor. Voto Facultativo; Voto Distrital Puro, Bi-Partidarismo, Eleição de Candidatos Independentes dentro da Lei; Eleição Direta para Fiscais dos 3 Poderes, Recall de maus Representantes, etc. Imaginemos por hipótese, dentro do atual Sistema Político que o Dr. Joaquim Barbosa viesse a se candidatar a Presidente e ganhasse o 1º Turno. Até chegar alí, já teria que ter “negociado muito” para conseguir Dinheiro, muito Dinheiro que é necessário, além de apoios, etc,etc. Então partiria para a Campanha do 2º Turno, que é quando a coisa fica como o Diabo gosta. Iria buscar apoio entre os Chefes de 28 Partidos, agora segundo a Tese do Sr. Antonio Rocha, gente NOVA que com pouquíssimas exceções provavelmente estariam com mais “FOME” do que os Antigos, e que não dariam seu apoio, apenas pelos “lindos olhos” do Dr. Joaquim Barbosa. Podem apostar nisso, essa gente não se comove com “beleza” prefere mesmo “algo Sonante”. Imaginemos que ganhou as Eleições, então teria que “negociar” a BASE ALIADA, com 28 Partidos, provavelmente mais pois já teríamos também a REDE da Sra. Marina, etc, e se não tiver uma Base Aliada grande e forte, olhem o que aconteceu 4ªFeira no Egito! Não, não é por aí. 2 Partidos Políticos, um PT e um PL, quem ganhou é Governo e quem perdeu é honesta Oposição. A meu ver, enquanto o Povo não entender isso, como dizia o ilustre Sr. Martim Berto Fuchs, NÃO HÁ PERIGO DE MELHORAR. Abrs.

  9. Prezado Sr. Bortolotto, a meu ver, o sr. fez uma interpretação negativa do que falei. Vamos pelo positivo. Penso que uma grande renovação de parlamentares, eles vão ficar mais comportados pois sabem que os jovens de todas as idades voltarão às ruas. Inclusive eu com 61 anos, hérnia umbilical etc… Manifestantes chegaram para ficar, nem tão cedo saem das ruas… Abraços em todos.

  10. Prezado Sr. Antonio Rocha, Saudações.

    Eu não fiz uma interpretação negativa de sua proposta de: “Não reeleger ninguém para o mesmo cargo”. É uma excelente ideia, apenas referi que melhor ainda, seria mudar para melhor o nosso péssimo Sistema Político, raiz de todas “os malfeitos”. Abrs.

  11. Concordo com o Mauro Júlio Vieira, Cristovam Buarque, sem dúvida seria um bom nome para
    presidir o país. Após a ditadura, cada governo civil, era sempre pior do que o anterior e o próximo que assumia pegava a bomba do anterior e deixava pior para o sucessor, formando o efeito dominó. A Presidente Dilma recebeu a bomba do Lula e deu continuidade.
    O governo do PT (Lula), tendo a Dilma como Presidente, foi a gota d’água, para o
    desencadeamento desse movimento importante de indignação do povo, que no fundo atinge todos
    os governos civis, cada um pior do que outro.

  12. Cristovam Buarque e o PDT: Para nós os velhos trabalhistas(pouquissímos)do PDT Cristovam é um problema. Eu mesmo cheguei a escrever-lhe dizendo que seria melhor ele sair do partido. Vocês haverão de perguntar o que na realidade quer o Aquino. E eu respondo: Cristovam para mim é um dos políticos mais confusos que já vi. Depois de ser demitido por telefone quando estava em Portugal e ia se encontrar com Lula na Índia, veio para o PDT. Disse logo depois: Metade do meu coração é pedetista; a outra é petista(?)(?)(?)(?). Canditato a presidente pelo partido, com a “nota só da educação” não quer os simbolos do PDT: A entrada no programa do partido da bandeira brasileira e a bandeira do PDT. Abiscoitou três milhões de votos. Passou então a manter conversas por telefone com um deputado aqui no Rio, que para valorizar-se todas as semanas em um program de rádio, criticando o partido e seu presidente, bradava: Conversei ao telefone com o senador Cristovam Buarque. Asim começou a servir de ponte para uma cizânia dentro do partido.Agora fala: Eu podia ser vice de Eduardo Campos. Depois: É mas não somo nada. Saí do PT Lupi agora quer me levar de volta. Dilma não devia nomear Manoel Dias Ministro do Trabalho porque ele é amigo do Lupi. O PDT é um “puxadinho” do PT. Eu ia votar nas eleições internas do partido mas não vou mais.Não quero ser candidato a presidente. Eu não serei canditato ao governo do Distrito Federal porque me incomodam as vais dos militantes do PT(?)(?)(?). Vou apoiar o Reguffe que foi meu aluno, se ele não for candidato vou apoiar fulano de outro partido.Diz: quero ser outro “darcyzinho”. Intelectual fala: “caiu a ficha”(?(?)(?). Não se refere a Getúlio, Jango e Brizola(talvês seja o ranço udenista do PT onde iniciou sua carreira). Propõe uma educação nacional, esquecendo que somos uma Federação. Por último: Waldomiro Diniz da Silva homem de confiança de Zé Dirceu, que deu início ao escândalo do mensalão, tabém foi homem de confiança de Cristovam Buarque quando era governador do Distrito Federal. Eu me sentiria confortável se Cristovam saisse do PDT. Acho que não tem o perfil de “nossa grei”.

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