Câmara se desmoraliza com réu de estelionato presidindo a Comissão de Direitos Humanos

José Carlos Werneck

O deputado Marco Feliciano, novo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, é réu no Supremo Tribunal Federal, por estelionato. Feliciano, do PSC de São Paulo, foi eleito, apesar da rejeição de parlamentares que representam as minorias. É acusado de ter inventado um acidente no Rio de Janeiro para justificar sua ausência em evento no Rio Grande do Sul, para o qual já havia recebido cachê, passagens e hospedagem.

Feliciano é também cantor gospel…

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Feliciano deveria comparecer ao Estádio Municipal Silvio de Farias Correia, em São Gabriel, a 320 quilômetros de Porto Alegre, em 15 de março de 2008 ,para um show gospel que reuniu 7 mil pessoas. O pastor Marco Feliciano, estrela principal do evento, faria o encerramento da festa. Caravanas interessadas nas pregações de Feliciano foram dirigiram-se à São Gabriel para assistir ao show.

A advogada Liane Pires Marques, proprietária da produtora responsável pelo evento, declarou que fez publicidade em toda a mídia gaúcha, pagando cachê, transporte aéreo, hotel de primeira categoria e todo o exigido pelo hoje deputado. Mas aquele que seria a grande atração da festa não compareceu. Pela ausência do hoje presidente da Comissão de Direitos Humanos, Liane disse que ficou desmoralizada, sendo xingada pelos presentes e nunca mais conseguiu organizar um show.

Marco Feliciano declarou à Imprensa que realmente foi contratado para o evento. “Eu não sou cantor. Sou pregador e iria lá como pregador”. Segundo ele, ocorreu um contratempo e foi impedido de comparecer. “Dias depois, recebi uma intimação judicial. A empresa cobrava R$ 1 milhão de prejuízo. Eu não paguei, é óbvio. Eles haviam adiantado R$ 8 mil para a viagem. Eu então tentei devolver o dinheiro, mas não consegui. Tive de entrar na Justiça e já ressarci os prejuízos, com correção monetária”. Feliciano não soube explicar por que o processo ainda está no STF, pois, segundo ele, já deveria ter sido extinto, porque houve a devolução da quantia que lhe foi paga.

Referindo-se ao acidente , com um Airbus 320 em Congonhas, que vitimou 199 passageiros,em 2007, o deputado fez a seguinte comparação:

“Imagina só. Pediram R$ 1 milhão de indenização da minha parte. Esses familiares de pessoas que foram acidentadas no voo da TAM, discutem se vão receber R$ 100 mil. Foi um exagero o que a empresa pediu e eu não aceitei pagar aquela quantia”.

Na entrevista,concedida, ao Congresso em Foco, a advogada que processa Feliciano informou ter gasto mais de R$ 100 mil à época em que ocorreu o fato.

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